Capítulo Seis – Velho das Ervas
— Terceiro irmão, já estamos aqui neste fim de mundo há horas e ninguém apareceu até agora. Hoje em dia há cada vez mais pobres, assaltá-los já nem tem graça. Da próxima vez, presta atenção, não vá encontrar de novo alguém tão miserável que nem tem o que comer — disse, com voz soturna, um homem de pele escura e uma cicatriz no rosto.
— Segundo irmão, pode ficar tranquilo. Afinal, eu saí do Portão Celestial, não? Ainda consigo perceber algumas coisas — respondeu um homem de robe cinzento, de pé num canto de uma grande pedra.
Um grandalhão, em cima da pedra, sorriu e disse:
— Terceiro, será que dá pra não ficar sempre falando que foi expulso daquele portão, depois de girar por ali?
— Hehe... Irmão mais velho, que palavras são essas? De qualquer forma, eu saí de lá, não? Psiu... Fiquem quietos! Sinto que algo valioso está vindo na nossa direção. Com certeza é um tesouro, a energia é intensa! Irmão mais velho, irmão do meio, desta vez vamos pegar um cordeiro gordo!
— Irmã, estou com fome. Podemos descansar um pouco? — disse Tianyi, com ar cansado e desanimado.
A dupla de irmãos aproximou-se lentamente da grande pedra.
— Parem! De onde vocês vêm? — uma voz abrupta ecoou na floresta.
— Tianyi, venha para cá! — Tianyi, assustado, gritou — Quem são vocês?
— Haha, são só duas crianças. Terceiro irmão, você se enganou de novo — disse o homem de pele escura, saltando de trás da pedra com uma longa faca.
— Quem são vocês? Somos apenas viajantes, não temos dinheiro. Só queremos chegar logo à cidade — respondeu Yingying, mantendo a calma.
— Viajantes? Vejo uma aura de tesouro emanando de vocês. Devem carregar algo valioso — comentou o homem de robe cinzento, o terceiro irmão.
— Já está escuro. Levem essas duas crianças para a montanha. O Velho dos Remédios anda procurando um jovem para seus experimentos. Vamos, rapazes, de volta à montanha!
— Certo, chefe! — gritaram os ladrões em coro.
— Venha, Tianyi, não tenha medo. A irmã está aqui para te proteger — disse Yingying, olhando carinhosamente para o irmão.
— Não tenho medo deles, irmã. Sinto uma força dentro de mim, como se estivesse rompendo meu corpo. Acho que consigo lutar contra eles, posso te proteger — Tianyi olhou para a irmã e encarou os bandidos com raiva.
Um dedo delicado e pálido tocou levemente a testa de Tianyi.
— Tianyi é forte. Quando crescer, vai proteger a irmã. Mas desta vez, deixe que eu cuido de você.
Em pouco tempo, eles foram levados até a entrada do reduto dos bandidos. O portão era imponente, com pedras estranhas e escadas de pedra azul de ambos os lados, cada degrau guardado por um homem robusto. Na frente, duas estátuas de feras desconhecidas estavam sentadas. Acima, uma placa anunciava: "Reduto das Cinco Montanhas". Mais adiante, um pavilhão grandioso erguia-se no topo da montanha.
— Velho dos Remédios! Velho dos Remédios! Trouxe os jovens que procurava, venha ver se servem! — gritou o segundo irmão.
Os três irmãos conduziram as crianças ao salão principal. No centro, um trono luxuoso coberto de peles de feras, com a cabeça de um tigre pendurada na parede. Acima, um grande caractere: Honestidade, emanando simplicidade e imponência.
Um velho de rosto enrugado, cabelos brancos e passos vacilantes, apoiado num bastão, apareceu e sentou-se ali.
— Saudações, Velho dos Remédios!
Todos os bandidos curvaram-se e saudaram em uníssono.
Ouvindo o chamado, o Velho dos Remédios levantou a cabeça branca, afastou alguns fios de cabelo da testa e, ao ver as crianças, seus olhos brilharam com intensidade assustadora. Eram perfeitos, ideais para seus propósitos, pensou ele, sentindo uma onda de emoções. Olhou fixamente para Tianyi, convencido de que poderia recuperar sua saúde e juventude. Ao tocar o próprio rosto de aparência desagradável, suas mãos começaram a tremer.
