Capítulo Oito: O Salto do Peixe sobre o Portal do Dragão (Parte Dois)

O Grande Criador Divino O Banimento Desaparecido 2313 palavras 2026-02-07 13:23:07

— Não gritem mais, fiquem quietos aí dentro, comportem-se. Quando eu transformar vocês em pílulas medicinais, ao menos terão servido para contribuir comigo — a voz rouca do Velho das Ervas ecoou. Se não fosse por aquela pedra medicinal miserável, que não sei como soube do meu Fogo dos Cadáveres e me atraiu até esse lugar dizendo que havia um pequeno segredo, e ainda ousou espreitar meu fogo... acabou morrendo pelas minhas mãos. Por sorte, já havia dominado a Mão Cadavérica, mas isso custou a minha própria essência vital, quase me levando à destruição. Agora, até usar energia espiritual se tornou exaustivo. Assim que transformar esses dois em pílulas, estarei praticamente recuperado e, então, o céu será o limite para mim.

O Velho das Ervas estava sentado em posição de lótus ao redor do forno alquímico, executando uma série de gestos complexos. Cuspiu uma golfada de sangue negro-avermelhado. Bastava esperar aqueles dois se desfazerem em polpa, então, misturando seu sangue, a Pílula da Longevidade de Beidou estaria prestes a se formar. O sangue deles realmente não era comum, ainda tinham forças para gritar depois de tanto tempo.

— Irmã! Irmã! — gritou Tianyi furioso, incapaz de assistir à morte da irmã diante de seus olhos. Queria levá-la para a Seita Celestial, chamando com esperança de que ela abrisse os olhos e lhe dirigisse a palavra.

A temperatura dentro do forno aumentava cada vez mais. Tianyi sentiu aquela força dentro de si reaparecendo. De repente, seus olhos arderam, cada veia parecia prestes a explodir, e escamas de nove cores, brilhando em dourado, começaram a surgir na pele, como se fossem as marcas entalhadas em seu corpo, trazendo a sensação de uma tempestade iminente.

Respirou fundo, fechou os olhos, suportando a dor daquela força avassaladora, entregando-se a ela. Em seu rosto infantil, uma expressão de determinação apareceu. “Preciso salvar minha irmã, preciso tirá-la daqui”, repetia em pensamento.

A força era tão grande que Tianyi não conseguiu mais conter-se e gritou: — Aaaah! — O forno de alquimia começou a tremer violentamente, uma luz dourada explodiu como estrelas em supernova, e nas paredes do forno surgiram fendas regulares, semelhantes a escamas, que aumentavam e se dividiam. Com um estrondo, o forno explodiu em incontáveis fragmentos.

O Velho das Ervas, pego de surpresa, ficou atordoado. Rangeu os dentes e expulsou o que restava de sua essência vital, tentando proteger-se da explosão.

Um jorro de sangue misturado a órgãos internos escapou de sua boca. Fragmentos voaram em sua direção, cortando sua pele e músculos como lâminas, dilacerando seus tendões. O Velho das Ervas vomitou mais sangue negro e desmaiou.

Tianyi caiu no chão, sem forças, e também perdeu a consciência.

O silêncio tomou conta da caverna. Insetos venenosos começaram a espiar, e gotas de líquido transparente escorriam das fendas nas pedras. Os insetos abriram as bocas, ergueram as cabeças e beberam avidamente. Seus corpos mudaram do verde para o azul, depois para o ciano, tornando-se cada vez mais moles até não conseguirem mais erguer a cabeça, deitando-se no chão.

Ping... Ping... Tianyi sentiu algo frio e úmido. Abriu os olhos lentamente e viu o caos ao redor, sem saber o que havia acontecido. Sua irmã ainda estava ao seu lado, a respiração quase imperceptível. Tianyi colocou a cabeça dela em seu colo.

— Irmã — murmurou, balançando-a suavemente. — Acorde, acorde...

Ping... Ping... Duas gotas d'água caíram em seu braço, deslizaram até seu ferimento e, misturadas ao sangue, chegaram aos lábios da irmã. Ela abriu os olhos devagar.

— Irmão... — Com esforço, levantou as mãos e tocou o rosto dele. — O que aconteceu? Morremos?

— Não sei, não lembro o que aconteceu, mas não morremos. Uma força explodiu dentro de mim e destruiu o forno. Como você está se sentindo?

— Estou bem, meio tonta, mas parece que bebi um pouco de água e melhorei.

— Irmã, descanse um pouco. Vou olhar ao redor.

O sangue de Tianyi milagrosamente parou de escorrer quando ele acordou. Levantou-se com dificuldade e olhou ao redor. Viu que as vestes vermelhas do Velho das Ervas estavam em farrapos, cobertas de sangue fétido, e suas mãos haviam sido destruídas pela explosão. Todos os instrumentos da caverna haviam sumido. Chutou-o levemente e percebeu que ele ainda respirava, mas estava completamente imóvel.

Ao se levantar, Tianyi notou algo estranho em um canto. Aproximou-se com cautela, depois voltou para perto da irmã.

Os três irmãos estavam sentados no salão, bebendo e comendo carne, quando um estrondo os surpreendeu.

— Dourado, ouviu esse barulho? Será que aconteceu algo com o Velho das Ervas? — disse Dashan, preocupado.

— Irmão, impossível, era só para entregar alguém. Desta vez o Velho das Ervas insistiu em ir sozinho. Não acham isso estranho?

— Estranho por quê? Ele sempre foi bom conosco, nos dava pílulas e ajudou a unificar os Cinco Picos — resmungou o segundo irmão, comendo e bebendo.

— Deixa pra lá, segundo irmão, beba seu vinho — o terceiro revirou os olhos. — Irmão, agora que o Velho das Ervas não está, sinto algo estranho nesse velho. Diz ser da Seita das Ervas, mas não nos deixa avisar a seita. Apesar de ter nos ajudado a conquistar os Cinco Picos, nunca fala em voltar para lá. Vocês notaram que, desde que chegou, nossos irmãos desaparecem misteriosamente, sem deixar rastros? Tenho minhas dúvidas sobre esse velho ser tão bondoso quanto parece. O que acha, irmão?

— Sim, também sinto isso. Apesar de nunca ter cultivado, sempre vivemos no fio da navalha. Mas toda vez que vejo o Velho das Ervas, sinto um frio na espinha, como se uma fera me observasse.

— Irmão, terceiro irmão, não me assustem. Nós três passamos por tudo juntos. Terceiro irmão, você é esperto, e se descêssemos a montanha para dar uma olhada?

Pegaram as longas facas da mesa e saíram apressados.

— O barulho veio do outro lado da montanha. Conheço um atalho. Olhem, parece que alguém passou por aqui agora, galhos quebrados ao lado da trilha. Rápido, será que querem atacar nosso acampamento pelos fundos?

Tianyi examinava a caverna quando ouviu vozes se aproximando.

— Irmã, melhorou? Não há nada para comer aqui, tudo explodiu. Parece que alguém está vindo.

— Tianyi, o que fazemos? — perguntou a irmã, aflita.

Tianyi a abraçou forte.

De repente, sem motivo aparente, a irmã desmaiou novamente.