Você é alguém que se alimenta de capim.
— Problemas na boca? Como você sabe disso? Você nem sequer examinou direito a boca de Elina — questionou Han Tianlin, sendo o primeiro a falar após as palavras de Vujun.
Ao perceber que Vujun afirmava sem pudor que havia um problema na boca de Elina, sem sequer ter checado, Han Tianlin achou que, a menos que Vujun fosse algum tipo de divindade capaz de enxergar através de Elina, suas palavras eram puro disparate.
— É a conclusão que tirei da minha avaliação — respondeu Vujun, lançando um olhar de desdém a Han Tianlin, com firmeza.
— Avaliação? Não me faça rir, do jeito que você agiu agora, parecia que estava avaliando alguma coisa? — Han Tianlin riu, exasperado.
— E como foi que eu agi? Esse é o jeito que eu avalio, qual o problema? Não está satisfeito? — devolveu Vujun.
— Vujun, até agora você insiste em falar essas bobagens, acha que todos aqui são cegos, prontos para ouvir suas fantasias?
— Que bobagens eu disse? Han Tianlin, não venha me acusar sem provas, se diz que eu estou mentindo, então prove.
— Não está mentindo? Então o que é? E eu não preciso de provas, a não ser que você consiga mostrar que há mesmo um problema na boca de Elina — caso contrário, afirmar isso é só mentira.
Han Tianlin continuava atacando Vujun, pois, para ele, o fato de Vujun não ter olhado dentro da boca de Elina e ainda assim afirmar que havia um problema era a maior evidência de que tudo não passava de falácia.
Mal sabia Han Tianlin que, diante de um verdadeiro intérprete de cavalos, bastava perguntar ao animal, e logo se descobria onde estava o problema.
— Han Tianlin, já que você não acredita que há um problema na boca de Elina, só me resta provar para você — disse Vujun, virando-se e caminhando em direção a Elina.
— Ótimo, quero ver como você vai provar isso, sem sequer examinar direito a boca de Elina. Se conseguir, eu concedo a vitória — Han Tianlin riu alto.
Mas, após algumas risadas, percebeu que Vujun não se abalava e seguia firme em direção a Elina. Ao lembrar das vezes em que fora desmascarado por Vujun, uma inquietação começou a tomar conta de seu coração.
Será mesmo? Será que esse sujeito consegue examinar o interior da boca de Elina sem sequer olhar? Não! É impossível!
Se realmente houver um problema na boca de Elina, seria um acontecimento sobrenatural!
À medida que Vujun se aproximava de Elina, Han Tianlin ficava cada vez mais nervoso, pois Vujun já lhe surpreendera tantas vezes que temia outro revés.
E não era só Han Tianlin — muitos ali, incluindo Roberto e Macun, estavam cheios de dúvidas sobre como Vujun poderia afirmar um problema sem examinar a boca de Elina.
Entretanto, ninguém se manifestou; todos queriam ver como Vujun sairia dessa, após sua declaração audaciosa.
Quando Han Tianlin se intrometeu para confrontar Vujun, todos adotaram um espírito de espectador, ansiosos pelo embate.
Roberto, ao perceber que Vujun pretendia provar a veracidade de suas palavras perante Han Tianlin e o público, não conseguiu evitar certa apreensão.
Lembrando-se das ocasiões anteriores, em que Vujun sempre demonstrava talento para confirmar suas conclusões, Roberto achava que Han Tianlin poderia novamente sair prejudicado, apesar da aparente vantagem.
Vujun nunca parecia perder quando estava em desvantagem.
Por isso, Roberto não deixou de lamentar a imprudência e o espírito competitivo de Han Tianlin. Mesmo que Han Tianlin não tivesse desafiado Vujun, este certamente buscaria provar suas palavras. Agora, se Vujun estivesse mentindo, tudo bem, mas caso provasse que estava certo, Han Tianlin acabaria novamente humilhado diante de todos.
Enquanto Roberto ainda se queixava mentalmente, Vujun já estava diante de Elina.
— Elina, abra a boca para mim, deixe-me ver qual é o seu problema — pediu Vujun diretamente.
Do outro lado, Elina lançou-lhe um olhar com seus grandes olhos de cavalo e relinchou:
— Eu realmente não quero abrir a boca, porque sempre que forço, sinto muita dor.
Ao ouvir isso, Vujun teve ainda mais certeza de que havia um problema na boca de Elina.
Para evitar levantar suspeitas entre os presentes, não comentou diretamente, apenas insistiu:
— Abra logo, Elina! Se não abrir, não poderemos saber se há algo errado contigo.
Ouvindo essas palavras, muitos que já duvidavam da capacidade de Vujun em diagnosticar Elina passaram a questionar ainda mais.
Afinal, no próprio discurso, Vujun dava a entender que não tinha certeza sobre o problema, mas ainda assim afirmava haver algo errado, contradizendo-se.
Muitos já esperavam para ver Vujun passar vergonha, especialmente Han Tianlin.
Pensavam: se Elina não obedecer e não abrir a boca, o que Vujun faria? Macun havia tentado manipular a cabeça de Elina e não conseguiu, e agora Vujun queria que ela abrisse a boca, seria um sonho impossível?
Talvez fosse ingenuidade da juventude, ou o destemor dos inexperientes, mas no fim, era só a simplicidade dos jovens que tornava tudo tão fácil aos seus olhos.
Elina, embora não compreendesse por que Vujun ignorava suas palavras, entendia suas intenções e sabia que abrir a boca seria para o seu bem.
Depois de esperar um pouco, sob olhares surpresos, Elina olhou para Vujun e, obediente, abriu a boca.
Macun, em especial, ficou estupefato e, para ele, aquilo era quase revoltante.
Afinal, ele havia feito de tudo e não conseguiu que Elina abrisse a boca, enquanto Vujun, com duas palavras leves, a fez obedecer. Como poderia aceitar isso?
Dizer que Macun ficou com vontade de cuspir sangue seria exagero, mas no fundo, lágrimas e sangue se misturavam em seu coração.
Porém, reconhecendo sua inferioridade e sendo um veterano, Macun não tinha a mesquinhez de Han Tianlin e aceitou a derrota, admirando Vujun e percebendo que subestimara o jovem talento contratado pelo clube.
Vujun, alheio aos pensamentos de Macun, ao ver Elina abrir a boca, aproximou-se lentamente, introduzindo a mão em sua boca para observar o interior, ao mesmo tempo em que acariciava suavemente, procurando qualquer anormalidade.
Enquanto fazia isso, brincou:
— Elina, não morda minha mão! Lembre-se, você come capim, se comer carne vai te fazer mal!
Em resposta, Elina apenas lançou-lhe um olhar de reprovação.