Capítulo Noventa e Quatro: A Grande Montanha

O Grande Criador Divino O Banimento Desaparecido 2930 palavras 2026-02-07 13:25:43

— Irmã, ele é meu irmão mais novo, não vai machucar vocês, podem ficar tranquilos — disse então Tianying, que estava ao lado, explicando.

— Ah, desculpe, é que ultimamente me habituei a não gostar de estranhos por perto. Jovem, obrigada — disse ela, curvando-se levemente.

— Não precisa agradecer, irmã. Como cultivadores, absorvemos a energia espiritual do mundo e temos o dever de proteger estas terras. Já que vieram até aqui, cuidar de vocês é natural. É o destino que nos une! Agora, me diga: o mundo lá fora está assim tão caótico?

Nesse momento, Wanyang, Xiaohu e os outros três também se aproximaram. A jovem recuou alguns passos, assustada.

Tianying rapidamente estendeu o braço, impedindo-a:

— Não tenha medo, irmã, estes são meus dois irmãos mais velhos, minha irmã e eu. Somos todos do bem. Se precisar de alguma coisa, conte conosco! Vamos ajudar você!

— Vocês? Quem são vocês? — perguntou, desconfiada.

Wan Si aproximou-se:

— Este é nosso irmão mais velho. Estamos viajando para ganhar experiência. Se você precisa de ajuda, pode falar conosco. Faremos o possível por você.

— Bem...

Wanyang interveio:

— Moça, vejo que você não é de família pobre. Pode nos contar o que está acontecendo. Por que você e seu irmão estão vestidos assim?

Diante deles, ela sentou-se, olhos atentos.

— Nobres cultivadores, viemos de um lugar chamado Duas Portas. Meu nome é Duas Lótus, este é meu irmão Duas Andorinha. Nosso pai era discípulo interno da seita. Nossa vida era confortável, éramos quatro pessoas numa família feliz. Mas, há cerca de quatro anos, nossa seita foi atacada durante a noite por outra chamada Seita da Areia. Minha mãe morreu no tumulto, e meu pai desapareceu. Restamos nós dois, vagando até aqui, sem notícias dele até hoje...

— Então você também sabe cultivar?

— Sim! Mas meu nível é muito baixo e jamais matei alguém. Caminhamos sempre nos escondendo, para nos manter seguros. Por isso nos sujamos de lama, assim ninguém se aproxima com más intenções.

— E o que aconteceu no portão? O que foi aquilo?

— É uma longa história. Dizem que aquilo é uma técnica demoníaca. Ninguém sabe o nome do livro, mas apareceu de repente no mundo. Antes, só quem despertasse seu atributo podia se tornar cultivador. Mas esse livro quebrou todas as regras de cultivo.

— É um grimório demoníaco que qualquer mortal pode cultivar. Seus requisitos são baixos; no início, basta consumir carne e sangue de mortais e conhecer algumas rotas de meridianos. Pode-se avançar rapidamente. Ele também permite usar o corpo humano como ingrediente de alquimia. Agora, todos podem se tornar cultivadores depressa, e sem restrições, ficaram cada vez mais cruéis. Não há mais honra ou cortesia, e terras distantes daqui já viraram campos de morte e destruição. O mundo já não é como antes.

— E ninguém sabe de onde veio esse grimório demoníaco?

— Não. Agora, alguns clãs o controlam. Os anciãos que estão perto da morte tentam cultivá-lo, dizem que prolonga a vida. Muitos clãs já foram destruídos por seus próprios membros. O mundo externo se tornou um inferno na terra.

Após ouvirem suas palavras, Xiaohu, Jinzi, Tianyi e Tianying trocaram olhares, surpresos.

Tianying então se adiantou:

— Irmã, fique com esse dinheiro. Assim poderá encontrar um lugar para se abrigar. Não se preocupe, aqui ainda não fomos invadidos. Vocês estarão seguros! Quando sairmos em treinamento, investigaremos o paradeiro da sua seita e procuraremos por seu pai também.

— Obrigada, muito obrigada! Meu pai se chama Duas Forças!

— Não precisa agradecer. Basta descansar bem. Voltaremos com notícias!

Tianyi, tendo obtido as informações de que precisava, deixou o local com os outros.

