Não preciso mais explicar, não é mesmo?

Grande Proprietário de Cavalos A fonte esclarece tudo. 2321 palavras 2026-02-08 16:42:50

Tang Zhenshan olhava para Fu Jun completamente perdido, as palavras que acabara de ouvir o deixaram confuso.

— Como você sabe disso? Veja só, o Bala de Prata não parece estar ótimo? Onde está o sinal de que há algum problema? — perguntou Tang Zhenshan, visivelmente agitado.

Apesar da experiência anterior no torneio de hipismo de Shanyang, quando Fu Jun lhe dissera que Bala de Prata tinha uma lesão na perna, o instinto de buscar vantagem e evitar prejuízos ainda fazia Tang Zhenshan acreditar que o cavalo estava apenas excitado por ter ficado alguns dias sem correr, e agora queria compensar todo o tempo parado de uma só vez.

— Apenas deduzi por lógica. O comportamento de Bala de Prata está súbito e anormal; é difícil acreditar que seja só excesso de entusiasmo. Além disso, o Professor Roberto concorda com isso. O senhor, Tang, não deveria confiar também? — perguntou Fu Jun com calma, mas sua explicação não conseguiu convencer Tang Zhenshan.

Não havia muito que pudesse fazer; Fu Jun jamais poderia revelar que entendia a linguagem dos cavalos. Foi ao sair do caminhão de carga que ouviu o longo relincho de Bala de Prata.

— O que está acontecendo? Minha perna dói, mas estou tão feliz, só quero correr rápido... Mas dói demais! —

Essas foram as palavras exatas de Bala de Prata ao sair do caminhão, e foi por tê-las ouvido e observado o cavalo agitado que Fu Jun decidiu alertar a todos sobre o possível problema.

Desta vez, Fu Jun evitou, desde o início, conversar diretamente com Bala de Prata como fizera na entrevista anterior. Naquela ocasião, simulou falar com o animal para buscar a causa do sofrimento, sem levantar suspeitas. Agora, com Bala de Prata correndo solto, se Fu Jun falasse com ele diante de tantos, alternando entre sua voz e o relinchar do cavalo, certamente levantaria suspeitas entre Tang Zhenshan e os outros.

Se tentasse explicar que Bala de Prata estava doente porque o próprio cavalo lhe dissera, tal justificativa pareceria absurda, até mágica, e dificilmente alguém acreditaria.

Por isso, Fu Jun só podia recorrer a explicações científicas para justificar sua suspeita, embora tais argumentos fossem claramente pouco convincentes. Deduções baseadas em alguns comportamentos anormais do animal não bastavam para convencer Tang Zhenshan e os demais.

— Só porque Bala de Prata ficou excitado de repente você afirma que está doente? Essa explicação me parece insuficiente. Mesmo o Professor Roberto, sendo humano, pode cometer erros. Por mais que seja autoridade na medicina equina, não está livre de diagnósticos equivocados, não é? — rebateu Tang Zhenshan, agarrando-se à incerteza das palavras de Fu Jun e Roberto.

Fu Jun ficou sem argumentos. Afinal, em muitos casos, as previsões científicas falham.

Assim como a previsão do tempo: anunciam chuva e não chove, anunciam céu claro e cai um temporal.

Roberto ficou constrangido; com o comentário de Tang Zhenshan, nem sabia como apoiar Fu Jun. Se realmente tivesse se enganado e Bala de Prata estivesse apenas excitado, sem doença oculta, ele, como autoridade na medicina equina, passaria vergonha.

Hoje em dia, não são poucos os especialistas que acabam desmentidos.

Roberto, que conquistara fama no campo, agora hesitava, receoso de arriscar sua reputação.

Ao lado, Han Tianlin e Ma Kun trocaram olhares e ficaram em silêncio.

Ambos estavam em posição delicada. Como veterinários, sabiam que a hipótese de Roberto e Fu Jun tinha uma alta probabilidade de se confirmar. Mas, como foi Tang Zhenshan quem contestou os dois, preferiram não se manifestar.

Com dois dos principais líderes do clube envolvidos, quem teria coragem de se meter?

Han Tianlin, em seu íntimo, sentia satisfação por Tang Zhenshan ter repreendido Fu Jun, tornando o rapaz articulado menos arrogante. Mas, por envolver Roberto, não ousou demonstrar alegria.

O ambiente ficou tenso, e Tang Zhenshan, por ter identificado a fragilidade nas explicações de Roberto e Fu Jun, parecia dominar a discussão.

Fu Jun, contudo, não se intimidou. Sabendo que Bala de Prata lhe havia comunicado estar doente, não temia o desafio de Tang Zhenshan.

Como amigo dos cavalos, dotado do dom de compreender sua linguagem, Fu Jun não se deixava abalar por Tang Zhenshan.

Mas esse impasse durou pouco. Logo, todos ouviram um relincho doloroso e prolongado.

O som era familiar; era Bala de Prata, recém-saído do caminhão.

— Bala de Prata! — exclamou Tang Zhenshan, girando apressado com seu bastão na direção do cavalo.

Bastou um olhar para ver a perna traseira esquerda de Bala de Prata caída ao chão; as outras três ainda sustentavam o corpo, mas o cavalo já não conseguia se manter em pé com facilidade.

Os demais também se voltaram ao local do relincho e testemunharam a situação.

Por um instante, todos ficaram atônitos diante da súbita crise de Bala de Prata.

Não havia ninguém ao lado do cavalo, e desde que saiu do caminhão, ele correu solto, sem chance de intervenção de terceiros. Só havia uma explicação: Bala de Prata já estava machucado.

Do momento em que saiu do caminhão até agora, passaram apenas alguns minutos, tempo suficiente apenas para a breve conversa entre Fu Jun e Tang Zhenshan. Portanto, era quase certo que o cavalo já trazia a lesão, não a adquiriu no clube.

— Senhor Tang, creio que não preciso mais explicar nada — disse Fu Jun, com um tom sutil, antes de correr em direção a Bala de Prata.

Afinal, estava ali a serviço de Tang Zhenshan, que sempre o tratou bem; Fu Jun não queria se indispor com o patrão e perder o emprego.

Além disso, sabia que a reação de Tang Zhenshan era fruto do carinho pelo cavalo, o que o comovia e o impedia de levar o episódio para o lado pessoal.

Como veterinário, Fu Jun sabia que tratar o animal era sua prioridade, e apesar do choque da situação, não perdeu a clareza sobre o que deveria fazer.

Os demais, ao verem Fu Jun se movimentar, logo despertaram e correram ao local onde Bala de Prata caíra.

Até mesmo Tang Zhenshan, apoiando-se no bastão, seguiu mancando, com a ajuda de Zhou Ruhai, em direção ao cavalo.