Capítulo Cinco O Céu Primeiro

O Grande Criador Divino O Banimento Desaparecido 2581 palavras 2026-02-07 13:23:06

A noite passou e, após a chuva, o céu estava incrivelmente límpido, independentemente da hora. O silêncio da floresta foi rompido pouco a pouco pelo farfalhar das folhas. De repente, uma jovem sentou-se subitamente, surpresa. “Eu não havia morrido? O que está acontecendo?” Com as mãos sustentando a cabeça, lembrou-se de um sonho caloroso que tivera durante a noite: um rapaz a salvara, alguém que parecia ser seu irmão. “Ah...” Instintivamente levou as mãos ao peito. “Onde está meu amuleto de jade? O que aconteceu? Teria sido mesmo o meu irmão? Ele me salvou?” Porém, ao olhar ao redor, percebeu que o irmão desaparecera e a Pedra Espiritual também sumira, embora ela se lembrasse claramente de tê-la guardado no bolso.

Enquanto se perdia nesses pensamentos, outro ruído se fez ouvir ao seu lado. Um menino, muito limpo e com cerca de quatro ou cinco anos, estava ali, fitando-a com olhos puros e inocentes, como se pedisse um abraço.

“Irmão?” Um pensamento absurdo surgiu em sua mente. “Por que pensei nisso?” Olhando para ele, sentiu uma estranha familiaridade, como a sensação de estar com o pai. E, ao lembrar-se da morte do pai, a tristeza voltou a tomar conta de seu coração.

Duas pequenas mãos estenderam-se devagar, limpando suavemente suas lágrimas.

Vendo isso, a jovem abraçou lentamente o menino e sussurrou: “Irmão, minha vida foi você quem me deu, mas agora você sumiu. Já que esse pequeno veio parar ao meu lado, daqui para frente serei eu quem cuidará dele!”

“Qual é o seu nome?”, perguntou ela.

O menino balbuciava, incapaz de articular qualquer palavra compreensível.

Pensativa, ela olhou para ele: “Você vai se chamar Tianyi. Meu pai sempre disse que eu tinha um irmão chamado Qian Tianyi, mas nunca o conheci. Sinto que talvez ele tenha me salvado e depois desapareceu. De agora em diante, cuidarei de você, tudo bem? Mas você tem que me chamar de irmã!”

O menino sorriu largamente, os lábios se arqueando de alegria, e começou a saltitar de felicidade.

O sorriso travesso de Tianyi fez a jovem rir, um leve arco desenhou-se em seus lábios. Ter alguém a quem se apegar amenizava, enfim, a dor da saudade.

“Vamos, precisamos seguir viagem.” Ela colocou Tianyi nas costas. O menino envolveu o pescoço da irmãzinha com as mãozinhas e logo adormeceu.

Agora, com ele, não poderia mais continuar perambulando pela floresta. Seguiu direto até uma aldeia próxima. Ao avistar as casas, decidiu descansar ali um pouco.

“Menina, como chegou aqui sozinha com uma criança? Está perdida? Venha, beba um pouco de água. Os tempos estão difíceis”, ofereceu uma senhora idosa.

“Obrigada, vovó. Vamos, Tianyi, entrar e beber um pouco de água.”

A bondosa senhora olhou para os dois com ternura e compaixão. “Ai... Meu marido já se foi há muito tempo, nunca tivemos filhos... Eles são tão frágeis, tão carentes”, pensou, com o coração apertado.

“Para onde vão, crianças?”

“Vovó, conhece o Portão Celeste? Preciso ir até lá”, respondeu a jovem com voz clara e luminosa.

“O Portão Celeste? É muito longe, fica ao leste. Vocês levariam dois ou três meses para chegar lá. Fiquem aqui esta noite, amanhã seguem viagem. Vocês parecem exaustos.”

A jovem olhou para Tianyi. “Está bem, obrigada, vovó.” Tianyi também tentou expressar sua gratidão, balbuciando.

A idosa sorriu com doçura: “Vou preparar algo para comer. Nessa idade, vocês precisam se alimentar bem.” E foi até o galpão de lenha.

“Tianyi, vou te ensinar a falar. Você é esperto, certamente aprenderá rápido.” Enquanto preparava a refeição, Tianyi já conseguia se comunicar de forma simples, chamando a irmã e dizendo o próprio nome.

