89. Provar a Si Mesmo
— Sim, sinto um desconforto na boca — respondeu Elina às palavras de Fu Jun.
— Que tipo de desconforto? — perguntou ele imediatamente.
— Sinto uma ardência dolorosa.
— Dói? — Fu Jun ficou surpreso por um instante. Agora compreendia que Tang Yao estava certa: havia mesmo algo de errado com Elina, algum problema físico.
Aparentemente, sua suspeita anterior estava correta: se Elina tivesse algum problema, só poderia ser na cabeça.
Quando Ma Kun examinou o corpo de Elina, apenas a região da cabeça ficou sem uma inspeção direta, pois Ma Kun temia que pudesse ser atacado. Por isso, ele concluiu que o corpo de Elina estava normal.
Fu Jun, que acompanhara todo o exame, sabia que, se houvesse algo de errado, provavelmente seria na cabeça. E agora, ao ouvir Elina, essa hipótese ganhava ainda mais força.
Contudo, não havia nenhum ferimento externo visível na cabeça de Elina, o que significava que o problema deveria estar dentro dela.
Isso coincidia perfeitamente com a queixa de Elina sobre o desconforto na boca. Embora ainda não tivesse examinado o interior da boca, Fu Jun já tinha uma ideia clara de onde estava o problema.
Com isso em mente, decidiu abrir a boca de Elina para investigar mais a fundo.
No entanto, antes que pudesse agir, Fu Jun parou. Lembrou-se do objetivo da disputa daquele dia.
O propósito do dia era determinar, por mérito, a quem caberia a responsabilidade pelo tratamento médico de Elina. E o motivo de tal disputa era, justamente, sua falta de experiência e credenciais.
No ramo da medicina, seja humana ou veterinária, a experiência é de suma importância. Fu Jun sabia que, não fosse por Tang Zhenshan, mesmo alguém justo como Robert não se sentiria confortável em deixá-lo tratar Metal Slug antes das eliminatórias dos Jogos Nacionais.
Por isso, aquela competição já não era apenas uma luta forçada pela responsabilidade médica de Elina, mas também uma oportunidade de provar sua capacidade a todos.
Afinal, se conseguisse derrotar Han Tianlin e Ma Kun de maneira justa diante de todos e identificar o problema de Elina enquanto eles não conseguiam, ficaria claro que, apesar de sua pouca experiência, sua competência não ficava atrás da deles.
Diante de uma chance tão importante de se mostrar, Fu Jun sentiu que não poderia desperdiçá-la diante de Robert e dos demais.
Refletiu por um momento, afastou-se lentamente da cabeça de Elina e, sob olhares curiosos, virou-se para Robert e declarou:
— Professor, de fato há algo errado com o corpo de Elina.
Ao ouvir isso, todos os presentes se surpreenderam. Afinal, Fu Jun apenas se aproximara da cabeça de Elina e já afirmava haver algo errado com seu corpo. Era difícil acreditar nele.
— Que bravata é essa, Fu Jun? O doutor Ma examinou Elina por um bom tempo e não encontrou nada. E você, depois de alguns olhares e um pouco de contato, já conclui que há um problema? Por acaso nos toma por tolos? — zombou Han Tianlin imediatamente.
Essas palavras logo receberam o apoio de vários funcionários do clube, que começaram a concordar com Han Tianlin.
— Ele só acariciou o cavalo e trocou algumas palavras com ela. Como poderia saber que está doente?
— Pois é! Será que ele já sabia do problema? Talvez toda essa disputa pela responsabilidade médica já estivesse planejada.
— Pode ser! Caso contrário, como teria descoberto tão rápido sem nem examinar direito? Não acredito que alguém consiga diagnosticar assim tão depressa.
— Concordo! Só acreditaria se ele já estivesse preparado ou, então, se conseguisse conversar com cavalos.
— Conversar com cavalos? Você anda lendo muita ficção na internet? Até naquele filme americano, “O Encantador de Cavalos”, não ousaram dizer que humanos realmente compreendem cavalos. E você acredita nisso? O governo já falou para combater a superstição, e ainda assim você acredita? É assustador!
— Desculpe! Acho que perdi meus valores socialistas...
As discussões ao redor não paravam, sempre baseadas na descrença de que Fu Jun pudesse ter descoberto a causa da doença de Elina tão rapidamente.
Mas Fu Jun, já prevendo tal reação, manteve-se calmo e ignorou as críticas.
— Fu Jun, você tem certeza de que há algo errado com o corpo de Elina? — Robert, recuperando-se do espanto, perguntou diretamente.
— Tenho certeza! — respondeu Fu Jun com convicção.
— E em que parte, exatamente?
— Professor, permita-me guardar esse detalhe por um instante. Gostaria de anunciar diante de todos, se o senhor permitir.
— Está bem! — Robert não sabia exatamente as intenções de Fu Jun, mas, como isso não o prejudicava, consentiu.
— Obrigado, professor!
Agradecendo o apoio, Fu Jun então se dirigiu aos demais em voz alta:
— Por favor, peço silêncio. Tenho algo importante a dizer a todos.
Ao ouvirem isso, as conversas paralelas cessaram consideravelmente.
— Quero deixar claro que, antes da disputa de hoje, eu mal conhecia a senhorita Tang e Elina. Não haveria como combinar nada previamente com a senhorita Tang, muito menos pedir que mentisse a meu favor, dizendo que Elina estava doente sem estar.
Com a atenção de todos voltada para si, Fu Jun continuou em alto e bom som:
— Não importa se acreditam ou não, essa é a verdade. Quanto aos que duvidam das minhas habilidades, achando impossível diagnosticar o problema de Elina em tão pouco tempo, sem um exame minucioso, digo apenas: eu realmente precisei de tão pouco tempo para identificar a enfermidade.
Mesmo assim, o público permanecia descrente.
Fu Jun já esperava por isso. Neste mundo, só aceitam a verdade quando não há mais como negá-la.
Por isso, sem hesitar, ele revelou:
— Pelo exame que fiz, acredito que Elina tem um problema na boca.