91. Estomatite
A brincadeira de Fu Jun fez com que Elina tivesse vontade de, naquele instante, abocanhar a mão que ele mantinha em sua boca e mordê-la com força. Infelizmente, cavalos como ela são de fato animais herbívoros; obrigar Elina a transformar-se em carnívora seria pedir demais, por isso ela limitou-se a expressar seu descontentamento com um olhar reprovador.
Naturalmente, esse olhar não teve qualquer efeito sobre Fu Jun, que seguiu examinando sua cavidade oral com atenção.
Depois de uma análise minuciosa, como previra, Fu Jun logo notou um problema. A mucosa bucal de Elina apresentava leve congestão, avermelhada e inchada. Ao tocar essas áreas inflamadas, Elina tremia visivelmente, piscava os olhos e tentava, de forma instintiva, fechar a boca. No entanto, sabendo que a mão de Fu Jun ainda estava ali, conteve-se a muito custo; do contrário, talvez o inevitável teria acontecido e Fu Jun perderia a mão.
Quanto à razão para aquele inchaço e vermelhidão, Fu Jun lançou um olhar à comissura labial de Elina e observou, em sua mão, grande quantidade de saliva proveniente da cavidade oral dela. Já tinha uma hipótese formada.
— Observem todos o interior da boca de Elina. Seu organismo realmente apresenta problemas. Se olharem com atenção, notarão que há uma leve congestão, vermelhidão e inchaço. Além disso, a mucosa oral está extremamente úmida, com secreção abundante de saliva, sintomas típicos de sialorreia. Nos cantos da boca, há ainda espuma esbranquiçada, o que já revela a natureza do problema.
Enquanto apontava para a boca de Elina, Fu Jun voltou-se para Han Tianlin e disse:
— Imagino que todos os veterinários aqui presentes reconheçam esses sintomas, não é mesmo? Por exemplo, você, Han Tianlin, poderia me dizer de que doença se trata? Isso não evidencia que Elina está, de fato, com problemas na boca?
Ao ouvirem isso, todos os presentes se inclinaram para observar o interior da boca de Elina, confirmando que, de fato, os sintomas descritos por Fu Jun estavam lá.
E todos sabiam bem o que tais sinais significavam: trata-se de estomatite.
Num instante, todos os que antes duvidavam de Fu Jun ficaram atônitos, especialmente Han Tianlin.
Como seria possível?
Fu Jun sequer havia examinado o interior da boca de Elina — como poderia saber que havia um problema ali?
Se fosse apenas um exagero de Fu Jun, tudo bem, mas o problema é que ele estava certo: Elina realmente sofria de estomatite, comprovando sua suspeita.
Han Tianlin estava incrédulo. Aquilo era impossível; o comportamento de Fu Jun desafiava toda a sua compreensão. Será que Fu Jun possuía visão de raio-X? Conseguia enxergar através da pele de Elina, observando o interior de sua boca?
Na verdade, não era apenas Han Tianlin; até mesmo Roberto ficou espantado com a habilidade de Fu Jun, achando tudo ainda mais impressionante do que quando ele diagnosticara uma lesão por projétil metálico.
Afinal, no caso do projétil, ainda havia vestígios visíveis na pele; se Fu Jun tivesse olhos tão aguçados quanto instrumentos médicos, seria compreensível que notasse as marcas. Entretanto, a situação de Elina era diferente: ela mantinha a boca completamente fechada, sem permitir que ninguém visse o interior, e mesmo assim Fu Jun foi capaz de identificar o problema sem ao menos olhar diretamente. Isso, de fato, era extraordinário.
Por um momento, Roberto sentiu vontade de abrir a cabeça de Fu Jun, só para compreender como funcionava aquela mente capaz de descobrir a doença de Elina com tanta precisão.