Capítulo Nove: O Salto do Peixe pelo Portal do Dragão (Parte III)
— Irmão mais velho, aqui tem uma caverna. O barulho deve ter vindo daqui. Vamos entrar para ver — disse um deles, quando passos se aproximaram.
— Olhem, quantas pedras caídas pelo chão da caverna! — exclamou um dos irmãos ao ver o ancião das ervas deitado no solo, o manto vermelho agora reduzido a trapos sujos. — Ancião das ervas!
Os três irmãos correram para junto dele, levantando seu corpo. O ancião permanecia imóvel, restando-lhe apenas um fio de respiração, sinal de que ainda não havia partido.
Pequeno Tigre ergueu o braço do ancião:
— Vejam, metade da palma da mão dele desapareceu! O que terá acontecido aqui? E por que há um forno de alquimia explodido?
Tianyi, abraçando a cabeça da irmã, observava tudo o que acontecia dentro da caverna.
— Irmão mais velho, olhe, são aquelas duas crianças — disse Ouro, aproximando-se de Tianyi. — Crianças, como vocês estão bem? O que aconteceu aqui? Por que o ancião das ervas está ferido e caído no chão?
— Salvem minha irmã, por favor. Depois conto tudo em detalhes. O ancião das ervas tentou nos transformar em elixires, então desmaiamos. Quando despertamos, não sabíamos o que tinha acontecido — explicou Tianyi.
O mais velho olhou ao redor, observando os destroços do forno de alquimia espalhados pela caverna. Ele apanhou um fragmento.
— Que força seria capaz de causar tamanha destruição?
— Pequeno Tigre, Ouro, levem as crianças. Precisamos sair daqui imediatamente — ordenou ele.
Assim, os três irmãos os carregaram nas costas, apressando-se para retornar à aldeia.
A noite caía, e uma chuva fina começou a cair sem que percebessem. Tianyi segurava a barra das roupas da irmã, caminhando a passos pequenos atrás de Ouro, olhando para a irmã com preocupação.
No caminho, Dashan não parava de lembrar de tudo o que tinha visto na caverna. Aquilo não era obra de gente comum — teria havido uma batalha de cultivadores ali? Um calafrio percorreu sua espinha.
— Andem mais rápido — ordenou Dashan. — Precisamos chegar à aldeia antes da madrugada.
— Está bem — respondeu Pequeno Tigre, ofegante.
De repente, a chuva engrossou, tornando o caminho lamacento e escorregadio. Tianyi tirou o próprio casaco e cobriu a irmã. A água fria escorria por sua cabeça, lavando o pescoço, os ombros e as costas. As feridas, antes ocultas pela lama, agora se revelavam — profundas, rasas, grandes e pequenas. Tianyi não sentia dor. Toda sua atenção era para a irmã. Desejava vê-la bem, que ela pudesse cuidar dele por toda a vida, e queria ele próprio tornar-se forte, capaz de protegê-la. O amor e a dependência que sentia por ela o faziam esquecer o frio e a dor. Olhando para o céu, sentiu-se fraco e pequeno, desejando crescer logo, para que maus elementos não machucassem mais sua irmã.
Quando chegaram à aldeia, Dashan ordenou:
— Pequeno Tigre, traga um balde de madeira e ferva um pouco de água quente.
— Ouro, vá buscar ramos de agulha e erva-de-espinho.
Primeiro, aplicaram remédio para estancar o sangue do ancião das ervas e deixaram um pouco de água ao lado, aguardando para ver se ele recobraria a consciência.
— Criança, diga o que aconteceu — pediu Dashan, refletindo sobre os dois irmãos. Lembrou-se de seu passado, quando perdeu os pais cedo e foi criado pela irmã, sempre segurando sua barra de roupa, curioso sobre tudo. Quando ficava doente, era ela quem velava por ele, sem comer nem beber.
Dashan balançou a cabeça, afastando esses pensamentos.
— O ancião das ervas é mau. Queria transformar a mim e minha irmã em elixir e nos colocou no forno de alquimia. Depois, contei o que aconteceu: não sei como, uma força surgiu em meu corpo e tudo explodiu. O forno explodiu... e foi isso.
— Irmão mais velho, a água quente e o balde estão aqui.
— Coloquem a menina no balde com ramos de agulha e erva-de-espinho.
