Capítulo Noventa e Nove: A Velha Malvada
— Jovem, alguém da sua família também morreu? — A voz fria e trêmula escapou dos lábios da mulher.
— Não, vovó. Apenas vi o quanto está triste e não pude evitar sentir uma dor no coração. Por isso parei para queimar algum dinheiro de papel para o seu marido. Não se incomode, por favor.
Ao terminar, a velha ergueu o olhar e fitou-o por um instante.
Que olhar era aquele? Ela estendeu sua mão seca e pálida, lentamente tocou a própria face, afastou a cabeleira branca e desgrenhada, revelando um rosto todo enrugado e escurecido, com olhos fundos que cintilavam um brilho assustador, fixos em Tian Yi. De repente, abriu um sorriso sinistro, e parecia haver algo se movendo devagar dentro de sua boca.
Tian Yi se assustou com a cena diante de si.
— O quê? Minha aparência te assustou? — A voz rouca veio debaixo dos cabelos brancos.
— Não, não… Desculpe, vovó, fui descortês agora há pouco.
Ao ouvir o grito de Tian Yi, todos se aproximaram rapidamente.
A velha ergueu a cabeça e olhou vagarosamente para eles, depois se levantou com dificuldade.
— Vocês devem estar com sede, venham entrar, vou trazer um pouco de água para beberem!
— Não se preocupe, vovó, não estamos com sede — responderam todos em uníssono.
Tian Yi ainda não tinha se recuperado totalmente do susto. Olhou para os companheiros, o rosto pálido, e recuou devagar.
— O que houve, Tian Yi? — Tian Ying se aproximou dele. — O que aconteceu? Você está tão pálido…
— Não é nada, meus olhos só ficaram confusos por um momento. Vamos entrar.
— Venham, entrem, sentem-se. Vou ao fundo aquecer água para vocês, esperem um pouco aqui — disse a velha, saindo para os fundos.
— Tian Yi, sinto cheiro de ervas medicinais — murmurou Yao Chuan, levantando-se.
— Ervas? Velhos costumam preparar remédios para fortalecer o corpo. O marido dela morreu, ela deve estar muito triste. Não ligue para o cheiro — respondeu Xiao Hu, já impaciente de tanta sede.
Yao Chuan olhou em volta.
— Não, essa erva não é para fortalecer o corpo. É usada para mascarar odores. — Ele aspirou fundo. — Parece aroma de erva Qingling, usada para ocultar cheiros desagradáveis.
Enquanto Yao Chuan falava de ervas, Wan Si, incapaz de prestar atenção, saiu discretamente para os fundos, querendo ajudar a velha.
De repente, um grito agudo ecoou.
Todos se levantaram num salto e correram para os fundos, encontrando Wan Si parada, apontando aterrorizada para a frente.
A cena diante deles era de arrepiar: pilhas de ossos brancos, alguns cadáveres exalando um fedor horrível, corpos ensanguentados pendurados nas paredes. O grupo foi tomado por náuseas, sem imaginar que naquele lugar se escondia tanto horror.
— Onde está a velha? — Yao Chuan, o primeiro a se recompor, perguntou.
Os outros, curvados de tanto vomitar, correram para fora. Xiao Hu, ao ver uma jarra de chá sobre a mesa, pensou em beber para aliviar o estômago, mas, lembrando-se de algo, voltou a sentir ânsia.
— Vamos sair daqui! Aquela velha é uma assassina, não podemos enfrentá-la! Temos que fugir agora!
Saíram apressados, mas do lado de fora não havia sinal da velha, apenas um braseiro fumegando.
— Onde está a velha? E o homem que estava deitado? — Xiao Hu exclamou, e todos olharam para o local. — Onde estão?
O ambiente ficou repentinamente estranho, o choro da velha parecia ainda ressoar nos ouvidos, um "uuuu" que arrepiava.
— Quem está aí?
— Quem? — gritaram Xiao Hu e Jin Zi juntos.
Na entrada, duas figuras começaram a surgir: uma velha vestida de linho branco e um homem de manto negro, rosto indistinguível, exalando um odor repulsivo, caminhando rigidamente.
A velha, de linho branco, removeu devagar o chapéu, revelando um rosto sombrio, marcado por expressões cruéis. Abriu a boca ensanguentada e emitiu um som áspero, como metal rangendo.
— Por que saíram? Eu e meu homem só saímos para dar uma volta e já vocês fugiram…
Hehe... hehe...
O riso sinistro misturou-se ao vento frio que crescia, gelando os ossos de todos.
— Velha, com que maldade você se ocupa? Depois de matar tanta gente, hoje será o teu fim!
— Quer lutar comigo, rapaz? Volte ao ventre de sua mãe e treine mais um pouco! Hehe… não esperava por isso, encontrei um banquete: três em estágio de consolidação, quatro na plenitude da energia… Vocês vieram me servir de prato! Seria um desperdício não devorar vocês!
Ao terminar, todos ficaram tensos, prontos para a batalha, olhos fixos na velha.
Tian Ying e Wan Si ficaram alarmadas.
— Que poder é esse? Como ela pode ver nosso nível? Será uma mestra oculta?
— Não adianta pensar, crianças. Ninguém vai escapar. Se não resistirem, posso dar uma morte rápida a cada um. Senão, farei de vocês meus "tesouros".
Dizendo isso, ela puxou o manto do homem ao lado, revelando uma cena revoltante: a cabeça em decomposição, líquidos escorrendo, larvas se movendo, e a cada passo, o corpo emitia sons estranhos.
— Ah! Que nojo, sua bruxa maldita! — gritou Wan Si. O horror da cena fez todos sentirem novamente ânsia de vômito.
Tian Yi, reprimindo o enjoo, falou:
— Maldita, tão cruel! Hoje, não vou te deixar viva!
Ele avançou, e a velha, num movimento brusco, fez o cadáver ao lado atacar Tian Yi. Embora tivesse passos lentos, no combate era veloz e agressivo.
Os dois se chocaram, e logo o lugar se encheu de poeira e capim seco voando. A velha ficou surpresa — não esperava tamanha resistência. Tian Yi, por sua vez, sentia o corpo se fortalecer a cada golpe, como ferro recém-forjado sendo moldado.
A velha, vendo-se em apuros, infundiu uma onda de energia no cadáver, que então exibiu um rosto masculino distorcido, abriu uma boca ensanguentada e soltou um rugido ensurdecedor, avançando sobre Tian Yi.
Marcas fundas no chão mostravam sua força, e o vento dos punhos, misturado com areia e pedras, partia rumo a Tian Yi, que, cheio de raiva, gritava:
— Esse brutamontes é comigo! Vocês cuidem da bruxa, não deixem que ela o ajude! Eu lido com ele!
Ao terminar de falar, todos se uniram e atacaram a velha.
— Vocês, meros consolidados, desafiam a mim? Então verão o que é a plenitude da consolidação!
A bruxa puxou de trás um bastão azul reluzente e avançou.
O ambiente tornou-se sombrio e caótico, a batalha era de vida ou morte.
O grupo lutava ferozmente; a velha, enfrentando seis de uma vez, já não conseguia se defender direito. Não esperava que houvesse dois com corpos espirituais entre eles. Devido a esse erro, só conseguia se defender e não tinha tempo para cuidar de seus "tesouros".