65. Prática Repetida

Grande Proprietário de Cavalos A fonte esclarece tudo. 2275 palavras 2026-02-08 16:46:45

Depois de testar o corte dos cascos nas quatro patas de Bala de Prata, ficou evidente que, devido à falta de experiência, nenhum dos cascos cortados por Fu Jun estava adequado. Diante disso, Fu Jun só podia continuar treinando e tentando até conseguir cortar corretamente os cascos.

— Tchau, Bala de Prata, até daqui a pouco! — disse Fu Jun, acenando para Bala de Prata.

— Não fale assim com tanta intimidade, eu não quero te ver de novo! — respondeu Bala de Prata, afastando-se dele com frieza ao ouvir aquelas palavras.

No entanto, não era questão de Bala de Prata querer ou não vê-lo, mas sim de Fu Jun decidir se queria ou não que Bala de Prata aparecesse em seus sonhos. Não importava o quanto Bala de Prata não desejasse, bastava Fu Jun querer que ele estivesse em seu sonho e, desde que Bala de Prata estivesse descansando, ele certamente apareceria ali para encontrar seu senhor.

O fato de Fu Jun se despedir repentinamente, dizendo que se veriam depois, era justamente porque ele pretendia deixar o sonho por um tempo e retornar mais tarde. Afinal, naquele momento, Bala de Prata no sonho já estava com os quatro cascos estragados. Ou seja, Fu Jun não poderia mais praticar o corte de cascos nele naquele sonho; a única solução era sonhar novamente.

Afinal, aquele sonho era moldado pelo subconsciente de Fu Jun. Portanto, sempre que ele desejasse que Bala de Prata, precisando de corte de cascos, aparecesse, toda vez que entrasse no sonho, encontraria Bala de Prata com cascos por cortar. Assim, Bala de Prata tornava-se o rato de laboratório de Fu Jun no mundo onírico, servindo para aprimorar sua técnica.

Ao acordar, Fu Jun olhou o relógio: já haviam se passado quase duas horas. De fato, cortar cascos era um trabalho demorado. Cortar os quatro cascos tomara quase duas horas, o que mostrava o quanto o processo consumia tempo.

Levantou-se, serviu-se de um copo d’água, bebeu e espreguiçou-se. Depois, fechou as mãos com força e confirmou o que já suspeitava: mesmo tendo praticado apenas no sonho, sentia uma espécie de sensação residual no corpo, como se realmente tivesse cortado cascos.

Era uma sensação difícil de descrever. Se tivesse de explicar, diria que se tratava de uma experiência valiosa, adquirida no corte dos cascos. E, se continuasse praticando repetidamente, tinha certeza de que, em breve, conseguiria reunir e aprimorar toda aquela experiência para aperfeiçoar sua técnica.

Ao mesmo tempo, surgiu-lhe outro pensamento: já que podia acumular experiência cortando cascos no sonho, não poderia fazer o mesmo com outras enfermidades que exigissem treinamento e prática? Não poderia, dessa forma, aumentar sua experiência também nesses casos?

Compreendendo isso, Fu Jun decidiu continuar sonhando. Afinal, poderia treinar bastante sem se preocupar com possíveis acidentes. Seria tolice não tirar proveito disso. Ainda bem que não era só um devaneio passageiro.

Fechou os olhos e, em sua mente, visualizou novamente os cascos saudáveis, sem ferraduras. Depois de refletir um pouco, adormeceu profundamente. Desde que havia descoberto essa habilidade relacionada aos sonhos, percebera que bastava descansar um pouco e fechar os olhos para mergulhar rapidamente no sono.

Para ele, entrar no mundo dos sonhos era algo extremamente fácil. Se não tivesse percebido essa facilidade, talvez tivesse pensado que estava doente, pois, ultimamente, bastava surgir uma folga para adormecer imediatamente.

— Olá, Bala de Prata, nos encontramos de novo — saudou Fu Jun ao entrar no sonho, vendo Bala de Prata à sua frente, olhando-o com expressão deprimida.

— Não quero me aproximar de você, não quero te ver — respondeu Bala de Prata, visivelmente irritado. Fu Jun o tirava do sonho e o trazia de volta tantas vezes que o nobre puro-sangue já estava furioso.

Afinal, era obrigado a entrar e sair do sonho ao bel-prazer de Fu Jun. Criado com esmero por tratadores dedicados, sempre foi motivo de orgulho por sua linhagem impecável. Agora, sentia-se reduzido a simples objeto, à mercê de Fu Jun — algo inadmissível para ele.

Mas Fu Jun, indiferente à indignação de Bala de Prata, aproximou-se e ordenou:

— Levante a perna!

Bala de Prata bufou de raiva, mas, obediente, levantou a pata, mantendo-se numa postura instável, oferecendo o casco para que Fu Jun praticasse.

Felizmente, ali era um sonho, e Bala de Prata não sentia dor. Do contrário, sustentar-se em três patas e ainda expor a outra para o corte seria exaustivo; e, com as técnicas pouco confiáveis de Fu Jun, um corte mais profundo poderia causar-lhe muita dor.

Assim, Fu Ju