Essa pessoa deve ser um tolo, não é?

Grande Proprietário de Cavalos A fonte esclarece tudo. 2378 palavras 2026-02-08 16:40:41

Na primeira vez é estranho, na segunda já se torna familiar; ao encontrar novamente o cavalo Bala de Prata, Fu Jun e ele naturalmente já estavam mais acostumados um com o outro.

Fu Jun ainda se recordava da ocasião durante a competição equestre na cidade de Shanyang, quando viu Bala de Prata antes da corrida de velocidade de 2000 metros e, através do relincho do animal, soube que sua perna estava machucada.

Não imaginava que, ao vir para a entrevista no clube de equitação do Lago Wenhuai, voltaria a cruzar o caminho de Bala de Prata.

Pensando bem, era até natural encontrá-lo ali. O clube de equitação do Lago Wenhuai havia perdido a chance de conquistar o título de melhor potro de Shanyang por causa da claudicação de Bala de Prata, o que certamente deixou a diretoria ressentida.

Embora os outros cavalos do clube tenham conquistado o título na prova de saltos de obstáculos, ficava claro que, em comparação com a corrida de velocidade, as outras competições não tinham o mesmo prestígio.

Desde que a humanidade começou a domesticar cavalos, a principal medida de excelência sempre foi a velocidade. Se o clube do Lago Wenhuai não conseguia vencer na corrida de velocidade, continuaria sempre em desvantagem na cidade.

Por isso, o proprietário do clube, Tang Zhenshan, demitiu a equipe de veterinários e tratadores que não conseguiu diagnosticar o problema do cavalo, contratou o especialista estrangeiro Robert e abriu novas vagas.

Naturalmente, a contratação de novos profissionais de saúde veterinária seguia um critério claro: diagnosticar e resolver o problema de Bala de Prata.

Afinal, se os novos contratados não fossem capazes de curar Bala de Prata, então por que demitir a equipe anterior?

Fu Jun olhou para o animal, ciente de que as perguntas de Robert eram apenas uma introdução; resolver o problema de Bala de Prata era o verdadeiro teste para sua entrada no clube.

Bala de Prata, por sua vez, não guardava impressão alguma de Fu Jun. No dia do encontro na competição, sob o controle de seu cavaleiro Zhao Lei, mal havia cruzado o olhar com Fu Jun e muito menos memorizar sua presença.

Além disso, Bala de Prata não sabia que Fu Jun era capaz de entender a linguagem dos cavalos, por isso, ao vê-lo, mostrou-se indiferente, como se visse uma pessoa comum que passava por ali todos os dias.

“Lá vem mais gente me examinar. Do que adianta? Nenhum deles sabe ao certo como me machuquei. Os humanos são mesmo tolos!”, pensou o animal, relinchando mais uma vez ao ver o estábulo cheio de novas pessoas tentando descobrir a causa de sua lesão. Essas palavras ecoaram claramente nos ouvidos de Fu Jun.

Fu Jun não pôde evitar um sorriso ao ouvir isso, achando o cavalo divertido e resmungão. Pensou consigo mesmo: “Se os humanos fossem mesmo tão tolos, conseguiriam domar e montar vocês todos os dias?”

Havia até uma canção famosa sobre isso, bastante representativa.

Homem valente que doma cavalos, imponente e forte... Não, acho que cantei algo errado... Mas o que será que errei? Deixa pra lá, se não lembrar, continuo assim mesmo!

No estábulo, o riso fora de hora de Fu Jun chamou a atenção de todos, que o olharam intrigados. Mas como ele logo retomou a postura séria, ninguém entendeu o motivo da risada e, achando apenas que ele era excêntrico, não deram muita importância, voltando suas atenções para Bala de Prata.

“Senhores, este é o rei que precisam tratar hoje, o cavalo-chefe do Clube de Equitação do Lago Wenhuai — Bala de Prata”, anunciou Robert em alemão, enquanto Han Tianlin traduzia ao lado.

“Na última competição, Bala de Prata apresentou claudicação e perdeu a corrida. Eu mesmo o examinei depois, mas não encontrei nenhuma anomalia física. O clube trouxe profissionais tão destacados como vocês justamente para resolver esse problema. Só assim poderemos provar a competência da nova equipe médica.”

“Pois bem! Vamos começar! Mostrem suas habilidades profissionais...”

As palavras de Robert foram delicadas, mas todos entenderam: se não resolvessem o problema de Bala de Prata, mesmo que passassem na entrevista, dificilmente ficariam no clube.

Afinal, se nem o animal principal do clube podia ser tratado, como provariam sua competência?

Clubes competitivos nunca mantêm funcionários que só levam a vida na preguiça; apenas clubes medíocres toleram gente inútil, e estes acabam, quase sempre, falindo por má administração.

Após ouvirem isso, todos se concentraram em examinar a pata traseira esquerda de Bala de Prata, local onde se manifestava a claudicação.

Mesmo experientes em medicina veterinária, todos praguejavam mentalmente, condenando o clube por lhes impor uma missão impossível.

Se nem mesmo o renomado professor alemão Robert conseguiu identificar a causa, como eles conseguiriam?

Nenhum deles se considerava mais habilidoso que Robert. Se fossem, já estariam reconhecidos pela Federação Internacional de Hipismo e trabalhando nos principais clubes do mundo, não disputando uma vaga em um clube que só tinha influência local na China.

Fu Jun não se apressou em juntar-se aos outros para examinar a perna de Bala de Prata. Sabia que de nada adiantaria. Se Robert, com todo seu conhecimento, não descobriu a causa em todos esses dias, como ele ou os outros, bem menos experientes, conseguiriam?

Observando os quatro candidatos trocando olhares perdidos diante da pata do animal, pedindo ainda o relatório de exames para manter as aparências, Fu Jun não pôde deixar de rir por dentro — aquilo era o típico caso de buscar remédio às cegas.

Felizmente, Fu Jun possuía uma vantagem que os outros não tinham. Enquanto eles tateavam no escuro, ele só precisava perguntar ao próprio cavalo o que havia acontecido, e tudo se esclareceria.

Essa era sua dádiva: poder comunicar-se com cavalos.

Logo, uma cena inusitada fez todos no estábulo pensarem que Fu Jun havia enlouquecido.

De repente, ele se aproximou de Bala de Prata, acariciou sua cabeça e, com um tom travesso, perguntou: “E então, pequeno cavalo, sua pata traseira esquerda já está melhor?”

A voz dele causou arrepios nos presentes. Alguns dos outros candidatos riram por dentro — Esse aí só pode ser doido! Não conseguiu curar o cavalo e surtou? Vai conversar com o animal?

Como passou na entrevista com o professor Robert? Teria algum padrinho influente?

Pensando bem, era possível. A questão de Robert era uma armadilha, fácil de errar. Tantos jovens não conseguiram passar naquela fase, e justo esse rapaz estranho conseguiu? Talvez tivesse, de fato, algum apoio forte no clube.

Já Robert e os outros quatro da banca olhavam uns para os outros sem entender nada, suspeitando que Fu Jun tivesse mesmo algum distúrbio.

Han Tianlin, por sua vez, torcia para que Fu Jun tivesse enlouquecido — assim não precisaria se preocupar com um rival à altura.

Robert e Ma Kun, que haviam simpatizado com Fu Jun na entrevista, esperavam sinceramente que ele não tivesse nenhum problema mental. Seria uma pena, pois um veterinário esportivo não pode ter distúrbios psicológicos.

Afinal, nem médicos de humanos podem se dar a esse luxo, quanto mais os responsáveis por cavalos de competição, ainda mais valiosos que pessoas.