Capítulo Vinte e Oito: Protesto

O Grande Criador Divino O Banimento Desaparecido 2227 palavras 2026-02-07 13:23:19

— Senhorita Íris, ninguém nos deu coragem, mas aqui está tudo muito injusto. Havíamos combinado uma pedra espiritual, mas agora vocês querem cobrar duas de mim. Como é que vamos sobreviver assim? Nós, irmãos, não suportamos mais tanta opressão e viemos pedir uma explicação! Não ousaríamos fazer nada contra você, ainda mais com o Senhor Xiu ao seu lado, mas o diretor do Pátio Celeste precisa nos dar um motivo!

— Um motivo? — ela resmungou. — Vocês estão fazendo todo esse alvoroço em frente à minha porta. Digam de uma vez, quem mandou vocês virem aqui?

Um dos homens de roupas justas avançou. — Ninguém nos mandou. E olhe bem, o que há no Pátio Celeste que valha a pena seguirmos? E além disso, deixar uma criança como você no comando, liderando-nos, é algo que não aceitamos!

— Se é assim, chega de conversa. Vocês querem melhores condições? Ótimo. Se algum de vocês, do mesmo nível, conseguir me vencer, passo o cargo de diretora para você. O que acham?

Um dos homens apressou-se em responder: — Muito bem! Já que a diretora falou, eu, Touro, venho aprender algumas lições! — Ele falava tão rápido e ansioso, como se temesse que alguém lhe roubasse o protagonismo.

Íris sentiu que havia algo errado. Como poderiam, logo ao chegarem ali, já se deparar com essa situação? E ainda tudo parecia mirar diretamente em Tianyi. — Irmão Dourado, irmão Tigre, o que está acontecendo? Esse Touro parecia só esperar Tianyi dar a palavra para poder medir forças.

— Isso não está nada bom… — respondeu um deles.

Ao redor, a multidão rapidamente se afastou. Touro era apenas um iniciante na arte da respiração, mas tinha uma natureza feroz. Avançou com força, um sorriso sinistro nos lábios, enquanto uma luz terrosa envolvia seus punhos, que se lançaram diretamente ao peito de Tianyi. O golpe era brutal e veloz. Sua aparência agressiva fez com que mais espectadores recuassem, certos de que ele pretendia decidir tudo em um único ataque.

— Morra! — berrou ele.

Alguns na plateia, já prevendo o desfecho trágico, desviaram o olhar, e algumas cultivadoras até cobriram os olhos com as mãos.

Um grito agudo irrompeu, seguido de um suspiro coletivo e, logo depois, de exclamações:

— Que incrível!

Tianyi esquivou-se de lado, abaixou-se rapidamente e atacou as pernas do adversário. Seus pés, envoltos em luz prateada, relampejaram contra os joelhos de Touro. Um estalo seco ecoou. Uma silhueta tombou de joelhos no chão, urrando de dor. Todos olharam para a pequena figura de Tianyi, que permanecia de pé, imponente como um deus da guerra.

— Ele é do raro atributo trovão! Dizem que esse poder tem uma explosão tremenda, e agora vejo que é verdade! — alguém murmurou na multidão.

Os cinco atributos comuns são os mais fáceis de despertar. Só assim alguém pode ser considerado um verdadeiro cultivador. Eis a diferença entre mortais e cultivadores. Alguns jamais despertam um atributo e levam uma vida comum. O mundo dos cultivadores, porém, está longe de ser pacífico. Dos cinco atributos raros, pouquíssimos conseguem despertá-los, mas quem consegue destaca-se entre os de seu nível e pode até desafiar adversários mais poderosos.

Touro, ainda de joelhos, não conseguia se levantar. Olhava estupefato para Tianyi, desejando poder matá-lo mil vezes. No fundo, xingava também o Senhor Xiu: “Droga! Ele disse que esse Tianyi só tinha força bruta e técnicas banais. Não faz nem um ano e já despertou um atributo raro! Agora estou aqui, humilhado, sem esperança de receber as pedras prometidas. Maldito Senhor Xiu!” Touro amaldiçoava sem parar em pensamento.

— Diga, quem mandou você fazer isso? Caso contrário, receio que terá de cuidar das mãos por um bom tempo!

Touro sentiu um frio cortante diante do olhar de Tianyi. Cuspiu sangue e murmurou, abafado: — Ninguém me mandou… Eu só não aceito ver uma criança no poder, por isso vim pedir explicações!

— Veio cobrar explicações de mim?

Em um lampejo prateado, Tianyi acertou as mãos do homem ajoelhado. Dois estalos secos, seguidos de um grito lancinante. Touro tombou de lado, o corpo tremendo incontrolavelmente, fazendo a multidão recuar mais alguns passos, involuntariamente.

— Esse assassino não sabe que não se pode matar aqui? Os guardiões vão aparecer!

— Tianyi é assustador. Melhor não mexer com ele — cochichavam alguns.

Nesse momento, uma força avassaladora desceu do céu e tomou forma no centro do pátio. Uma sombra branca, indistinta, ganhou contornos humanos. Observou a cena ao redor, fitou Tianyi por alguns segundos, olhou para o homem caído no chão, fez brilhar uma luz e desapareceu sem emitir som algum.

— Que susto! — exclamaram alguns.

Após alguns segundos, Touro, que jazia no chão, levantou-se de súbito, sacudiu a poeira das roupas, tocou o próprio rosto e gritou, eufórico:

— Haha! Então eu não morri! Que bom, não morri!

Ele falava sem sentido, até que viu Tianyi fitá-lo friamente. De repente, perdeu as forças, caiu de joelhos e começou a tremer.

— Fale. Se está vivo, diga quem está por trás disso!

De joelhos, Touro suava frio, sentia até a roupa molhada. Queria falar, mas não podia. Ele sabia como fora difícil chegar ali; tinha uma mãe idosa e vários irmãos menores. Todo mês, guardava as pedras espirituais recebidas, sem nunca usá-las, só para levar à mãe quando saía para fora do clã. Mas desta vez, o Senhor Xiu prometera que, se ele destruísse o braço de Tianyi, ganharia dez pedras espirituais — o suficiente para sustentar sua família por mais de um ano. Se revelasse o nome, sua família poderia sofrer represálias do Senhor Xiu. Para quem dependia totalmente da seita, a vida era dura, mas não havia alternativa. Só restava torcer para um dia a família produzir um discípulo de nível superior, para não precisar mais servir aos outros.

Tianyi percebeu a hesitação de Touro. Admirou sua lealdade, mas sabia que, se fosse complacente agora, no futuro seria cercado todos os dias e não conseguiria cultivar em paz. Endureceu o coração, e uma luz prateada voltou a envolver seus pés, que se ergueram lentamente.

— Por favor, diretor Tian, eu errei, mas realmente não posso contar… — Touro chorava, tremendo de medo, lágrimas rolando pelo rosto. Sem saber o que fazer, lançou um olhar suplicante para a senhorita Íris e assentiu levemente. — Diretor, eu me rendo de coração, peço que me poupe!

— Está bem — respondeu Tianyi, compreendendo de repente. Assentiu suavemente e, voltando-se para a multidão, exibiu um sorriso aberto.

— Agora, quero dizer mais uma coisa. Se ainda há alguém que não aceita minha liderança, que se apresente. Vamos competir de forma justa!