Capítulo Dezoito: O Reencontro

O Grande Criador Divino O Banimento Desaparecido 2380 palavras 2026-02-07 13:23:12

— Muito bem, é necessário alcançar o estágio de Fundação para poder solicitar a passagem à Região Intermediária. Esforce-se. — Assim que terminou de falar, o Ancião Chen retirou o “Disco Celestial” e, ao injetar uma aura espiritual, a névoa que envolvia a montanha se abriu como se fosse rasgada à força, deixando uma passagem estreita, suficiente apenas para uma pessoa. Tianyi virou-se, fez uma reverência de despedida ao mestre e entrou resoluto.

— Ancião Chen, não imaginei que o Mestre do Portão lhe emprestaria o Disco Celestial para que você pudesse compreender. Parece que está prestes a atravessar a tribulação, não? — comentou alguém.

— Hehe, não tive escolha, pedi ao Mestre do Portão. Não estou nada confiante em atravessar a tribulação. O mundo está prestes a mergulhar no caos; é melhor aproveitar o tempo para aprimorar o cultivo — respondeu Chen.

— É verdade. Preciso ir. Cuide desse jovem para mim, mas não interfira demais. O Mestre do Portão fez cálculos e acredita que esse garoto pode ser nossa esperança no futuro. Vou me recolher em reclusão.

— Ai... O Mestre do Portão se esforçou tanto... Vida e morte são destino, sucesso ou fracasso dependem do céu — suspirou o Ancião Chen, sentando-se de pernas cruzadas.

Tianyi avançou lentamente e, aos poucos, a paisagem à frente tornou-se clara. O ar ali era incrivelmente puro e agradável; cada centímetro de sua pele parecia respirar.

Diante de si, um tapete de relva verde, árvores entrelaçadas, um pequeno rio sinuoso como uma fita azul cruzava o local. Ao longe, uma cabana singela e harmoniosa despontava, e um som intermitente de leitura de livros ecoava no ar, tornando o ambiente repleto de silêncio e serenidade.

Sem perceber, Tianyi sentou-se de pernas cruzadas, e o som tornou-se ainda mais nítido, como se alguém sussurrasse em seu ouvido: “Desejando absorver a essência do céu e da terra, para harmonizar o coração, e depois fortalecer-se com o auxílio dos nobres, a força dos homens é sem limites, bastando afastar as próprias limitações para transformar-se”.

— Bom rapaz, tão jovem e já consegue compreender este estágio. Logo na primeira vez percebeu a essência que deixei aqui. É um talento promissor. Vou ajudá-lo — disse um ancião de sobrancelhas e barba brancas, surgindo de súbito diante de Tianyi. Observando-o atentamente, murmurou: — Sim, talvez seja mesmo a esperança futura da nossa seita. — Em seguida, um raio de luz pousou entre as sobrancelhas de Tianyi e, num piscar de olhos, o ancião desapareceu.

Tudo o que ocorria parecia alheio a Tianyi. Não sentiu ninguém se aproximar, sua mente não percebeu nada; felizmente ninguém lhe fez mal, pois ele ainda não conhecia as crueldades do mundo dos cultivadores.

O tempo de queima de um incenso passou e Tianyi abriu os olhos. — Como vim parar aqui meditando? Parecia ouvir alguma voz... Ali na frente havia uma cabana antiga, mas agora não vejo mais nada. Melhor continuar e observar.

— Pare aí, garoto, é novo por aqui, não viu que está escrito que a taxa de passagem é uma pedra espiritual? Pague antes de entrar! — Dois cultivadores de túnica amarela surgiram de trás das pedras.

Tianyi continuava andando, mas não encontrou mais a cabana, e o som sumira por completo. Imerso em seus pensamentos, levou um susto com o grito dos dois.

— O quê? Pedir pedra espiritual de mim? Estão me assaltando? Sabem quem eu sou? Vocês acham que qualquer um pode aprender a roubar? Eu cresci entre bandidos... — Disparou as palavras numa sequência tão rápida que deixou os dois cultivadores de túnica amarela sem saber o que responder.

