39. Análise da água
Assim que Zhou Ruhai mandou buscar tubos de ensaio limpos, Fu Jun conferiu se estavam em ordem, então tirou um lenço de papel que trouxera consigo, segurou o tubo através do lenço e, com todo cuidado, mergulhou-o na água misturada com a substância desconhecida, recolhendo uma amostra para análise posterior.
Fu Jun não sabia que tipo de substância tinha sido adicionada àquela água; se fosse algum líquido corrosivo, um descuido poderia trazer sérios problemas. No entanto, como o líquido não exalava nenhum cheiro forte ou estranho, deduziu que provavelmente não se tratava de algo corrosivo. Ainda assim, preferiu manter a cautela: após recolher a amostra, limpou cuidadosamente a parte externa do tubo de ensaio com o lenço.
A cena deixou Tang Zhenshan e Zhou Ruhai visivelmente tensos. Se Fu Jun estava sendo tão meticuloso, será que aquilo significava que realmente havia algo estranho na água que o Metal Líquido se recusava a beber?
Tang Zhenshan, muito preocupado com o Metal Líquido, não conseguiu conter a dúvida e perguntou a Fu Jun:
— Fu Jun, você acha que colocaram algum tipo de droga nessa água?
Ao ouvir a pergunta, Zhou Ruhai e Tang Yao também voltaram sua atenção para Fu Jun, aguardando sua resposta.
— Não tenho certeza, apenas suspeito — respondeu Fu Jun. — O cavalo é um animal muito inteligente, sabe distinguir o que lhe faz bem ou mal. Se o Metal Líquido se recusa a beber essa água, mas aceita com voracidade a água limpa que eu trouxe, isso é bastante estranho. Por isso suspeito que pode haver algum problema nessa água.
Após uma breve pausa, prosseguiu:
— De qualquer forma, tudo isso ainda é só uma suposição. Só poderemos confirmar se há algo errado quando eu fizer a análise no laboratório da equipe médica.
— E quanto tempo leva para sair o resultado? — perguntou Tang Zhenshan, ansioso.
— Não é necessário cultivar bactérias, então, se eu começar agora à noite, provavelmente teremos o resultado amanhã cedo — respondeu Fu Jun.
— Ótimo! Vá logo analisar isso. Assim que eu e Ruhai resolvermos as pendências aqui, iremos ao laboratório ver como está — determinou Tang Zhenshan, assentindo.
— Tudo bem! — respondeu Fu Jun, já se preparando para sair.
— Eu também vou! Quero ir junto! — exclamou Tang Yao, demonstrando a mesma preocupação pelo Metal Líquido ao saber que poderia estar envolvido envenenamento.
— E você quer ir ao laboratório fazer o quê? Vai aprontar de novo no laboratório? — Tang Zhenshan, conhecendo bem a filha, desconfiou logo de suas intenções.
Apesar da aparência dócil e delicada, Tang Zhenshan sabia muito bem que sua filha só se comportava assim diante de estranhos. Quando estava entre pessoas próximas, seu temperamento era bem diferente, e ele já precisara livrá-la de muitas enrascadas causadas por seu jeito travesso.
— Pai, como pode dizer isso de mim? Eu sou tão comportada, não faria traquinagens! Quero ir ao laboratório porque estou preocupada com o Metal Líquido, afinal, ele é o seu xodó, e é natural que eu também me preocupe se tentaram prejudicá-lo! — disse Tang Yao, aninhando-se ao lado do pai, com voz manhosa, assumindo o papel de boa filha preocupada com as aflições do pai.
Fu Jun sabia que havia uma dose de verdade e outra de fingimento nas palavras de Tang Yao. Ele acreditava que ela realmente se preocupava com o Metal Líquido e queria ajudar o pai, mas duvidava muito que fosse incapaz de aprontar.
