Cento e dez, o sujeito é um tolo e, na verdade, nem tem tanto dinheiro assim.

Grande Proprietário de Cavalos A fonte esclarece tudo. 2672 palavras 2026-04-01 00:42:30

— Acho que não existem tantas pessoas capazes de agir com tamanha falta de idoneidade, não é? — Fu Jun comentou, incrédulo.

— Pois é! Naquela época, poucas pessoas podiam viajar ao exterior, e menos ainda iam especificamente para comprar cavalos. Mas foi justamente essa pequena parcela que arruinou a reputação dos chineses, espalhando essa má fama da Europa para o resto do mundo.

Tang Yao assentiu e, com um toque de indignação, continuou:
— Isso fez com que muitos de nossos compatriotas, que posteriormente foram ao exterior com entusiasmo para escolher cavalos, fossem barrados, tratados com frieza ou, ao revelarem que eram chineses, tivessem a venda recusada. Ou, ainda, fossem ignorados por agentes intermediários. Nossos compatriotas eram recebidos com descaso nos mercados equestres estrangeiros.

— Muitos que desconheciam os bastidores pensavam que se tratava apenas de preconceito ou desrespeito dos estrangeiros para com os chineses. É claro que isso existe; o preconceito racial e regional está presente em todo o mundo. Até mesmo na NBA, uma liga de entretenimento esportivo onde o mercado chinês representa uma fatia enorme da receita anual, os chineses são tratados com desrespeito. No entanto, embora possam não respeitar o povo chinês, eles jamais deixariam de respeitar o dinheiro.

— Em qualquer arena capitalista, ninguém ignora o dinheiro. Afinal, sem transações financeiras, o negócio acaba em prejuízo e falência. Quando algo traz lucros consideráveis, eles se curvam diante do capital.

— Mas esse ponto foi arruinado por aqueles chineses sem crédito, que se preocupam apenas com a imagem, mas não têm dinheiro suficiente para sustentar o que fingem. Frequentemente, as ações de um pequeno grupo acabam manchando toda uma coletividade. Foi justamente porque esses poucos indivíduos pisotearam nossa credibilidade que, hoje, qualquer chinês que tente comprar cavalos no exterior sem contatos estabelecidos acaba enfrentando incontáveis portas fechadas.

— As ilusões dos estrangeiros sobre o hipismo chinês foram destruídas há muito tempo. Sempre que profissionais do ramo no exterior mencionam os chineses, suspiram com desdém, descrevendo a experiência como um desastre, um pesadelo, algo repugnante.

Fu Jun perguntou:
— Já que tanto tempo se passou, imagino que os chineses que foram comprar cavalos depois disso tenham compreendido o problema e restaurado nossa credibilidade, não?

— Sim, de fato. Hoje, há muitos entusiastas chineses que realmente entendem e amam cavalos. Eles suportam o escárnio dos estrangeiros, persistem e estão, pouco a pouco, restaurando nossa reputação. Meu pai é um deles. Foi graças à sua honestidade e integridade desde o início que ele manteve seus canais de compra no exterior e consegue adquirir cavalos de elite sem enfrentar obstáculos. Inclusive, quando estudei na Inglaterra, eles me ajudaram, por recomendação do meu pai, a obter orientação de atletas de hipismo de nível mundial, uma oportunidade raríssima até mesmo para os britânicos.

Tang Yao sorriu ao dizer isso, mas logo seu semblante mudou e seu tom tornou-se frio:
— Infelizmente, ainda existem aqueles que não entendem nada de cavalos, pessoas que querem manter as aparências, mas não têm dinheiro, e que continuam a prejudicar a reputação que tanto nos esforçamos para reconstruir com seus comportamentos inescrupulosos.

— Como isso acontece? — indagou Fu Jun.

— É simples, é a velha mania chinesa de querer manter as aparências — explicou Tang Yao.

— Aparências?

— Sim. O número de chineses ricos tem crescido, mas os que são verdadeiramente abastados não são tantos assim. A maioria tem algum dinheiro, mas gosta de bancar o novo-rico, ostentando o que não tem.