— Garoto, você realmente tem uma língua afiada. Mas, de qualquer forma, tem que pagar.

— Pagar? Pagar o quê? — Frente ao portão, as discussões entre eles se acirraram, de um lado dois homens altos de túnica amarela, do outro, Tianyi sozinho, mas sem perder o vigor. Logo, o burburinho atraiu muitos curiosos.

A cobrança da taxa era uma regra criada pelos jovens senhores do local, que se revezavam anualmente para arrecadar pedras espirituais, que eram usadas por seus subordinados para cultivo. Naquele ano, era a vez dos homens de Xiu.

Todos os dias, Qian Tianying vinha ao portão esperar para ver se encontrava seu irmão Tianyi. Como de costume, desejava ver a silhueta de alguém surgir ali.

Vestia-se de verde, elegante e discreta, cabelos negros como nuvens caíam como cascata, dedos alvos como jade ajeitavam suavemente a franja, usava delicadas botinas de cetim branco e caminhava lentamente, bela como uma deusa saída de uma pintura.

— Vejam, Qian Tianying apareceu de novo. Não sei o que vem fazer aqui todos os dias, será que espera alguém? Está sempre com o rosto fechado, não entendo o que o jovem Xiu vê nela. Se ela chegou, é questão de tempo até Xiu aparecer — cochichavam.

De longe, Tianying avistou o aglomerado à entrada. Nunca gostou de multidões. Desde que chegou ali, sempre estudou e cultivou sozinha. Se não fosse pelo apoio do jovem Xiu, já teria perdido o local de cultivo. Naquele dia, ao ouvir os comentários de que um garoto discutia com os guardas sobre a taxa, uma imagem surgiu em sua mente: seu irmão Tianyi.

Não via o irmão há dois anos, não sabia como ele estava, se já se tornara cultivador. Só ali entendeu o que era ser um cultivador, o que era energia espiritual. Tianyi era tão inteligente, certamente a encontraria logo. Como sentia saudades dele.

Aproximando-se da multidão, Tianying avistou de repente: — É Tianyi? Ele parece crescido... Tianyi! Tianyi! — Gritando e correndo, abriu caminho por entre as pessoas e atirou-se em direção a ele. Era mesmo Tianyi. As lágrimas escorreram sem cessar. Depois de dois anos, finalmente revia o irmão tão querido.

— Parece a voz da minha irmã... Irmã? — Tianyi olhou ao redor. — Irmã, é mesmo você? — Não imaginava que logo ao chegar a reencontraria.

Esqueceu a discussão, só tinha olhos para a silhueta de verde correndo em sua direção. — Irmã, é mesmo você? — Esfregou os olhos, sem acreditar. Esforçara-se tanto no cultivo só para poder estar ao lado dela.

Tianyi correu ao seu encontro, não queria que a irmã se cansasse. Todos olharam admirados para os dois que se abraçavam e choravam, como se nada ao redor existisse. — Não é aquela a senhorita Ying, cortejada por Xiu há dois anos sem sucesso? Como pode estar abraçada a um recém-chegado?

— Estamos perdidos! Se Xiu vir isso, estaremos em apuros — sussurraram os dois guardas. Mal terminaram de falar, Xiu já vinha cavalgando seu cavalo celestial. Fugir já era impossível.

Quase todos os dias, Xiu esperava Tianying aparecer, então se aproximava, arranjava uma desculpa para conversar e, assim, ia entendendo porque ela vinha diariamente: esperava o irmão.

No primeiro dia de Tianying ali, foi importunada por alguns desordeiros e, por acaso, Xiu a salvou. Encantou-se por sua beleza e, desde então, a cortejou incansavelmente, chegando a declarar que só se casaria com ela. Mas, passados dois anos, Tianying tornou-se ainda mais fria com ele.