Dashan tirou um ramo de agulha do balde e espetou no punho de Yingying. Imediatamente, um líquido negro-esverdeado escorreu. Repetiu o procedimento no outro braço, com o mesmo resultado.
Dashan sabia que a menina já estava envenenada antes, e agora, após tudo aquilo, o veneno certamente havia sido reativado. Dificilmente sobreviveria. Ordenou, então, que dessem roupas limpas para Yingying e Tianyi, para que pudessem descansar.
Os três irmãos reuniram-se diante do ancião das ervas. Olhavam para o velho, agora ainda mais ferido e desfigurado.
— Por que as crianças disseram que o ancião das ervas é mau? Não o levaram para baixo da montanha, mas quiseram usá-los para alquimia?
— Não pode ser. O ancião das ervas nunca foi assim conosco. Sempre cuidou dos doentes. Como poderia fazer mal a alguém?
— Mas então como explicar isso? Encontramos tudo nos fundos da montanha, e havia uma entrada de caverna que desconhecíamos. Crianças não mentiriam, certo? — ponderou Dashan.
Pequeno Tigre coçou a cabeça lisa:
— Uma vez, o ancião das ervas me perguntou se havia algum caminho para os fundos da montanha. Não sabia o que ele queria, mas acabei dizendo.
— Irmãos, aquele ancião é mesmo mau. Encontrei um cadáver dentro da caverna. Ele não é boa pessoa — disse Tianyi, saindo após ver a irmã dormir.
Dashan olhou para Tianyi e ordenou:
— Ouro, Pequeno Tigre, amanhã cedo vão até os fundos da montanha, levem alguns homens e vejam se encontram o cadáver que ele mencionou. Hoje, deixem alguém de guarda ao ancião das ervas. Todos, descansem.
Durante toda a noite, Tianyi ficou ao lado da irmã, sem saber por que ela ainda não despertava. Exausto, acabou adormecendo ao lado da cama.
De repente, sentiu-se imerso num devaneio, sem saber se era sonho ou realidade. Seu corpo parecia flutuar até um lugar envolto em névoa, com colunas esculpidas em jade e uma imponência majestosa. Ruínas infindas estavam ali, silenciosas e solenes, uma tristeza profunda pairando no ar. No centro, uma colossal base de coluna, quebrada e solitária, erguia-se imponente. Zumbidos ressoavam por todo o local, como se quisessem contar algo.
Onde seria aquilo? Como chegara ali?
O céu foi clareando, e um sol avermelhado surgiu ao leste, cobrindo as montanhas e vales com matizes de luz. Passos apressados quebraram o silêncio da aurora.
— Irmão mais velho, olhe!
Dois homens traziam uma tábua comprida, coberta por um pano cinza. Ao levantarem o pano, revelou-se um homem de rosto enegrecido e inchado, do qual escorria um líquido verde-escuro das mãos inchadas.
— Não é aquele nosso mensageiro, Zhuang? Como foi morrer envenenado assim? Será que foi mesmo o ancião das ervas quem fez isso? — perguntou Dashan, tenso. — Vamos ver o ancião.
— Chefe, o ancião das ervas parece melhor. Já lhe dei um pouco de água — disse um capanga de preto.
— Vasculhem o corpo do ancião, vejam se há algo com ele — ordenou Dashan. Dois capangas o revistaram, encontrando sob as roupas uma antiga e fina escritura, de material desconhecido, claramente antiquíssima.
— O Livro dos Marionetes Venenosos... — Dashan folheou algumas páginas, enquanto os irmãos se aproximavam assustados. — Livro dos Marionetes Venenosos! Então o ancião das ervas é um mestre dos venenos. Os remédios que tomávamos eram feitos de cadáveres. Isso é...
— Urgh... — Os três irmãos começaram a vomitar, ficando lívidos e suando em bicas.
Pequeno Tigre, apavorado, gritou:
— Como fomos comer remédios feitos de corpos? Foi esse velho maldito! Vamos despedaçá-lo e jogá-lo no covil dos lobos!
— Irmão mais velho, venha ver, tem um símbolo demoníaco gravado nas costas desse velho!
— Rápido, levem esse traste embora, arranquem-lhe as pernas e joguem-no nas profundezas da montanha para alimentar os lobos! — ordenou Dashan, com ódio.