Os ricos divertem-se com cavalos.
Localizada ao sul da cidade de Shanyang, a Montanha Baijing sempre foi, desde tempos antigos, um cenário de beleza etérea retratado nas obras de poetas e artistas, um paraíso que fazia com que viajantes esquecessem de voltar para casa. Como uma montanha histórica, em tempos modernos, Baijing tornou-se naturalmente a queridinha dos projetos de desenvolvimento da cidade, aproveitando sua paisagem exuberante para atrair investimentos.
Foi assim que surgiu o Clube Hípico da Montanha Baijing. Fundado há dez anos por seu proprietário, Gu Jianzhong, o clube é relativamente jovem, mas conseguiu consolidar-se como o principal clube de hipismo de Shanyang graças aos investimentos incessantes do próprio Gu Jianzhong ao longo da década.
Gu Jianzhong, aliás, é o famoso dono do Grupo Wanjing, uma das maiores incorporadoras imobiliárias da cidade. Seu interesse pelo hipismo não passa de mais um entre os muitos investimentos em esportes que ele mantém. Quando alguém acumula fortuna, é natural buscar novas formas de valorização e reconhecimento, e, como tantos outros magnatas, Gu Jianzhong escolheu os esportes como meio de elevar o prestígio pessoal e o da sua empresa.
Contudo, para atingir tal objetivo, é indispensável que os projetos esportivos tragam resultados. E o resultado mais cobiçado de todos, claro, é conquistar títulos de campeão.
Em alguns esportes, dinheiro basta para transformar um clube novato em dominador de campeonatos — como no futebol, por exemplo, em que basta pagar o preço certo para contratar qualquer jogador e, assim, montar um esquadrão vencedor. Nessa situação, clubes formados por jogadores medianos dificilmente conseguem superar os gigantes, ainda que o futebol valorize o trabalho em equipe. A disparidade de qualidade individual torna improvável uma zebra.
No entanto, no hipismo, principalmente nas corridas, dinheiro não garante vitórias. Afinal, para ser proprietário de cavalos de corrida, é preciso mais do que riqueza; é preciso sorte. No futebol, basta reunir uma dúzia de atletas, algum equipamento básico e um campo alugado para formar um time. Mesmo assim, a diferença para um time milionário é abissal.
Já no universo das corridas de cavalos, os potros de sangue puro, descendentes de campeões, custam somas astronômicas. Diz-se hoje que “os pobres brincam de carros, os ricos de relógios”, o que faz sentido quando se trata de objetos inanimados.
Mas quando se trata de seres vivos, o ditado muda: “Os pobres brincam de pessoas, os ricos de cavalos.” Magnatas gastam fortunas com mulheres bonitas ou rapazes atraentes, mas tais gastos empalidecem diante do custo de manter cavalos de corrida.
Além disso, carros, relógios e pessoas podem ser avaliados facilmente, mas com cavalos, salvo se você comprar um campeão comprovado, tudo depende da sorte. Comprar um potro recém-nascido é uma aposta: ele pode herdar grandes genes atléticos, mas ninguém pode garantir que será um vencedor.
É como comprar pela internet: todos os cavalos de corrida à venda têm potencial para se tornarem campeões, mas tudo depende da sorte do comprador. Não são raros os casos de quem gasta milhões de dólares em um potro de linhagem nobre e acaba com um animal que jamais conquista um único título.
Nesses casos, o cavalo só serve para a reprodução, na esperança de que sua genética produza descendentes dignos de seu pedigree. Caso contrário, acabará apenas ocupando espaço no estábulo. E nem se espera que um cavalo sem títulos obtenha um bom preço de revenda; o melhor que pode acontecer é ao menos recuperar as despesas com sua manutenção.
Assim, desde o início, gastar fortunas em um potro de puro-sangue é apostar no futuro. Se a aposta der certo, os prêmios, as taxas de reprodução e a fama podem multiplicar os ganhos. Mas se der errado, resta apenas um prejuízo incalculável — muito mais arriscado do que investir em pessoas, carros ou relógios.
Afinal, ao gastar com gente, carros ou relógios, o valor é palpável e fácil de justificar. Já investir milhões em um potro, apenas porque seu pedigree sugere potencial, é uma aposta para poucos. Só pessoas realmente abastadas suportam esse tipo de risco e suas eventuais perdas.
Por isso, é comum que a propriedade dos cavalos de corrida seja compartilhada por vários sócios, pois até mesmo os ricos preferem dividir os riscos desse investimento incerto.
Em suma, nas corridas de cavalos, dinheiro não é tudo; ninguém pode prever o verdadeiro potencial de um animal recém-adquirido.
É claro que existe a opção de comprar um jovem campeão já comprovado. Porém, além de depender da disposição do antigo dono em vendê-lo, o preço de revenda pode chegar a centenas de milhões de dólares — um negócio deficitário, sem retorno garantido, o que não faz sentido para investidores como Gu Jianzhong, que buscam lucro e fama.
Por isso, desde o início, Gu Jianzhong apostou em adquirir potros de linhagem nobre por altos valores e treiná-los para competir e conquistar títulos. Mas, somando-se o potencial incerto dos cavalos às imprevisibilidades das competições, nem o mais experiente dos treinadores ousaria garantir que um potro se tornará campeão — que dirá Gu Jianzhong, um novato na época.
Depois de pagar caro pelo aprendizado, Gu Jianzhong, enquanto aprimorava a estrutura do clube, finalmente encontrou sua joia: o cavalo Cruz de Ferro.
Foi esse animal que lhe trouxe inúmeros títulos nacionais e pódios, tornando-se o xodó de Gu Jianzhong e alimentando sua ambição. Talvez dominar as corridas nacionais com Cruz de Ferro fosse um sonho distante, já que há muitos ricos na China e ninguém sabe se algum deles compraria, no exterior, um cavalo ainda melhor.
Diante disso, Gu Jianzhong passou a mirar mais baixo, querendo ao menos dominar as competições em sua cidade natal, Shanyang, que já é um polo reconhecido do hipismo nacional.
Contudo, mesmo esse objetivo estava longe de ser fácil, especialmente porque havia em Shanyang um rival à altura: o famoso cavalo Metralhadora de Ouro, cuja força era comparável à de Cruz de Ferro.
No ramo imobiliário, é raro encontrar alguém que não seja astuto; o setor está repleto de armadilhas, e até os mais espertos podem se afogar. Depois de tantos anos no mercado, Gu Jianzhong já havia acumulado fortuna às custas do suor do povo, tornando-se um típico empresário inescrupuloso. Diante da competição acirrada em Shanyang e sabendo que seria difícil vencer o rival apenas com força, ele começou a cogitar recorrer a outros meios para superar Metralhadora de Ouro.