Capítulo Trinta e Seis: A Indenização
— Eu... eu... Vocês estão me perseguindo, não quero mais viver! — Agora, Xi estava completamente descontrolada; já que havia sido tão abalada por eles, não fazia mais sentido esconder nada. Achava-se tola por ter caído na armadilha deles; afinal, sempre fora tão esperta e, no entanto, cometera um deslize naquele momento.
Ao ouvir essas palavras, Pequeno Tigre sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha. — Ei, administradora Xi, não faça isso. Levante-se, está bem? Vamos conversar lá dentro. Tem gente demais aqui fora, se alguém vir isso, vai ser difícil explicar!
— Ah, irmão Tigre, então me ajuda a levantar! Você me machucou tanto!
Pequeno Tigre rapidamente se afastou, assustado. Aquilo era demais para ele. Passou a mão pela testa, sentindo o suor frio.
Os dois grandalhões de túnica amarela que estavam na porta também estremeceram ao ouvir aquilo. Nunca imaginaram que a administradora Xi tivesse tais preferências. Cada um, aliviado, bateu no próprio peito, respirando fundo: ainda bem que tinham chegado há pouco tempo e nunca haviam tomado banho ali.
Vendo que Pequeno Tigre não pretendia ajudá-la a levantar, Xi se ergueu com dificuldade.
Todos se reuniram e entraram no pátio. Xi, apressada, receava que aquele grupo também destruísse o lugar. Só quando todos se acomodaram ela relaxou um pouco.
Havia ali não poucas belas jovens, todas graciosas como flores, com leves toques de pó em seus rostos, rindo e conversando alegremente. Uma delas se aproximou, surpresa: — Xi irmã, o que houve? Quem te machucou assim? — E logo quis trazer um remédio para os ferimentos.
Na verdade, a administradora Xi estava brincando com aquelas moças quando ouviu os gritos do lado de fora e, a contragosto, saiu. Não esperava que coisas tão desagradáveis acontecessem.
— Hum, vocês podem se retirar por ora? Temos visitas. Aproveitem e tragam chá — pediu Xi, retirando-se com passos delicados para os fundos. Pouco depois, voltou já vestida com uma túnica branca.
Wan Si olhou para Xi, intrigada, sentindo um estranho arrepio.
Tian Yi, já sem paciência, levantou-se e disse: — Já que a administradora Xi está aqui, vamos falar abertamente. Hoje não viemos por outro motivo senão por ouvir dizer que o Instituto das Letras está colaborando com os opressores. O Solar Xiu já foi quase todo destruído por nós. E este lado? Não acha que também está na hora de encerrar as atividades?
— Isso... Eu não posso decidir isso — disse Xi, sentindo-se desconfortável diante dos olhares estranhos de todos. Não sabia por que respondeu assim, foi simplesmente automático.
— Ha ha — Pequeno Tigre riu. — Você, sua “lebre”, acha que precisamos da sua permissão para destruir seu solar? Está doente?
— Não, não é isso que eu quis dizer! O que eu quis dizer é que vocês não podem destruir!
— E por que não? E depois de você ter visto o corpo do nosso protetor Tigre, como fica? Não vai nos compensar? Achava que era de graça? — Tian Yi riu maliciosamente.
— É isso mesmo! Você viu meu corpo, e agora? Quanto vai pagar? Se não resolver isso, vamos despir você! — berrou Pequeno Tigre. — Depois disso, sua reputação estará arruinada. Quem sabe você vira celebridade aqui na área de treinamento! — ele provocou, zombando.
Diante disso, Xi suava frio. — Como podem fazer isso comigo? Eu pago cinquenta pedras espirituais, mas por favor, não contem a ninguém sobre isto!
Pequeno Tigre olhou para Tian Yi, que sinalizou mostrando cinco dedos. — Cinquenta? Isso é dinheiro de criança. No mínimo quinhentas, senão, sem acordo!
