Capítulo Quatro: Renascendo das Cinzas

O Grande Criador Divino O Banimento Desaparecido 2535 palavras 2026-02-07 13:23:05

— Explosão infantil? Espere um pouco... — disse Qian Senlin com um tom sombrio. — Explosão infantil? Você não deseja mais reencarnar? Vale a pena tudo isso por seu irmão? Volte comigo, o Mestre da Seita apenas lhes manterá em prisão domiciliar, não irá matá-los.

— Ha... cof cof... Voltar? Voltar para ser usada por Qian Feng para ameaçar meu irmão? Sonhe! Nunca!

— Contudo, se você permitir que ela vá embora, qual o problema em eu retornar com você?

— Ela? Acha mesmo que alguém tão frágil conseguirá sair viva daqui? Além disso, está envenenada. Mesmo protegida com sua energia espiritual, só sobreviverá por um ano. Como ela vai viver sozinha?

— Isso não é da sua conta! Basta concordar em deixá-la ir. Ou será que você tem medo dela... hehe...

— Está bem! Concordo em deixá-la ir — respondeu Qian Senlin.

— Chefe, isso não é apropriado. O Mestre da Seita foi claro quanto à vida ou morte... — murmurou Qian Tou, sombrio ao lado.

— Qian Tou? Minhas palavras não valem nada? Você pode relatar tudo ao Mestre depois, mas por agora é melhor me obedecer. Caso contrário, minha Palma Venenosa não perdoará ninguém.

Qian Tou, rangendo os dentes, acenou para seus homens, dispersando-os rapidamente pela floresta.

Qian Hai baixou o olhar para Yingying.

— Tome cuidado no caminho, procure pelo Vovô Xiang, ele poderá te salvar — disse, retirando algumas moedas espirituais e entregando-as à menina.

— Papai... papai... não quero te deixar... — soluçou Yingying.

— Vá agora!

Qian Hai acompanhou com os olhos a figura de Yingying se afastando lentamente, até que ela sumiu no horizonte enevoado. Então, virou-se para trás com um longo suspiro.

— Vamos, irei com vocês — disse, ajeitando as vestes. Ainda recordava dos tempos em que fora um homem elegante e respeitado. Sorriu amargamente ao ver um velho amigo reduzido àquela situação.

Eles se aproximaram devagar.

— Qian Senlin, cuide-se!

Ao terminar, Qian Hai sacou novamente sua Arma do Destino, bradando em alto e bom som:

— Pela última vez, por meu irmão!

— Explodir... explodir!

Ouviram-se dois gritos secos. De repente, não restava mais cor no mundo. Uma luz branca e ofuscante emanou do corpo de Qian Hai, transformando todo o vale em terra arrasada.

Corpo e alma destruídos, Qian Hai deixou de existir neste mundo. Gritos angustiados ecoaram ao redor.

— Ah... ah!

— Qian Hai, vou te matar, confiei tanto em você! — berrou Qian Senlin, tomado de ódio.

— Chefe, e agora...? — arriscou um dos homens.

— Vão! Tragam de volta aquela garota, viva ou morta! — ordenou, arrastando seu corpo ensanguentado para longe.

— Atrás dela! — Qian Tou e seus asseclas sumiram na floresta.

Corra... preciso correr, preciso sobreviver. Preciso salvar meu irmão...

— Irmão?

Ela tocou de leve o pingente de jade no pescoço. Então, ali dentro estava o irmão que nunca conhecera. Que curiosidade sentia...

— Ué, por que essa pedra de nove cores não entra no anel? Que estranho... Deixa para lá.

Colocou-a no bolso do casaco, distraída.

O rosto da menina exibia uma pureza e clareza que tocava qualquer um. Mesmo pálida, seus traços infantis mostravam uma determinação firme.

Por montanhas e rios, não ousou parar um instante sequer. Pequena e frágil, era como um graveto ao vento, sem apoio algum neste vasto mundo.

