Capítulo Quarenta e Nove – Emboscada
Só se via Qing aproximar-se das cadeiras e sentar-se tranquilamente.
— Ultimamente não tenho tido grandes afazeres; já que o título de campeão está fora de alcance, não me preocupo em treinar, prefiro relaxar um pouco. Ouvi dizer que vocês dois foram atacados e que hoje estariam aqui para discutir o assunto, então vim esclarecer, para evitar mal-entendidos.
— Parece que as notícias chegam a Qing de maneira bastante conveniente! Já que está aqui, sente-se e tome uma taça conosco.
— Não é necessário, obrigado. Ouvi também algo que pode interessar a um de vocês, mas não sei exatamente a quem; gostariam de saber?
Xiu apressou-se em fazer uma reverência:
— Qing, peço desculpas se antes fui inconveniente, por favor, conte-nos.
— Não precisam desconfiar; recebi a informação de que Wen preparou uma emboscada para vocês dois hoje, embora não saiba detalhes nem quem é o alvo. Vim apenas avisar, para que não digam depois que fui omisso.
— Pode ficar tranquilo, Qing; não permitiremos que falem mal de você.
— Pronto, já dei o recado. Vou-me agora. O tempo está mesmo agradável hoje; cuidem-se bem.
Ao terminar, virou-se e saiu.
Por um instante, os dois se entreolharam.
— Irmão Zhu, você acha que isso é confiável? Notei que Qing está diferente ultimamente.
— Melhor não falar dele agora. Sabemos quem ele é; só lamentamos não ter percebido antes. Se continuássemos investigando, não teria nos enganado por tanto tempo.
— Será que Wen realmente faria isso? Ou Qing está nos enganando?
— Vamos confiar nele desta vez. Não há motivo para mentir.
— Então, como antes, vamos nos separar para ver que jogada Wen está armando.
— Ye, vamos! Preste atenção ao redor; não deixe que Wen consiga o que quer. Não acredito que já confiei tanto nele.
— Fique tranquilo, senhor. Se ele aparecer, revelaremos sua verdadeira face! — disse Ye em voz alta.
Ambos partiram, cada qual com suas dúvidas.
Wen já havia preparado uma emboscada no caminho de Xiu, esperando que ele passasse por ali. Sabia que os rumores que circulavam vinham de Xiu.
— Dong, está tudo pronto? Descobrimos que eles estavam discutindo essa questão. Você sabia que eles estavam se tornando tão próximos?
— Não sei, senhor, mas parece que estão acusando o culpado. Que sintam na pele o que é mexer com o senhor! — Dong não estava satisfeito com Xiu, que espalhava rumores sobre Wen, e queria dar-lhe uma lição.
Wen abaixou a voz:
— É fundamental que não descubram quem somos. Actuem e saiam logo! Ouviram?
— Sim, senhor! Pode confiar, trouxemos três plantas de fumaça para garantir que eles não escapem.
— Hehe...
— Senhor, eles estão chegando.
— Dong, quando eles chegarem, tire Zhong de perto de Xiu. Não prolongue o combate!
— Zzzz!
— Bum!
Naquele momento, a fumaça se espalhou pelo lugar, causando alvoroço; a multidão se dispersou aos gritos.
— Senhor, cuidado! Estão nos atacando!
— Quem é?
Zhong gritou, mas o único retorno foi um feixe azul que atravessou a fumaça e se aproximou rapidamente.
— Puf...
Zhong cuspiu sangue e caiu inconsciente. A fumaça misturava-se a ruídos e xingamentos; o grupo de Xiu estava completamente perdido, sem saber de onde vinha o ataque, rodando sem rumo.
— Dong, quando você ficou tão forte?
— Que oportunidade! Tudo está correndo bem, Dong, não fique parado, avance e derrube-os!
Dong estava confuso; quando se tornara tão poderoso? Com um toque, derrubara alguém do mesmo nível. Será que o outro estava realmente ferido por um ataque anterior?
Observando a confusão na fumaça, saltou para o centro do combate.
— Bum, bum, bum...
O som de luta ecoava.
— Senhor, isso é uma emboscada deles, precisamos sair!
— Emboscada? Como assim?
Enquanto Wen pensava, alguns já haviam escapado da fumaça, correndo em sua direção.
— Wen! Não precisa mais se esconder; já sabemos que é você. Seu companheiro está em perigo lá dentro. Revele-se e deixaremos vocês partirem; do contrário, não me responsabilizo por arrancá-lo daqui!
Wen hesitou; quem teria revelado o alvo deles?
Enquanto pensava, ouviu à frente:
— Senhor, corra!
Num piscar de olhos, uma figura rubra saiu da fumaça, agarrou Wen pela mão esquerda e fugiu velozmente, com os demais atrás, dispersando-se em seguida.
— Puf!
— Senhor, Dong foi realmente determinado; não conseguimos impedi-lo. Por favor, nos desculpe!
— Vocês... Deixem pra lá, vamos embora!
Saíram, cabisbaixos.
— Dong, como está? Está ferido?
Num canto escuro, Wen perguntou baixo.
— Senhor, alguém nos traiu. Só assim eles puderam nos emboscar. Os sons eram todos armados por eles, até Zhong fingiu estar caído. Quando entrei, fui atacado por vários ao mesmo tempo. Ao ouvir ameaças contra o senhor, não hesitei e lutei com tudo, conseguindo escapar.
— Não faz mal, mas foi um acontecimento estranho. Vamos voltar e amanhã procuramos pistas para descobrir quem nos traiu. Sinto que há mais por trás do que parece.
— Senhor, será que eles vão se unir para nos enfrentar?
— Não se preocupe; sem provas, não podem nos prejudicar. Por ora, cuide-se e recupere-se.
— Irmão maior, eles não conseguiram pegar Wen; ele escapou — disse San, entrando.
— San! Não sabia que gostava de espionagem. Quando houver oportunidade, vou arranjar uma técnica para você; assim ficará menos exposto e agirá melhor.
— Eles escaparam, mas não importa. Basta que haja desentendimento entre eles, isso já nos favorece. Com os quatro em conflito, o momento é propício para nosso crescimento.
San ficou feliz ao saber que o irmão buscaria uma técnica para ele.
— Obrigado, irmão. Vou voltar a treinar; se precisar de mim, chame.
— Ufa...
— Finalmente, paz por um tempo. Hora de treinar! — disse, tirando uma pílula de ervas do bolso e entrando na casa.
Por ora, serenidade reinava nos domínios do Céu.