— Quinhentas? Melhor me matar logo! Nem vendendo o solar consigo isso! No máximo, cem! — Xi levantou-se, indignada.
— O quê? Que tipo de barganha é essa? Cem? Se acha que seu corpo não vale mais que isso, tudo bem! — disse Pequeno Tigre, fazendo menção de despir Xi.
— Não, por favor! Mestre Tian, eu me rendo, está bem? Não façam isso comigo! No máximo, mais cinquenta, e podem ficar com o solar. Só me deixem em paz!
Tian Yi olhou ao redor, passou o dedo pelo nariz e disse: — Muito bem! Vamos abrir mão de parte do prejuízo. Desta vez, fica por isso mesmo. Agora, se quiser ver de novo, é só avisar. Nosso protetor Tigre terá prazer em servir. — E soltou uma risada. — Mas prepare o dinheiro!
— Pequeno Tigre, leve o pessoal para limpar isso aqui. Depois passamos no Solar de Bambu para tomar alguma coisa.
O pessoal do Solar das Letras, sem opções, só pôde assistir enquanto eles faziam o que queriam.
— Tian Yi, não encontramos nada de valor aqui. Melhor irmos para o próximo! — Pequeno Tigre, junto de Tian Yi e seus irmãos e irmãs de seita, saiu em marcha, já de olho no próximo alvo.
— Administradora Xi, por favor! Receio que este solar não pertencerá mais ao Instituto das Letras. Voltem sempre como convidados, serão muito bem-vindos! — disse, gargalhando ao sair.
Wan Si e Tian Ying seguiram Tian Yi, contrariadas. — Mestre Tian Yi, o que há com esse sujeito? E por que chamam ele de “lebre”?
— Bem... Como posso explicar? Quer dizer que você gosta da irmã Tian Ying?
— Gosto, sim. Por quê?
Tian Ying, corando, puxou Wan Si de lado. — Não dê ouvidos ao nosso mestre, ele só fala bobagens!
Wan Si olhou séria para ele. — Bobagens? É mesmo, mestre Tian Yi?
— Claro que não! “Lebre” é só como dizem quando duas mulheres ou dois homens se envolvem, se gostam, tipo dormirem juntos, essas coisas — explicou Tian Yi, apressando o passo para se afastar delas.
Wan Si, vendo o mestre se afastar, virou-se para Tian Ying: — Irmã Ying, o que ele quis dizer? Acho que não entendi direito.
— Ainda bem que não entendeu, irmãzinha. Você ainda é muito jovem. Quando crescer, vai entender — disse ela, saindo rapidamente.
Em meio dia, os Solares Xiu e Wen, na zona periférica, já estavam destruídos por Tian Yi e seu grupo. O acontecimento se espalhou como uma tempestade por toda a área de treinamento inferior. O próximo alvo era, certamente, o Solar de Bambu. Ninguém sabia se o jovem senhor Zhu já havia sido avisado; esperavam que sim, pois, caso contrário, dificilmente seu solar sobreviveria, murmuravam entre a multidão.
Quando Pequeno Tigre e os demais chegaram ao Solar de Bambu, encontraram os portões fechados e ninguém à vista.
— O que houve? Parece que já souberam do que aconteceu nos outros solares — comentou alguém.
Tian Yi logo chegou e observou o portão. — Em pleno dia, portões fechados? Não é assim que se recebe visitas!
— Tian San, vá abrir essa porta. Vamos mostrar do que somos capazes!
— Sim, mestre! —
Tian San era de poucas palavras, mas obedecia cegamente ao mestre. Sempre que surgiam situações complicadas, era ele quem ajudava Tian Yi a resolvê-las. Dessa vez não foi diferente. Aproximou-se, reuniu sua energia espiritual e, com as mãos envoltas numa aura acinzentada, fechou os punhos e desferiu um poderoso golpe na porta.