Passava os dias na floresta; por sorte, o pai lhe ensinara desde cedo a sobreviver na mata. Os últimos dias foram exaustivos, e ela desejava apenas um lugar para descansar. Porém, o céu não favorece sempre a mesma pessoa. À noite, desabou uma tempestade, trovões e relâmpagos incessantes tornavam a noite assustadora. Uma menininha de rosto pálido encolhia-se num buraco de árvore, tentando se abrigar.

Retirou a pedra de gravação de som que o pai lhe dera e escutou: seu irmão não estava morto, apenas sua alma estava fragmentada e guardada junto ao pingente. Mas para salvá-lo, precisaria ir aos Quatro Grandes Mundos Celestiais. Algo que ela jamais ouvira falar. Descobriu também que sua mãe era... Ela, tão confusa, não percebia que o perigo se aproximava.

— Que tempo miserável, ainda chovendo! Qian Tou, vamos descansar um pouco? Por causa de uma menina envenenada não precisamos ter pressa... — reclamavam os homens de Qian Tou.

— Vocês não sabem de nada! É a filha de Qian Yun. Vocês acham que isso é pouca coisa? Olhem bem, temos que encontrá-la! — respondeu ele, os olhos flamejando de crueldade.

Ergueram escudos de energia espiritual para se proteger da chuva.

— Qian Tou, acho que tem alguém aqui dentro! — gritou um deles, excitado.

— Dorme tão tranquila... Que gracinha, uma pena ser tão pequena — disse Qian Tou, aproximando-se.

— Ora, realmente é ela! Puxem-na para fora! Sem conversa fiada!

Yingying abriu os olhos, confusa.

— Quem são vocês? Soltem... soltem-me! — gritou, desesperada.

— Vamos te mandar para junto do seu irmão azarado! — rosnou Qian Tou, sacando uma longa lâmina e fitando-a com crueldade.

A menina estendeu as mãos, suplicando por piedade. Precisava ir para o Oriente, encontrar o Vovô Xiang, não sabia ainda como salvar o irmão. Tanta coisa por fazer... Não queria morrer ali. Esperava, do fundo do coração, que o pai viesse salvá-la, como sempre fizera. Seu olhar se tornou firme e, com voz teimosa, declarou:

— Meu pai vai me encontrar, vai me salvar!

As risadas cruéis dos homens ecoaram.

— Te salvar? Seu pobre pai já morreu, não virá mais.

— Mentira! Meu pai não pode estar morto! — murmurou, largando as mãos e apertando as bordas do casaco, esfregando a pedra no bolso. Diante dela, a dor era imensa, uma solidão infinita. A morte parecia distante, mas tão próxima... Dias atrás, vivia tranquila ao lado do pai. Agora, sentia o mundo gelado, mas suas mãos permaneciam aquecidas.

De repente, uma lâmina atravessou seu peito. O sangue escorreu sem parar.

Naquele instante, o mundo pareceu silenciar.

— Vamos, deixem-na morrer aqui — disse Qian Tou, olhando para o céu. — Voltemos ao templo.

Num piscar de olhos, Qian Tou e seus homens desapareceram na floresta.

A chuva continuava a cair, a noite se adensava, o mundo inteiro transbordava de teimosia e inconformismo.

Ninguém soube dizer quando a mão da menina se colocou sobre o peito. O sangue não jorrava mais. Em meio à névoa, vislumbrou alguém se aproximando.

— Irmão... — murmurou Yingying, confusa. — É mesmo você? Estou com tanto medo, tão cansada...

Seus dedos cerraram com força a pedra de jade, como se ali residisse todo o seu mundo.

— Papai já se foi... irmão... — lágrimas de tristeza escorreram pelo rosto.

Naquela noite escura, uma figura branca emergiu lentamente de sua testa. Era um menino: pele alva, traços delicados e ao mesmo tempo belos. Seu olhar terno pousou sobre a menina, a mão acariciando suavemente seus cabelos. Olhou para a pedra de nove cores na mão dela e, com voz suave e juvenil, chamou:

— Maninha...

Logo uma luz branca penetrou o ferimento, que miraculosamente começou a se fechar. O som de batidas de coração voltou a ecoar, e, para surpresa do mundo, a pedra espiritual também passou a pulsar, como se tivesse vida própria.