Ela prosseguiu:
— O hipismo sempre foi um esporte caro. Muitos que têm um pouco de dinheiro querem apenas exibir sua riqueza. Eles não entendem nada de cavalos e acham que ter um bom animal para montar prova que são importantes. Na verdade, mal conhecem as regras das competições, apenas sabem montar.

— Não há nada de errado em saber montar, nem em ser um fã que apenas aprecia o esporte. O desenvolvimento do hipismo chinês depende do apoio dessas pessoas.

— O problema é que, entre eles, sempre há alguns que vão ao exterior apenas para se exibir. Quando encontram um haras disposto a vender para chineses, passam a agir com arrogância, como se estivessem fazendo um favor ao comprar, como se ninguém mais fosse comprar se eles não o fizessem.

— Especialmente quando começam a falar alto, gabando-se de sua riqueza e criticando a qualidade dos cavalos dos outros, julgando que este ou aquele animal não presta, quando, na verdade, entendem menos do que os próprios criadores.

— Mas, na hora de negociar o preço, toda a pose de rico desaparece. Eles insistem em pechinchas agressivas, tentando reduzir o valor pela metade ou mais. Isso é visto pelos criadores estrangeiros como um insulto e uma provocação, o que invariavelmente leva ao fracasso da negociação e aumenta ainda mais o desprezo por compradores chineses.

— Às vezes, por necessidade de fechar negócio, o criador estrangeiro acaba cedendo, mas, a longo prazo, isso gera uma resistência — ou até aversão — ao grande mercado chinês.

— E o que é pior: alguns fingem ser grandes magnatas, mas não sustentam o papel. Chegam ao haras e dizem: "Quero o cavalo mais caro que você tem, dinheiro não é problema". Quando o criador traz um cavalo de elite e revela o preço, eles simplesmente desaparecem.

— Há casos ainda mais graves, onde, por puro orgulho, criam confusões deliberadas. Quando eu estava na Inglaterra, ouvi uma história real no círculo hípico europeu.

— Um "magnata" chinês foi à Europa comprar um cavalo e reclamou que o animal de um milhão de euros oferecido pelo criador não estava à altura. Não sei se para intimidar o dono do haras ou se por desafio, o criador, sem medir esforços, trouxe um campeão puro-sangue avaliado em dez milhões de euros de um haras a quinhentos quilômetros de distância. Quando o "magnata" viu o cavalo, a negociação simplesmente acabou.

— Sinceramente, quando meus amigos estrangeiros me contaram isso, senti vergonha pela nossa nação. Se não pode comprar, seja honesto. Não tente manter as aparências só para ser humilhado depois, porque isso não mancha apenas a sua imagem, mas a de todos os chineses.

— Ter um pouco de dinheiro é motivo para tanta soberba? No hipismo, há muitos mais ricos que eles. Os criadores estrangeiros já viram de tudo. Eles lidam com xeques do Oriente Médio e bilionários globais. Eles realmente não se impressionam com esses falsos "magnatas" chineses.

— Bill Gates comprou um cavalo de dois milhões de euros para a filha. Já os magnatas do petróleo do Oriente Médio têm cavalos de dezenas de milhões em seus estábulos; talvez nem se lembrem deles. Compram apenas porque gostaram da aparência, confiam a um assistente o treinamento e as competições, e depois esquecem que o animal existe.

— É essa pequena parcela de compradores que nos envergonha no exterior e faz com que os vendedores estrangeiros detestem cada vez mais os clientes chineses. Mas, claro, essas atitudes não são o pior. O mais grave continua sendo o problema da credibilidade que mencionei antes.

— Muitos chineses prezam tanto pelas aparências que chegam ao ponto de não aceitar a realidade. Especialmente esses novos-ricos, mimados pelo sucesso em seus círculos locais, que, ao serem confrontados no exterior, não se dão por vencidos. Eles insistem que podem pagar e chegam a assinar contratos de compra que não têm condições de honrar.

— Quando retornam à China e percebem que estão em apuros, descartam a dignidade e inventam desculpas: dizem que o estábulo não está pronto, que não há vaga na quarentena ou simplesmente desaparecem, rompendo o contrato unilateralmente e deixando tudo como letra morta.

— Talvez para eles isso não traga prejuízos imediatos, mas para o criador estrangeiro, o dano é imenso.