Capítulo Noventa e Seis: O Ouro Desmaiado
Nesse momento, o ancião aproximou-se, trazendo consigo seu descendente ingrato, e apressou-se a se ajoelhar diante de Tianyi.
— Tudo foi culpa da minha miopia, não percebi que vocês eram seis cultivadores. Que sorte a minha, em três vidas! — disse o velho, puxando o neto para perto. — Ajoelhe-se agora mesmo! Se não fossem eles, você já estaria morto. Rápido, faça reverência a eles, e nunca mais pratique aquela arte demoníaca. Viu o que aconteceu? Esse é o seu destino!
Os jovens, ouvindo isso, se ajoelharam imediatamente, batendo a cabeça no chão.
— Suplicamos pela misericórdia dos cultivadores, nunca mais desejamos praticar aquela arte maligna! — disseram, aterrorizados, pois só ao viverem a experiência perceberam que não era tão gloriosa quanto imaginavam.
— Chega! Lembrem-se, o caminho do cultivo não se percorre em um dia, é preciso perseverança. Praticar métodos como esse pode tirar de vocês até mesmo a humanidade. Tratem bem suas famílias! — advertiu Tianyi.
— Obrigado, cultivadores. Reconhecemos o erro — disseram os jovens.
Então o ancião se adiantou.
— Sei que são boas pessoas. Deixo com vocês este livro que meu descendente conseguiu, pois mantê-lo comigo só traria calamidade. Destruam-no como acharem melhor!
O velho retirou de sua mochila um caderno negro, manchado de sangue, feito de material desconhecido, e o entregou. Tianyi folheou algumas páginas e, indignado, quis rasgá-lo de imediato. Mas então Wanyan, ao seu lado, pôs a mão sobre o livro.
— Tianyi, espere. Talvez possamos usar isso para atrair mais pessoas, e quando vierem disputar, podemos eliminar todos de uma vez! — A frieza de Wanyan fez o velho e o jovem recuarem alguns passos, assustados.
Logo depois, o jovem respirou aliviado, sem coragem de olhar novamente para a bela mulher, agarrando a mão do avô e afastando-se dali.
— Irmã, por que você o assustou? Ele nem se atreve a olhar para você agora — brincou Wansi, rindo ao lado.
— Não o assustei. Tianyi, você gosta que outros olhem para mim? Devo dar-lhes uma lição? — disse Wanyan, com um sorriso irônico.
— Não penso assim. São apenas pessoas comuns e, ao obterem técnicas de cultivo, é natural que tenham pensamentos impróprios. Basta uma repreensão leve — respondeu Tianyi.
— Tianyi, isso não parece com seu temperamento. Veja aquele velho, fala do neto o tempo todo, mas, no fundo, só pensa em protegê-lo. Que pena daquele homem! Quanto ao rapaz, se não for assustado agora, nunca aprenderá a ser melhor!
— Sim, Wanyan tem razão. Fui talvez demasiado compassivo — admitiu Tianyi.
— Vamos seguir caminho. Com nosso ritmo, ainda teremos mais de um mês até chegar ao destino. A partir de agora, vamos sentir o sabor de uma jornada pela espada nos domínios do mundo! — exclamou Wanyan.
Uma atmosfera heroica envolveu o grupo, que sorriu e prosseguiu.
A prosperidade daquele caminho já se perdera. Lembravam-se de quando eram crianças e tudo era vibrante, mas agora só restava decadência, casas vazias e desoladas, ninguém sentado nos estabelecimentos, e os transeuntes passavam apressados. As tavernas e pousadas estavam arruinadas e abandonadas, ninguém mais morava ali. Era uma calamidade real, pensavam Tianyi e seus amigos, lamentando enquanto caminhavam.
— Irmão Jin, vocês já leram o livro de marionetes venenosas do velho Yao? Só há métodos malignos ali — perguntou Tianyi.
— Acho que nem tive tempo de ler, o irmão mais velho pegou para si. Folheou algumas páginas e decidiu destruí-lo. Não demos importância, pois ele jamais cultivaria tais métodos, sua origem é triste, ele nunca faria isso — respondeu Jin.