Ao vê-lo pronunciar seu nome com tanta graça, a jovem não conteve o riso.

A vovó, ouvindo as vozes, voltou apressada. Quando ouviu o menino chamá-la de “vovó”, lágrimas brotaram em seus olhos. Virou-se discretamente para enxugar as lágrimas.

“Vovó, como se chama esta aldeia?”, perguntou curiosa.

“É a Aldeia dos Cinco Picos. As pessoas se refugiaram aqui para escapar das calamidades. Vivo aqui há mais de dez anos, e todos são muito amigáveis.”

“Por que se chama Aldeia dos Cinco Picos? Existem cinco montanhas aqui por perto?” Os olhos de Tianyi também expressavam curiosidade.

“Sim, menina. Logo à frente há cinco montanhas. Dizem que há salteadores nelas, por isso as pessoas evitam a região. Só alguns cultivadores se arriscam por lá. Venham, a comida está pronta. Esse garotinho se chama Tianyi? Um nome curioso.” A senhora sorriu carinhosamente.

A luz da manhã inundou a casa. Tianyi parecia banhado pelo sol, emitindo um leve brilho dourado. Vendo seu rostinho redondo e bochechudo, a jovem não resistiu e lhe apertou as bochechas.

Acariciada com doçura, Tianyi abriu lentamente os olhos e olhou para a irmã, que ainda lhe tocava o rosto.

“Irmã...” A voz preguiçosa, mas límpida, chamou-a.

Naquele momento, a jovem sentiu que havia amadurecido. Desejou poder viver assim com Tianyi todos os dias.

Acariciando-lhe a cabeça, disse: “Vamos levantar, temos que seguir viagem.”

A vovó já estava de pé, preparando o café da manhã para os dois. Observando-os comerem juntos, seus pensamentos voaram para longe.

“Vovó, logo teremos que partir, Tianyi e eu, rumo ao Portão Celeste”, disse a jovem, olhando para a idosa.

A mulher pareceu distante por um instante, até que a frase a trouxe de volta à realidade. “Vocês vão mesmo partir? Não querem ficar mais alguns dias?”

“Não, precisamos ir. Foi um pedido do nosso pai”, respondeu ela, firme.

“Então não vou insistir. Quando forem, contornem as Montanhas dos Cinco Picos, ali é perigoso. Aqui, fiquem com um pouco de dinheiro. Seguindo para o leste, chegarão à Nova Cidade Eterna, onde precisarão de dinheiro.”

“Não precisa, eu tenho”, disse a jovem, retirando uma moeda espiritual do anel.

A senhora arregalou os olhos de surpresa. “Um Anel Zimi? Como conseguiu isso, menina? E ainda tem uma moeda espiritual?”

“Foi meu pai quem me deu, disse que era muito valioso. Não sei ao certo.”

“E onde está seu pai? Como pôde deixá-la sozinha?”

“Meu pai morreu”, respondeu, enxugando as lágrimas.

“Nunca revele para ninguém que seu anel pode guardar objetos. Isso pode atrair assassinos. E não mostre as moedas espirituais por aí. O mundo está cheio de gente má. Guarde bem seu anel. Aqui estão algumas pedras espirituais, serão úteis na cidade.”

“Obrigada, vovó”, disse Tianyi, com voz clara.

“Cuidem-se na estrada”, murmurou a idosa, enxugando discretamente as lágrimas ao vê-los partir.

“Irmã, para onde vamos agora?”, perguntou Tianyi, saltitando à frente, sem demonstrar nenhuma tristeza pela despedida.

A jovem caminhava, pensando na senhora e em todo o carinho recebido. Olhou para o irmão, pulando adiante, inocente e feliz. Sentiu que havia compreendido algo.

“Melhor não contar ao meu irmão... Já fui envenenada. Papai disse que só conseguiria suprimir o veneno por um ano. É melhor encontrar o vovô Xiang o quanto antes.”

Um brilho firme surgiu nos olhos da jovem. “Tianyi, vamos pelas Montanhas dos Cinco Picos? Fica mais perto do Portão Celeste. Temos pouco tempo.”

“Tá bom, eu vou na frente!”, respondeu Tianyi, correndo atrás das borboletas e colhendo flores silvestres, aproximando-se cada vez mais das montanhas. O caminho ficou cada vez mais deserto, até que, imersos na floresta, perceberam que teriam de passar a noite entre as árvores.