Capítulo Cinquenta e Dois — Implacável
Nesse momento, o Príncipe Li tornou-se ainda mais autoritário. Sua voz soou gélida e ameaçadora:
— Ora, seu insolente, ainda ousa retrucar? Já que insiste nesse tom, hoje eu lhe mostrarei a distância abismal entre nós!
Ao falar, uma aura assassina e densa tomou forma ao seu redor, quase palpável. Então, dirigiu-se aos seus subordinados:
— Matem-no!
Mal as palavras foram pronunciadas, vários dos melhores guerreiros do palácio avançaram contra Su Zhe. A força que emanavam era imensa; todos estavam no auge do domínio espiritual, com olhares frios e movimentos velozes.
Contudo, no instante em que avançavam, Huang Zhong, o fiel guardião do palácio, reagiu. Ele bradou com fúria:
— Atrevimento!
O arco em sua mão foi rapidamente retesado, e uma flecha cortou o ar com velocidade fulminante. Num lampejo, transpassou o corpo de um dos atacantes, fazendo o sangue escorrer de maneira assustadora.
Os demais guardas, ao presenciarem tal cena, ficaram aterrorizados. Acreditavam que, com seu poder, poderiam aniquilar um reino inteiro facilmente. Jamais imaginaram que o palácio ocultava um arqueiro de tamanha destreza. Antes mesmo de tocarem o solo, já haviam perdido um companheiro. O choque era inevitável.
Ainda assim, não hesitaram. Consideravam-no apenas um mestre do arco. Bastava aterrissarem, e sua força seria esmagadora, impossibilitando qualquer resistência, por mais extraordinária que fosse.
No entanto, no instante seguinte, à frente de Su Zhe, os guerreiros de elite ergueram suas armas. Uma tropa tão numerosa exalava uma pressão capaz de fazer qualquer mestre espiritual tremer. Especialmente porque os soldados eram incrivelmente poderosos; mesmo um perito espiritual, ao cair em meio àquelas fileiras, dificilmente escaparia com vida.
Seus olhos brilhavam com uma luz fria e impiedosa. Imóveis, empunhavam suas lanças, das quais emanava um fio cortante tão intenso que parecia rasgar o próprio espaço. Rugidos furiosos ecoaram pelo campo de batalha.
Diante de tantas lanças afiadas, aqueles mestres espirituais recém-chegados não tinham como resistir. Em questão de segundos, três deles foram trespassados. Apenas um, de cultivo superior e reflexos agudos, conseguiu escapar, transformando-se em um raio de luz ao tocar o chão.
O pavor estampado em seu olhar era impossível de ocultar. Contudo, quando acreditou estar seguro, Xu Chu avançou como um tigre enfurecido, rugindo ferozmente. Cada passo fazia a terra tremer, e suas duas alabardas desceram sobre a cabeça do guerreiro inimigo.
Sentindo o vento mortal às costas, o mestre do palácio ergueu a espada para se defender, mas era impossível resistir ao poder das duas alabardas.
No choque das lâminas, sua arma foi despedaçada, e em seguida as alabardas rasgaram seu corpo ao meio.
Ao presenciar tal cena, até o Príncipe Li ficou surpreso com a força de Su Zhe, que havia alcançado um poder inimaginável. O manto do príncipe tremulava com violência, enquanto uma vasta pressão despontava ao redor. Fitando Su Zhe, declarou:
— Realmente não esperava que você atingisse tamanho poder. Os meus melhores subordinados, que não são fracos, foram mortos por seus generais. Mas quero ver como escapará das minhas mãos!
Enquanto falava, nuvens rodopiavam acima de suas cabeças, ameaçando formar um ciclone; até os céus pareciam se transformar. Entre as nuvens escuras, relâmpagos lampejavam, aterrorizantes.
Diante desse espetáculo, Zhao Xing, que viera em auxílio, exclamou, apavorado:
— É um poder divino, e dos mais elevados!
Sua voz tremia, não por covardia, mas pelo choque absoluto diante daquele fenômeno. Era uma reação instintiva do corpo diante de tamanha opressão.
Atrás de Su Zhe, Yue Fei surgiu com dignidade, encarando o céu. Ergueu sua arma, e em seus olhos reluziu um brilho ofuscante. Uma sombra de uma grande águia pairava atrás dele, quase tangível, pronta a tomar forma a qualquer momento.
No campo, as forças colidiam com violência, faíscas voavam, tudo era impressionante. Nesse instante, ao longe, ouviu-se um som cortando o ar.
Tratava-se de uma mulher, vestida inteiramente de branco. Um halo de luz brilhava às suas costas. Assim que chegou, posicionou-se à frente de Su Zhe, trazendo consigo uma fragrância que perturbava os sentidos.
— Tio, entre mim e Su Zhe não há nada, somos apenas amigos. Por que fazes isso?
Sua voz era fria, mas carregava firmeza e um tom de questionamento. Após suas palavras, o Príncipe Li franziu o cenho e respondeu com frieza:
— Shengxin, afaste-se. Hoje, ele morrerá. Se não fosse por uma ligação especial, você teria matado Li An por causa desse rapaz? Teria vindo correndo por alguém com quem não tem nada? Como princesa, tens teu dever. Se usufrui dos privilégios da realeza, deves retribuir à família imperial. Seu comportamento é demasiadamente impulsivo!
Havia severidade em suas palavras. E, enquanto falava, as nuvens escuras atrás dele não só não se dissipavam, como se tornavam ainda mais densas. Uma atmosfera mortal pairava sobre a terra, cortante como lâminas.
Os olhos de Shengxin revelavam tristeza. Jamais imaginou que o tio, que sempre a tratou com carinho, diria tais coisas. Ainda assim, não se moveu. Não permitiria que sua impulsividade condenasse um inocente. Nada havia entre ela e Su Zhe, mas, se ele morresse por sua causa, carregaria a culpa para sempre.
Determinada, ergueu a cabeça. Porém, antes que pudesse falar, Su Zhe, já impaciente, irrompeu em voz alta. Afinal, o Príncipe Li tratava o palácio como se fosse seu domínio absoluto, acreditando-se livre para agir como bem entendesse.
— Shengxin, afaste-se. Já que seu tio insiste em se opor ao meu reino, terá de pagar o preço. Mesmo que não queira me matar, hoje serei eu quem o decapitará!
No mesmo instante, o brilho ao redor de Yue Fei tornou-se ainda mais intenso. Mas, antes que algo acontecesse, o sétimo ancião do Salão do Imperador também chegou, liderando um cortejo majestoso. Fadas lançavam pétalas ao ar, crianças abriam caminho, tudo com imponente solenidade.
Ao notar a energia cintilando nos céus, exclamou:
— Isso não é bom! Alguém está usando um poder divino e exalando tamanha sede de sangue. Quem ousa tamanho atrevimento, enfrentando um herói da humanidade? Quero ver quem é!
Assim dizendo, ordenou aos discípulos que acelerassem a condução da liteira.