— Irmão Jin, veja: o velho Yao usava pessoas vivas para criar elixires, absorvendo sua essência vital para se fortalecer. O livro diz exatamente isso. Não posso deixar de suspeitar. Faz anos que não temos notícias do irmão Dashan. Vocês não acham estranho? — questionou Tianyi.
Jin pegou o livro negro com manchas vermelhas, folheou algumas páginas e, de repente, ficou paralisado. Ele sabia que seu irmão mais velho aprendera a ler, e Jin recordava bem sua caligrafia, especialmente como terminava a última letra de cada carta, sempre com um traço ascendente. Ele e Xiaohu costumavam brincar com o estilo do irmão, mas ele nunca corrigiu.
Agora, Jin viu na última página a mesma caligrafia. O coração disparou, o rosto ficou pálido como a neve.
— Não pode ser o irmão! Não pode ser ele! — murmurou Jin, trêmulo.
— Irmão Jin, o que houve? Você está pálido, o que aconteceu? — perguntou Tianyi, aflito.
Jin não respondeu. Sua mão tremia sobre a última letra da página, suor grosso escorria da testa, o corpo inteiro começou a tremer.
— Irmão Jin, o que há com você? — Tianyi insistiu, mas não obteve resposta, então gritou alto.
O grupo discutia algo, mas ao ouvir Tianyi, correram para perto, chamando Jin com ansiedade.
— Jin! Jin! O que aconteceu? Sou seu irmão Xiaohu! — Xiaohu já estava descontrolado, sacudindo Jin com força.
Jin pareceu despertar com os chamados de Xiaohu, olhou para ele sem foco nos olhos.
— Irmão... — gritou com dor, lágrimas escorrendo, apontou com mão trêmula para a última letra da página. — Irmão! Irmão! — e, em seguida, desmaiou.
Tianyi e os outros não sabiam o que ocorria. Xiaohu, desesperado, colocou Jin nas costas e correu rapidamente, buscando um hospital. Mas ali era terra de mortais, onde encontrar um médico capaz de tratar um cultivador?
Correndo pelas ruas, só encontraram ruína, todos os hospitais estavam fechados, e os médicos comuns não sabiam o que fazer. Em meio à aflição, uma voz grave e profunda se fez ouvir:
— Tianying, irmã! Tianyi, irmão! São vocês?
Tianying ouviu e, ao virar-se, ficou excitada.
— Irmão Yaochuan! É mesmo você?
Não muito distante, o jovem de vestes brancas correu ao ouvir a voz, radiante de alegria, olhando para Tianying.
— Irmã, você cresceu! Tianyi, você mudou tanto!
— Sim, irmão Yaochuan, você chegou na hora certa. Por favor, ajude-nos. Irmão Jin desmaiou e nenhum médico conseguiu tratá-lo! Por favor, salve-o!
Yaochuan, sempre sincero e gentil, reprimiu a emoção e seguiu Tianying.
— Venha, coloque-o aqui, vou examinar — disse.
Xiaohu olhou para o jovem, duvidando que alguém tão novo pudesse ser médico, já que não fazia nenhum gesto típico.
— Xiaohu, coloque Jin aqui. Este é Yaochuan. Lembra-se do “Hospital da Ordem dos Elixires”? — lembrou Tianying.
Xiaohu então recordou.
— Oh, claro! — bateu na testa, desculpou-se e colocou Jin no chão, olhando ansioso.
Yaochuan retirou algumas agulhas de prata e as inseriu nos pontos vitais de Jin, canalizando uma energia pura por suas mãos. As agulhas vibraram, e logo Jin abriu os olhos devagar.
— Haha! Jin acordou! — exclamou Xiaohu, e todos ao redor se alegraram.
Yaochuan recolheu as agulhas com um gesto.
— Pronto, ele está bem. Só ficou inconsciente por causa de algo inacreditável. Com alguns dias de descanso, estará totalmente recuperado.
— Obrigado, Yaochuan! — agradeceu Xiaohu, emocionado.
— Não há de quê, só não seja tão imprudente da próxima vez! — Yaochuan respondeu, sorrindo.
Xiaohu, constrangido, riu.
Yaochuan reconheceu Xiaohu como aquele que era especialmente arrogante no hospital.
Tianyi se aproximou.
— Irmão Yaochuan, o que faz aqui? Por que não está em Nova Cidade Eterna?