45. Feito pela mesma pessoa

Grande Proprietário de Cavalos A fonte esclarece tudo. 2336 palavras 2026-02-08 16:45:13

— Quem foi traiçoeiro? — Ao ouvir Vitor dizer que o outro lado usou métodos traiçoeiros, Tatiana ficou curiosa.

Vitor respondeu ao ouvi-la: — Naturalmente, foi quem colocou algo na água do Bala de Aço.

— Como assim? — Tatiana voltou a perguntar.

— Pense bem, se não soubéssemos que havia problema na água e déssemos para o Bala de Aço beber toda aquela solução de sal em alta concentração, o que aconteceria? — Vitor questionou.

— Segundo você, o Bala de Aço, por consumir muito sal e beber água em excesso, ficaria com o corpo inchado e aparentando obesidade, além de ter sua resistência ao vírus da gripe reduzida, atrasando a recuperação... — Tatiana foi dizendo devagar. Ao chegar a esse ponto, percebeu claramente o problema e exclamou surpresa: — Atrasar a recuperação? Fazer o Bala de Aço ficar inchado e com aparência de sobrepeso? Esse era o objetivo deles?

Ao ouvir isso, Vitor sorriu e assentiu: — É exatamente o que eu penso.

— Não pode ser... Isso é cruel demais — Tatiana hesitou, ainda duvidosa.

— Cruel ou não, eles já foram capazes de, antes da competição, ferir o Bala de Aço com meios baixos e traiçoeiros. Agora, dar excesso de sal a ele não é nada impossível — respondeu Vitor seriamente.

— Então, você quer dizer que quem feriu o Bala de Aço antes, fazendo com que ele perdesse por pouco no campeonato equestre de Cidade das Montanhas, é o mesmo que colocou sal na água dele agora? — Tatiana custava a acreditar. Ela era uma garota inteligente e, nesses dias, já sabia o motivo pelo qual Bala de Aço mancara na competição anterior. Por analogia, entendeu o raciocínio de Vitor.

— Exatamente. É nisso que eu suspeito — confirmou Vitor.

— Mas como você pode afirmar que foi a mesma pessoa que fez as duas coisas? — questionou Tatiana.

— O motivo é simples: ambos os métodos são extremamente traiçoeiros. Podemos dizer que os planos deles foram executados à perfeição.

Vitor elogiou: — Veja só, na ocasião anterior, quando Bala de Aço participou do campeonato equestre de Cidade das Montanhas, se eu não tivesse notado que a perna traseira esquerda dele estava ferida, provavelmente todos pensariam que a claudicação foi resultado apenas de treino excessivo antes da prova, levando à exaustão e, consequentemente, ao problema.

Ao ouvir isso, Tatiana não se conteve e interrompeu: — Agora que mencionou isso, eu sempre tive curiosidade. Por que ninguém descobriu a razão da claudicação do Bala de Aço, nem mesmo o professor Roberto, que tem autoridade na medicina veterinária equina? Como você conseguiu perceber?

— Se eu dissesse, você acreditaria? — Vitor provocou de propósito.

— Primeiro fale, depois decido se acredito ou não nessa sua história — retrucou Tatiana.

— Na verdade, é simples: eu entendo a linguagem dos cavalos. Bala de Aço relinchou algumas vezes e me contou que havia se machucado na perna traseira esquerda, foi assim que soube — Vitor brincou novamente.

— Acha mesmo que vou acreditar nisso? Vitor, fale sério! Como soube que Bala de Aço estava ferido na perna traseira esquerda? — Tatiana não acreditou nem um pouco e, com tom severo, exigiu uma resposta.

— Tá bom, tá bom, eu falo! Desde pequeno, sempre tive um olhar atento e percebo detalhes mínimos. No dia do teste no estábulo, no primeiro olhar que dei no Bala de Aço, vi a cicatriz na perna traseira esquerda. Era uma cicatriz muito pequena e superficial, que quase ninguém notaria, mas eu vi — explicou Vitor, sacudindo a cabeça.

— Agora sim, Vitor. Embora você tenha algumas habilidades, aconselho que, ao inventar histórias, seja mais convincente. Querer enganar a mim? Você realmente não sabe o que é medo! — disse Tatiana, dando um tapinha nele e olhando com desprezo, como se ele não passasse de um sujeito comum, incapaz de enganá-la.

— Certo, certo. Vou tomar mais cuidado — respondeu Vitor, meio divertido, meio resignado.

Na verdade, ao contar a verdade naquele momento, Vitor fez isso de propósito, testando como Tatiana reagiria para se preparar, futuramente, caso precisasse revelar mais. Para sua surpresa, a garota nem percebeu que ele dizia a verdade, achando que estava sendo enrolada. Vitor, então, pensou que talvez Tatiana fosse realmente ingênua, ou que sua inteligência estivesse toda voltada para a equitação.

Por outro lado, isso era bom. Se até uma pessoa que não gostava dele achava impossível ele falar com cavalos, mesmo que comentasse sobre isso por acidente no futuro, ninguém daria importância, pensou Vitor.

Vendo que Vitor admitiu ter mentido, Tatiana satisfeita continuou a perguntar: — Continue, como você concluiu que quem feriu Bala de Aço e quem colocou sal na água são a mesma pessoa?

— Está bem! — Vitor assentiu e prosseguiu: — Ferir a perna do cavalo para provocar a claudicação, usando técnicas tão refinadas que, com a medicina veterinária atual do nosso país, seria quase impossível detectar a lesão. Isso era justamente o que dava confiança ao agressor: ele contava que ninguém descobriria a verdadeira causa e agiu assim. Só não contava que eu apareceria!

Ao dizer isso, Vitor não perdeu a chance de se vangloriar, logo arrancando um olhar irônico de Tatiana.

— Veja só, acha mesmo que é grande coisa? Só tem olhos mais atentos que outros, precisa se exibir tanto? — retrucou Tatiana.

Vitor apenas sorriu e não respondeu de imediato, mas em seu íntimo resmungou: “Garota tola, não percebe que só aparelhos profissionais detectariam uma lesão assim? Como eu poderia ver tão facilmente? Por acaso meus olhos são máquinas?”

Vendo que Vitor não replicou, Tatiana ficou satisfeita e cobrou: — O que houve? Não mandei você parar. Ainda quero saber como deduziu que foi a mesma pessoa que feriu e envenenou o Bala de Aço.

— Sim, sim, vou continuar — respondeu Vitor. — Pelo ferimento do Bala de Aço, percebe-se que quem fez isso planejou com precisão, justamente para que pensassem que a derrota foi por causas naturais, não por interferência humana.

— Ou seja, o agressor já havia calculado que poderia prejudicar Bala de Aço sem ser descoberto.

— Da mesma forma, agora, ao colocar excesso de sal, o objetivo era agravar a doença do Bala de Aço e impedir que competisse. Caso ele se recuperasse a tempo, o excesso de sal e água o deixariam inchado e pesado, o que certamente afetaria seu desempenho.

— Ou seja, o agressor criou uma estratégia com dupla garantia, tudo para impedir que Bala de Aço participasse ou conquistasse posição.

— Além disso, como foi apenas excesso de sal, seria muito difícil descobrir a causa, mesmo que se apontasse o sal como responsável, haveria muitas formas de um cavalo consumir sal, impossível rastrear o culpado. Assim, prejudicaram Bala de Aço e seguiram ocultos, exatamente como no caso do ferimento: métodos semelhantes, ambos traiçoeiros. Só não contaram comigo. Por isso, suspeito que tudo foi obra da mesma pessoa — concluiu Vitor, sério e satisfeito com sua lógica.