— Hoje não vamos sair. Vamos descansar aqui e observar o que acontece.

— Certo! Tianyi, parece que você já tem algumas pistas. Conte para sua irmã! Estou morrendo de vontade de sair por aí e exterminar esses malfeitores!

— É verdade, irmã. Mas vamos achar um quarto e conversamos com calma.

— Irmão, você pensou em algo?

— Xiaohu, Jinzi, vocês lembram quando eu era pequeno em Vila dos Cinco Picos? Do tal Velho das Ervas?

— Lembro sim! Quando aquela mulher falou, me veio tudo à mente. O Velho das Ervas gostava de refinar pílulas com corpos humanos. E ele era um demônio!

— Será que minha suspeita se confirmou? Jinzi, lembro que quando o Velho das Ervas morreu, encontramos com ele o “Manual do Fantoche Venenoso”. Lembram disso?

— Sim, mas qual a relação disso com tudo isso?

— E depois, o que aconteceu com o manual? Alguém sabe? — perguntou Tianyi, com os olhos brilhando.

— Não sei ao certo, acho que foi o irmão mais velho que pegou. E, Tianyi, nós não matamos o Velho das Ervas, só seguimos o conselho do irmão mais velho: quebramos as pernas dele e o jogamos na montanha para os lobos. Deve ter morrido lá...

— Sério?! Isso aconteceu mesmo?

— Tianyi, não vai me dizer que o Velho das Ervas sobreviveu? Impossível! Aquela montanha está cheia de lobos, e ele estava imóvel, certamente foi devorado. Não há como ter sobrevivido!

— Nunca se sabe... Amanhã vamos sair cedo da cidade, direto para a Montanha dos Cinco Picos, ver o que está acontecendo!

— Certo! Também estou preocupado com nosso irmão mais velho. Faz tempo que não o vejo, espero que esteja bem...

Tianyi olhou ao longe, pensativo.

— Vamos reencontrar o irmão Dashan em breve!

Naquele momento, na distante Vila dos Cinco Picos, tudo havia mudado. O cenário antes belo, de montanhas verdes, águas límpidas e flores perfumadas, não existia mais. O lugar tornara-se sombrio e aterrador, coberto de ossos humanos, com crianças chorando, como o verdadeiro inferno. Lamentos ecoavam sem cessar.

Ali, Dashan estava sentado no trono luxuoso do grande salão, vestia roupas esplêndidas e olhava com desprezo para quem estava abaixo. Quatro mulheres deslumbrantes o rodeavam, seduzindo-o e provocando-o. As paredes exibiam crânios de pessoas desconhecidas. No centro, um grupo de mulheres dançava sensualmente, emitindo sons que faziam o sangue ferver e corar quem ouvia.

Em ambos os lados do salão, cultivadores de diferentes clãs bebiam e cantavam, completamente alheios ao ambiente sinistro, cada um acompanhado por uma jovem de véus transparentes, cujos traços delicados despertavam desejos. Conversavam animadamente sobre temas indecentes, compartilhando segredos repugnantes.

Dashan observava tudo, sentindo-se incrivelmente satisfeito. Sua técnica já dominava todos ao redor, e ele controlava até pequenos clãs para abastecer seu cultivo, recebendo diariamente sangue fresco, muito mais eficiente do que buscar por conta própria.

— Ha ha... ha ha...

Esta era a vida com que sempre sonhei! Sentado aqui, ouvindo risadas e festejos, sentia-se plenamente realizado. Após algum tempo, caiu em reflexão, pensando nos dois irmãos e nos novos companheiros, Tianyi e Tianying. Não sabia onde estavam. Antes, ainda trocavam cartas, mas agora o contato sumira.

De repente, seu semblante tornou-se furioso.

— E pensar que tratei vocês tão bem, e entraram para uma seita sem me levar! Malditos! Todos vocês deveriam morrer! — pensou, apertando os punhos involuntariamente.

Ao lado, uma mulher gemeu de dor. O som despertou nele um ímpeto bestial. Levantou-se de súbito, tomou a jovem nos braços e a levou para os aposentos do fundo. Logo, ruídos de devassidão ecoaram dali, incendiando ainda mais os ânimos dentro do salão, tomada por aplausos e gritos de excitação.