— Muito bem, levantem-se. Tigre Pequeno, vocês fizeram um ótimo trabalho. Aqui estão três pílulas de vigor, cada um de vocês pode tomar uma — disse o Velho dos Remédios, contendo o entusiasmo.
Dashan sentiu um olhar frio vindo da frente e arrepiou-se. Por estar com a cabeça baixa, não viu claramente, nem imaginou que fosse o Velho dos Remédios. Normalmente, ele era gentil e afável, além de ser um alquimista vindo do Santuário dos Remédios.
Os três irmãos haviam encontrado o Velho dos Remédios num assalto ao pé da montanha. Viram dois cultivadores lutando à distância e, quando tudo se acalmou, se aproximaram e encontraram o velho à beira da morte. Ele disse que era do Santuário dos Remédios, estava perseguindo um traidor, e acabou envenenado pelo próprio alvo. Sem forças para sobreviver, entregou a cada um uma pílula de vigor e pediu para deixá-lo ali. Mas o segundo irmão insistiu em levá-lo para o reduto, acreditando que deviam retribuir o favor. Assim, o Velho dos Remédios ficou com eles, já havia dois anos. Com sua presença, o poder do reduto aumentou, suas pílulas fortaleceram os três irmãos, que eliminaram os outros redutos da região. Agora, as Cinco Montanhas estavam sob seu comando.
Porém, desde que o Velho dos Remédios chegou, pessoas começaram a desaparecer misteriosamente. Poucos dias depois, ele lhes dava três pílulas de vigor, tornando-os cada vez mais fortes. O Velho dos Remédios prometia que, quando seus corpos fossem suficientemente robustos, ensinaria-os a cultivar e se tornarem verdadeiros cultivadores. Sempre que ingeriam o remédio, ele exigia que meditassem por alguns dias, absorvendo os efeitos. Com o tempo, os irmãos deixaram de se importar com os desaparecimentos.
— Obrigado, Velho dos Remédios — pensou Dashan, sentindo um olhar fixo sobre si.
— Podem ir descansar, já é tarde. Deixem as crianças comigo, vou ensiná-los algumas tarefas básicas.
O Velho dos Remédios levou os irmãos até o quarto dos fundos.
— Como se chamam? Por que estão sozinhos por essas montanhas? Venham, devem estar famintos. Comam algo, depois descansem bem. Amanhã explico o que precisam fazer — disse o Velho, com semblante gentil.
Tianyi puxou a irmã para que ela se inclinasse. Sussurrou ao ouvido:
— Irmã, acho que esse velho não é boa pessoa, parece que quer nos devorar.
Yingying olhou para o Velho dos Remédios e respondeu:
— Vovô, meu nome é Qian Tianying, meu irmão se chama Tianyi. Estamos indo para o Portão Celestial, estamos com pressa. Vovô, pode nos deixar ir?
— Ir? Se têm um compromisso, podem partir amanhã. Tianyi? Que sobrenome estranho, ele se chama Tian? — perguntou o Velho, intrigado.
Yingying sorriu, aliviada ao ouvir que poderiam ir embora na manhã seguinte.
— Sim, fui eu que escolhi o nome dele. Quando acordei, ele estava ao meu lado. Eu tinha um irmão chamado Qian Tianyi, mas ele se foi. Agora, como se o céu tivesse me dado outro irmão, dei-lhe o mesmo nome. Meu irmão gosta muito desse nome — disse Yingying, orgulhosa.
— Entendi. E Qian Yun, quem é para você? — continuou o Velho.
— Qian Hai é meu pai. Ele dizia que sou sua filha de sangue, mas também não está mais conosco.
— Então você é a joia do Santuário Qian. Amanhã eu mesmo levo vocês até a base da montanha e aviso seu clã para buscá-los. Podem descansar em outro quarto — disse o Velho, indo para o seu próprio aposento.
— Irmã, ainda sinto que esse velho não é confiável. Ele nos olha como se fôssemos comida — murmurou Tianyi, inquieto.
— Vamos descansar logo, ele já prometeu que nos leva amanhã cedo para fora da montanha.