Capítulo Sete O Salto do Peixe sobre o Portal do Dragão (Parte Um)
O velho Mestre das Ervas, em meio à agitação interior, não conseguia conter sua empolgação. Finalmente encontrara materiais excepcionais para o preparo de remédios. Os habitantes comuns da montanha não tinham o efeito desejado, quase o expondo; era preciso manter a calma, e de qualquer maneira, não deixaria os irmãos partirem no dia seguinte. O perigo parecia afastar-se, ao menos até que ele recuperasse seus poderes e saísse dali.
O dia amanheceu rapidamente, e uma aura dourada suave envolvia o corpo de Tianyi. Yingying espreguiçou-se ao lado do irmão, esticando os braços e dando-lhe leves tapinhas: "Vamos levantar." Pouco depois, foram chamados para se reunir no salão principal.
O velho já estava vestido e sentado numa cadeira, com um traje vermelho elegante. O terceiro irmão, intrigado, lançou-lhe um olhar: "Por que o Mestre das Ervas está tão cedo de pé? Disse que nos acompanharia até o sopé da montanha, mas não precisava ser tão formal..."
"Depois do café, levo vocês para baixo. Fiquem aqui na vila, eu mesmo os conduzo. Gosto desses dois jovens, sinto que meu corpo ganhou nova vitalidade", disse ele, rindo com energia.
O segundo, despreocupado, comentou: "Mestre, está bem de saúde? Se quiser, posso ir acompanhá-los."
"Não é necessário", respondeu o velho, levantando-se. "Vamos." No canto dos lábios, um sorriso sombrio se desenhava.
Yingying e Tianyi seguiram o Mestre das Ervas pela trilha íngreme. O caminho era ladeado por pedras esculpidas e vegetação entrelaçada nos troncos das árvores. A montanha tornava-se cada vez mais abrupta, e o silêncio era quebrado por gritos lúgubres de aves. As árvores dos lados cresciam densas, e Yingying sentiu um pressentimento incômodo, trocando olhares inquietos com Tianyi.
"Mestre, este é mesmo o caminho para descer a montanha?", perguntou Yingying.
"Caminho para descer? Como poderia? Vocês não gostam de ser meus assistentes? São minha matéria-prima mais valiosa", respondeu, finalmente deixando transparecer sua expressão feroz. Sem chance de resistência, conduziu-os a um esconderijo cavado na rocha.
Com malícia, o velho declarou: "Entrem, este é o destino de vocês." Entregou-lhes uma pílula de sono a cada um.
Sem alternativa, Yingying e Tianyi engoliram as pílulas. A tontura os tomou de súbito, as pernas fraquejaram, e ambos caíram no chão.
O velho arrastou-os para o fundo do covil, um local úmido, frio, coberto de musgo. No centro, um forno circular de bronze servia para a alquimia. Ao redor, serpentes triangulares, grossas como dedos, com padrões vermelhos e verdes, enrolavam-se imóveis, como se também tivessem sido sedadas.
O Mestre das Ervas, olhando ao redor, engoliu uma pílula de fortalecimento, estendeu suas mãos marcadas por veias escuras e vermelhas, e lançou Yingying e Tianyi dentro do forno. Respirou fundo. "Comece."
De imediato, as chamas azuladas envolveram o forno. Era um fogo necromântico, formado pela decomposição de inúmeros corpos de homens adultos, um método cruel. As serpentes, como se eletrocutadas, ergueram-se tentando fugir, mas foram arremessadas para dentro do forno junto com os irmãos.
O velho sentou-se em posição meditativa, olhos fechados, canalizando energia ao forno. As chamas cresceram intensamente.
Dentro do forno, fumaças vermelhas se erguiam. Tianyi, sufocado pela fumaça, tossia e acordava lentamente. Ao lado, Yingying dormia. Ele sentou-se e tentou acordá-la.
Yingying despertou, sentindo-se exausta e impotente. Tianyi olhava para ela, e a jovem pensava: "Fomos enganados... Mas por quê? Por que ele nos traiu?" Uma sensação de injustiça e calor crescente a tomava, só queria deitar e nunca mais levantar. "Será este o fim?"
"Não, irmã, não deite! Temos que sair daqui, ou morreremos, de verdade!"
Yingying, respirando com dificuldade, o rosto pálido, secou o suor da testa e, com mãos trêmulas, acariciou o rosto do irmão. "Gosto de te chamar de irmãozinho, mas você sempre insiste que eu te chame de Tianyi... Desta vez, não consigo te salvar. Preciso ir ao Portão Celeste, não me culpe. Na verdade, estou gravemente envenenada; só estou viva há um ano porque papai protegeu meu coração. Ele planejava me levar ao Portão Celeste, mas agora ele também se foi. Já morri uma vez, fui ressuscitada pelo meu irmão mais velho, mas o amuleto com sua alma desapareceu, assim como minha pedra espiritual. Agora que você está comigo, te tomo como meu irmão, mas não consegui te proteger."
Chorando, Yingying abraçou Tianyi.
Tianyi, delicadamente, consola a irmã: "Não se preocupe, posso te proteger. O irmão de quem falou me parece familiar. Lembro que sou uma carpa com cauda dourada, nunca tive amigos, nem sei quantos anos vivi, sempre nadando sozinho. Um dia, fui atraído por uma canção à beira do rio, e você me capturou.
Eu não sabia falar, só chorava, esperando que me devolvesse ao rio. Quando enfim me soltou, não sei por quê, fiquei imóvel na água. Uma luz multicolorida desceu do céu, e eu tentei nadar, mas uma pedra me atingiu e, quando acordei, era uma pedra aos teus pés.
Na volta para casa, vi tudo o que aconteceu. Naquela noite tentaram te matar; gritei, mas você não me ouviu. Quando caiu, me colocou sobre o peito, e percebi que havia uma alma no amuleto. Tentei chamá-lo, e descobri que era teu irmão, que usou o último fragmento de sua alma para te salvar. Depois, ele conversou comigo por muito tempo até desaparecer. Ele não existe mais neste mundo, e só então entendi como são complicados os sentimentos humanos. Quando despertei, virei este ser, finalmente podia te ver e falar contigo, e fiquei muito feliz."
"Então, Tianyi, foi mesmo o irmão que me salvou? Você é aquela pedra espiritual? Ele morreu para me salvar?" Yingying apertou o irmão com força, chorando.
"Sim, a alma do irmão não restou neste mundo, posso sentir. Irmã, posso sair daqui, mas preciso que aguente. Meu poder está bloqueado; aquele velho quer nos transformar em pílulas, mas assim que eu recuperar minha força, vou destruí-lo."
Yingying olhou ternamente para o irmão. "Tianyi, sinto que o veneno está prestes a agir. Cuide de si, agora só tenho você. Não vou conseguir te acompanhar desta vez..."
Ela olhou para Tianyi, desejando ver o irmão brincar, conversar, crescer; sentia que não conseguiria. Em meio à confusão, vislumbrou o irmão, o pai... Suas mãos caíram lentamente.
"Irmã, irmã, o que houve? Levante-se e fique com Tianyi, ainda tem que me ensinar a falar! Acorde!" Ele chamava desesperado, e o sorriso no rosto dela se apagava, lágrimas inundando o rosto ingênuo de Tianyi. Indignado, impotente, ele não sabia como extravasar sua dor.