Capítulo 113: Amigo
— Está bem, falaremos disso depois.
Entre todos os presentes, o velho farmacêutico tinha a maior senioridade, por isso suas palavras eram altamente respeitadas e ninguém se atreveu a contestá-lo.
— Garçom, sirva a comida!
Assim que todos se acomodaram, o neto do velho farmacêutico chamou o garçom para trazer os pratos. Durante esse tempo, Wan San e Wang Tianfeng permaneceram em silêncio, sentados tranquilamente.
Mas, se prestasse atenção, podia-se notar que ambos se olhavam com certa desconfiança, como se guardassem alguma mágoa um do outro. Vendo essa cena, Wu Xiaorui balançou a cabeça resignado, começando a se questionar se não teria ouvido errado a frase ambígua do velho farmacêutico.
Após cerca de dez minutos, os pratos começaram a ser servidos, e o aroma delicioso se espalhou pelo ambiente, despertando o apetite de todos. Até Wu Xiaorui não conseguiu conter a vontade de experimentar, pois os pratos pareciam apetitosos e o cheiro era irresistível.
Wang Tianfeng e Wan San quase não conseguiam conter a saliva diante da comida, impressionados por se tratar de um simples restaurante rural, mas que oferecia pratos tão desejáveis.
— Vamos, sirvam-se! — disse o velho farmacêutico, sorrindo ao ver a expressão dos três, sem nenhum desprezo ou outro sentimento; apenas os encorajava a provar os pratos.
Entretanto, os três permaneceram imóveis, pois, na cultura tradicional chinesa, os jovens ou pessoas de meia-idade não começam a comer antes dos mais velhos.
— Velho farmacêutico, você deve estar com fome, por favor, coma primeiro! — disse Wang Tianfeng, já impaciente e quebrando o silêncio.
— Muito bem, já que insistem, não serei educado! — respondeu o velho, lançando um olhar em volta, até fixar-se em uma pata de urso.
— Esta é a pata de um urso-negro, muito saborosa, vocês devem experimentar! — disse ele, levando um pedaço à boca, fechando os olhos para saborear o sabor único.
— É realmente deliciosa! — exclamou, com uma expressão de puro deleite. Se não fosse pela consciência, os outros certamente começariam a salivar.
— Vamos, parem de olhar para mim e comam logo! — exclamou Wang Tianfeng.
Sem mais cerimônia, Wang Tianfeng, Wan San e Wu Xiaorui pegaram os hashis e começaram a provar os pratos.
— Realmente excelente! Essa pata de urso é uma iguaria da natureza! — comentou Wang Tianfeng.
— Nunca havia comido pata de urso antes! — acrescentou Wan San, ambos encantados com o banquete diante deles.
Wu Xiaorui, por sua vez, permaneceu silencioso, olhando ora para Wang Tianfeng, ora para o velho farmacêutico, pensativo.
Ele sabia que não estavam ali apenas para saborear as delícias, mas por outros motivos.
— Wang Tianfeng, desta vez você veio por algum tipo específico de erva, não é? — perguntou Wu Xiaorui cerca de meia hora depois, interrompendo a refeição para esclarecer a dúvida.
— Exato. Graças ao velho farmacêutico, consegui reunir muitas ervas, mas há uma em especial que é fundamental e precisa ser escolhida com muito cuidado — respondeu Wang Tianfeng, sem segredos, pois sabia que Wu Xiaorui se preocupava com a segurança de Luo Tianyi.
— Eu suponho que seja o lingzhi? — perguntou Wu Xiaorui.
— Isso mesmo! — confirmou Wang Tianfeng.
Wan San, que comia, percebeu logo que Wang Tianfeng era o verdadeiro comprador da erva.
— Como você sabia? — questionou Wang Tianfeng, intrigado por Wu Xiaorui ter adivinhado sem que ele dissesse nada.
— O velho farmacêutico avaliou o lingzhi no mercado de ervas. Com sua reputação, se ele tivesse interesse, teria comprado imediatamente, e a loja não ousaria criar problemas. Mas ele não demonstrou intenção de comprar — explicou Wu Xiaorui.
— Se ele realmente quisesse aquela planta, já teria adquirido, não esperaria até agora — concluiu.
Ao ouvir isso, Wang Tianfeng assentiu novamente.
— Esta fórmula que tenho é de mais de cem anos atrás. Quando muitas pessoas caíam em coma, ela combinava remédios potentes com técnicas específicas para despertar os pacientes. Quero tentar porque você está preocupado com a condição de sua esposa, Luo Tianyi, e eu também não fiquei parado — disse Wu Xiaorui.
— A erva mais importante, claro, é o lingzhi, pois quanto melhor sua qualidade, melhores os efeitos para o paciente — acrescentou ele.
Wu Xiaorui acenou com a cabeça, sem reprovar Wang Tianfeng. Parecia que, durante a ausência de uma ou duas horas, Wang Tianfeng havia feito bastante coisa.
— Irmão Wu, ouvi dizer que sua esposa está em coma e que alguém lhe deu uma receita em que o principal ingrediente é o lingzhi azul, certo? — perguntou Wan San.
Wu Xiaorui confirmou com um aceno.
— Poxa, por que você não falou antes? Aqui está, leve! — disse Wan San, tirando de sua bolsa um lingzhi azul envolto em papel de óleo e entregando a Wu Xiaorui.
— Este é o lingzhi azul. Antes te dei, mas você não quis. Agora quer, não é? — disse ele com generosidade.
Embora o lingzhi azul fosse uma erva valiosíssima, provavelmente a mais cara do mercado, Wan San não teve hesitação em oferecê-la.
— Vou pagar o preço de mercado — garantiu Wu Xiaorui, que jamais quis tirar vantagem alheia.
— Se você continuar dizendo isso, não vou mais te dar o lingzhi! — brincou Wan San, tentando pegar de volta a erva.
— Quero, quero, é claro que quero! — exclamou Wang Tianfeng, apanhando o lingzhi azul com rapidez. Um remédio tão precioso, se fosse dado de graça, seria uma enorme economia.
Segurando o lingzhi azul, seu coração se encheu de emoção, pois era a primeira vez que via aquela raridade.
Ele olhou para todos os lados, fascinado.
— Irmão Wan, muito obrigado! Me passe seu número da conta bancária que eu te transfiro os cem mil — disse Wu Xiaorui, tirando o celular.
Wan San passou seu número e logo recebeu a transferência.
— Irmão Wan, esse lingzhi azul é realmente especial. Por que você foi tão generoso? — perguntou Wang Tianfeng, intrigado com a facilidade com que Wan San o entregara a Wu Xiaorui.