Bastava lembrar como, dias antes, ela o obrigara a ser veterinário exclusivo de seu cavalo, para que Fu Jun tivesse certeza de que aquela jovem não era nada comportada.
Era curioso pensar em como, no primeiro encontro, Tang Yao conseguira esconder tão bem seu temperamento mimado e manter-se tão doce e frágil diante de desconhecidos. Agora, comparando a Tang Yao do início com a de agora, parecia que se tratavam de duas pessoas completamente diferentes.
O coração feminino é mesmo insondável: muda como as marés, difícil de decifrar!
Fu Jun se despediu e, levando o tubo de ensaio, saiu com todo cuidado.
Temeroso de que uma caminhada apressada pudesse resultar na quebra do vidro, Fu Jun seguiu devagar, certo de que a análise não exigia pressa.
Ao chegar ao laboratório, percebeu que estava vazio. Estranhou a ausência de Ma Kun — afinal, ele deveria estar ali analisando o sangue, pelos, tecidos e excrementos do Metal Líquido, à procura de possíveis infecções. Será que já havia terminado? Se sim, precisava conferir os resultados imediatamente, para poder direcionar o tratamento.
Com esse objetivo, Fu Jun calçou as luvas, recolheu cuidadosamente a amostra da água com uma pipeta de borracha e a distribuiu nos recipientes apropriados dos aparelhos, iniciando as análises automatizadas.
Enquanto aguardava, aproveitou para procurar os laudos feitos por Ma Kun. Logo encontrou o relatório sobre a mesa de trabalho.
Antes de ler as conclusões de Ma Kun, Fu Jun preferiu examinar meticulosamente os dados brutos, evitando ser influenciado por qualquer opinião anterior.
Após analisar todos os números, conferiu as conclusões de Ma Kun e sorriu ao perceber que estavam de acordo: fora a gripe aguda e a laminite, o Metal Líquido não apresentava outras infecções.
Era um excelente resultado; significava que, tratando adequadamente a gripe aguda e a laminite — doenças febris e inflamatórias —, o Metal Líquido se recuperaria plenamente.
Além disso, durante o tratamento, bastaria evitar infecções secundárias para garantir a plena recuperação do animal.
A boa notícia trouxe-lhe um ânimo renovado, e só então percebeu o estômago vazio. Não havia comido nada até aquele momento.
Era compreensível: após três horas tratando do Metal Líquido, tomara banho, descansara, fora acordado por um sonho, trocara a água do animal e voltara ao laboratório para as análises, sem sequer beber um copo d’água. Tempo para comer, então, nem pensar.
Mas, como dizem, “o homem é de ferro, a comida é de aço: sem comer, o corpo desaba”. Fu Jun sabia que precisava se alimentar.
Por isso, pegou o telefone do laboratório e ligou para o ramal interno do Clube de Hipismo do Lago Wenhuai, pedindo que enviassem uma refeição à equipe médica.
O Clube de Hipismo do Lago Wenhuai, que possuía seu próprio hotel, oferecia naturalmente serviço de quarto. Tang Zhenshan valorizava muito a equipe médica, garantindo excelentes condições de hospedagem e alimentação para Fu Jun e seus colegas.
Além de quartos reservados para funcionários no hotel, contavam com serviço de entrega de refeições, já que, por vezes, o trabalho impedia que fossem ao restaurante.
Claro que, para usufruir dessas boas condições, havia exigências — e eram simples: quem fosse ao restaurante deveria estar com roupas limpas e adequadas.
Afinal, os clientes do restaurante eram sócios que pagavam altas taxas e tinham grande posição social. Não seria adequado que funcionários viessem do estábulo, sujos e malcheirosos, sujando o ambiente e comprometendo a imagem do clube diante de seus exclusivos associados.
Por isso, havia diversos uniformes de trabalho disponíveis para troca. Sempre que voltava ao quarto para descansar, a primeira coisa que Fu Jun fazia era entregar as roupas sujas para as senhoras da limpeza.