Capítulo Cinquenta e Um: Ira
Após receber a ordem, o Príncipe Li partiu, levando consigo uma equipe de elite da residência real. Para ele, lidar com Su Zhe não exigia grande movimentação de tropas; bastava ir com alguns subordinados de confiança.
Ao mesmo tempo, no Salão do Imperador Humano, as pessoas ficaram profundamente surpresas. Quando descobriram a verdadeira identidade de Su Zhe, o Sétimo Ancião quase deixou cair o queixo de espanto. Era realmente inacreditável. Sem hesitar, foi até o local onde estava o Mestre do Salão. Ao adentrar o grande salão, entregou um talismã de jade nas mãos do Mestre, falando de forma cautelosa:
— Mestre, esta é a mensagem que a equipe de busca acabou de enviar. Peço que examine. Além disso, há pouco, mais quatro membros da linhagem demoníaca tombaram no Ranking dos Mil Demônios, incluindo o soberano do Reino Demônio de Qingqiu, que ocupava a posição de número novecentos.
Ao dizer isso, o impacto em seu coração era indescritível. O Mestre do Salão do Imperador Humano não pôde evitar o espanto. Pegou o talismã de jade e, sem hesitar, passou a examiná-lo cuidadosamente.
Após alguns instantes de leitura, seu rosto revelou surpresa.
— Aos quinze anos foi para o campo de batalha na fronteira, aos vinte foi nomeado marquês... Que pena ter caído nas mãos de um monarca tolo, iludido pelos demônios. Pela idade, não deve ter mais de vinte anos e já realizou feitos tão grandiosos. Verdadeiramente, um herói surge entre os jovens!
Depois de analisar todos os dados contidos no talismã, o Mestre do Salão exclamou admirado. Em seguida, fixou o olhar no Sétimo Ancião.
— Vejo que este jovem é resoluto e valoriza a lealdade e o afeto, digno de ser cultivado. O mais impressionante é que, com idade tão tenra, já domina o território demoníaco, o que deveria nos envergonhar. Faça o seguinte: vá pessoalmente ao Grande Zhou e conceda-lhe a Espada de Mérito de Prata como recompensa!
— Sim! — respondeu o Sétimo Ancião, retirando-se cautelosamente do salão. Assim que saiu, reuniu seus homens e partiu rumo ao Grande Zhou. Conceder a Espada de Mérito de Prata era um evento de grande importância e ninguém ousava tratá-lo com desleixo. Era necessário preparar toda a cerimônia, pois não seria entregue de qualquer maneira.
Enquanto isso, Su Zhe não tinha conhecimento desses acontecimentos. Após entrar em Fenglei Guan, descansou apenas uma noite e logo seguiu em direção à Cidade Real. Depois de vingar-se, ansiava profundamente por prestar homenagem à sua família. Por isso, não se permitiu parar, avançando rapidamente em direção à capital. Sua velocidade era notável.
Quando estavam próximos à cidade, Zhao Xing já o esperava aos pés dos muros. Seu corpo robusto lembrava uma torre de ferro, e em seu rosto surgiu primeiro um sorriso simples e sincero. Ao ver Su Zhe, seus olhos se avermelharam. Olhando para ele, exclamou:
— Saúdo Vossa Majestade!
Desta vez, ao adentrar o território demoníaco, Su Zhe correra risco de morte, e Zhao Xing insistira várias vezes em acompanhá-lo, sempre sendo recusado. Agora, vendo o retorno de Su Zhe, a alegria em seu coração era impossível de descrever em palavras.
Su Zhe apenas sorriu e disse:
— Vamos, voltemos à cidade!
Assim, juntos, entraram na cidade, mas ao invés de ir ao palácio real, Su Zhe dirigiu-se diretamente à Mansão do Marquês Shenwu. Diante da residência, seus olhos se encheram de lágrimas; finalmente conseguira vingar seu pai e sua família. Empurrou a porta suavemente. Tudo ali dentro lhe era familiar, exceto pelas manchas de sangue, ainda chocantes. Não ousava imaginar o desespero enfrentado por seus entes queridos.
Depois de alguns instantes de silêncio, ordenou aos guerreiros atrás de si:
— Tragam o corpo do Rei Demônio de Qingqiu para mim!
Sem hesitar, os guerreiros trouxeram a enorme carcaça até o centro da mansão. Nos olhos de Su Zhe brilhou o ódio, então ele ordenou friamente:
— Incendeiem, queimem!
— Às ordens! — respondeu Zhao Xing, que pessoalmente lançou chamas intensas sobre o corpo do Rei Demônio de Qingqiu. O fogo rugiu alto, consumindo tudo.
Su Zhe ajoelhou-se lentamente. Todos os presentes seguiram seu exemplo. Então, sua voz ecoou:
— Pai, vinguei-te. Tanto o monarca insensato quanto este rei demoníaco, nenhum escapou!
Mesmo após a fala, a aura assassina ainda emanava de seu corpo. Ninguém sabia quanto tempo se passou até que o corpo do Rei Demônio fosse completamente consumido pelas chamas. Só então Su Zhe se levantou e dirigiu-se ao palácio real.
O céu já estava escurecendo. Ao chegar diante do palácio, Zhao Xing parou, deixando Su Zhe seguir sozinho. A partir daquele instante, ele estava sozinho no mundo. A grande vingança fora consumada; dali em diante, dedicaria sua vida ao povo do Grande Zhou.
Ao adentrar o grande salão, sentou-se no trono imperial sob a luz trêmula das velas. Seu rosto alternava entre sombras e claridade, tornando impossível desvendar seus pensamentos. Do lado de fora, ouvia-se ocasionalmente o passo dos guardas em patrulha e, por vezes, o som de cavalos dos guardas da elite. Ainda assim, Su Zhe permanecia imóvel, perdido em seus pensamentos.
Quando uma vela grossa, mais espessa que um braço de criança, terminou de queimar, a luz do dia começou a surgir. Porém, nesse momento, Su Zhe franziu a testa, sentindo uma poderosa presença se aproximar rapidamente. Percebeu que alguém estava vindo ao seu encontro.
Imediatamente, ele saiu do salão para descobrir quem era o visitante. Assim que chegou ao lado de fora, várias figuras surgiram nos céus acima do palácio real. Pairavam no ar, emanando uma aura poderosa, e nos olhos havia um desdém visível, como se olhassem para formigas insignificantes.
Eram, sem dúvida, o Príncipe Li da Dinastia Muyun e seus homens. Vestido com um manto negro adornado por dragões, o príncipe parecia imponente e vigoroso. Sua voz fria soou:
— Su Zhe, não imaginei que conseguiria voltar com vida!
Sua voz era grave, carregada de intenção assassina. Embora seu irmão mais velho tivesse ordenado apenas um aviso, o Príncipe Li, conhecido por sua crueldade, não pretendia deixar por isso mesmo. Ele podia ver nos olhos de Su Zhe um espírito indomável.
Assim que terminou de falar, Su Zhe respondeu friamente:
— Sinto decepcioná-lo. Mas diga, o que deseja comigo hoje?
Neste momento, Su Zhe estava tomado por uma fúria intensa. Achava o Príncipe Li excessivamente persistente; já haviam levado as pessoas, e não havia nada entre ele e Shengxin. Ainda assim, o outro insistia em persegui-lo e tentar matá-lo repetidas vezes. A aura assassina ao seu redor era tão intensa que Su Zhe mal conseguia conter a própria raiva.