109. Questões de Crédito

Grande Proprietário de Cavalos A fonte esclarece tudo. 2362 palavras 2026-04-01 00:42:30

— Meu pai, quando comprou a Elina, naturalmente teve que pagar um preço. Quer saber como tudo aconteceu? — perguntou Tang Yao a Fu Jun.

— Sim! — Fu Jun assentiu sorrindo. — Nunca estive no exterior, então sempre tive curiosidade sobre as corridas de cavalos lá fora. Além disso, hoje em dia dizem que está cada vez mais difícil para nós chineses comprar bons cavalos no exterior. Por isso, fico muito curioso sobre como o senhor Tang conseguiu adquirir a Elina.

— Está bem! Vou contar como meu pai conseguiu comprá-la, mas para entender direito, precisamos voltar ao momento em que o país começou a incentivar as corridas de cavalos entre a população — disse Tang Yao, recordando. — Desde que o governo mudou sua postura e passou a apoiar vigorosamente as competições equestres civis, e com a participação da China nas Olimpíadas de 1984, surgiu o propósito de formar e reservar talentos para os eventos equestres olímpicos. Quem tinha visão percebeu que a equitação estava para renascer.

— Porém, na época, a equitação moderna era algo completamente desconhecido para a China. Depois de tantos anos de isolamento, nem sequer tínhamos pessoas familiarizadas com as regras, então estudar no exterior tornou-se uma necessidade. Além disso, além de aprender, importar bons cavalos de competição tornou-se algo crucial.

— Naquele tempo, a China não possuía raças de cavalos adequadas para a equitação moderna por várias razões, e muitos entusiastas ricos começaram a comprar excelentes exemplares no exterior. Meu pai foi um deles.

— Infelizmente, os verdadeiros amantes e entusiastas da equitação, que tinham dinheiro e estavam comprometidos, eram poucos. Entre eles, os que conseguiam comprar cavalos no exterior eram ainda menos. Muitos dos que iam atrás de cavalos fora do país não eram confiáveis — Tang Yao falou com um tom que denunciava certa raiva.

— O que aconteceu? — perguntou Fu Jun.

— No começo, na verdade, não era tão difícil comprar bons cavalos no exterior como é hoje. Povos com talento para o comércio, como os britânicos e holandeses, logo perceberam esse mercado promissor. Muitos intermediários, baseando-se nas experiências das negociações de cavalos com países do Oriente Médio, Rússia, América, Austrália e Índia, passaram a fomentar o comércio bilateral entre a China e a Europa, conectando compradores e vendedores para benefício mútuo — explicou Tang Yao, recuperando a calma.

— Além disso, os donos de cavalos no exterior não são todos milionários; diferente de Hong Kong, onde é preciso registro e aprovação para ser proprietário, lá qualquer pessoa que compre um cavalo aprovado para competições pode ser dono. Muitos, devido aos altos custos de manutenção, ficam felizes em vender aqueles cavalos que têm potencial, mas que não se comparam aos seus melhores animais — continuou.

— Entretanto, a equitação na Europa e em outros lugares já estava muito desenvolvida, a atmosfera era intensa e o mercado saturado. Muitos cavalos eram criados em famílias que tinham outras ocupações e viam a criação de cavalos como um negócio secundário. Exceto os novatos, os proprietários não tinham grande demanda por cavalos, e quando queriam vender, muitas vezes não encontravam compradores adequados e não conseguiam fechar negócio — prosseguiu.

— Nesse cenário, os chineses, que vinham de um país fechado por tanto tempo e buscavam desesperadamente bons cavalos, foram uma adição perfeita ao mercado. Pode-se dizer que, tanto em grandes organizações civis quanto em transações privadas, os estrangeiros recebiam os compradores chineses com muito entusiasmo — disse Tang Yao.

— Na época, os hipódromos europeus demonstravam uma receptividade inimaginável aos compradores chineses: telefonemas sempre atendidos, recepções nas estações, sorrisos constantes, até um certo bajulamento. Cavalos excelentes eram apresentados um a um para que os chineses testassem e escolhessem. Exceto os cavalos lendários como a Elina, cuja linhagem era restrita e quase impossível de negociar, muitos descendentes de campeões comuns estavam disponíveis para venda privada, a preços bem mais baixos que os de leilões — continuou.

— Os donos estrangeiros não eram tolos: vender em leilão significava pagar altas taxas. Negociando diretamente com os compradores, mesmo com valores totais menores, eles ficavam com mais dinheiro. Os compradores chineses também gostavam de gastar menos, afinal, dinheiro não nasce em árvores — explicou.

— Além disso, os problemas burocráticos que muitos chineses enfrentam hoje para comprar cavalos praticamente não existiam naquela época, porque os vendedores estrangeiros ajudavam ativamente a cuidar de toda a papelada. O comprador só precisava pagar e retirar o cavalo após voltar para casa — disse Tang Yao.

— Claro que não havia perigo deles trocarem os cavalos por outros ou falsificarem documentos médicos para vender cavalos doentes como bons, porque aqui na China existiam especialistas para inspecionar os animais. Eles faziam isso apenas para facilitar o processo e estabelecer uma relação de confiança, preparando o terreno para futuras transações, pois sabiam que esses compradores chineses não comprariam apenas uma vez — complementou.

Fu Jun, curioso, perguntou:

— Isso não é ótimo? Se os compradores chineses pagam bem, futuras compras seriam ainda mais fáceis. Então por que hoje em dia é tão difícil para nós comprar cavalos no exterior?

— Se todos os compradores chineses fossem verdadeiros amantes da equitação e cumpridores de sua palavra, seria mesmo — respondeu Tang Yao friamente.

— Como assim? — indagou Fu Jun.

— Já disse: porque muitos compradores chineses não são confiáveis — replicou Tang Yao.

— O que aconteceu exatamente? — quis saber Fu Jun.

— Simples. Muitos não tinham dinheiro suficiente para comprar os cavalos que prometiam ou, mesmo tendo dinheiro, se arrependiam e desistiam — explicou Tang Yao, irritada. — Isso levou a situação em que os proprietários europeus organizavam toda a logística, traziam os cavalos para a China, e os compradores chineses simplesmente quebravam os contratos, recusando-se a comprar. Os cavalos ficavam parados aqui, sem alternativa.

— Esses compradores sem palavra mancharam nossa reputação diante dos europeus antes mesmo que outros compatriotas tivessem contato com eles — acrescentou.

— E a questão da confiança é o pior problema em qualquer transação — concluiu.