Capítulo Trinta e Dois: Obtendo um Livro

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2338 palavras 2026-03-04 20:10:28

— Irmão, acho melhor a gente garantir logo esse objeto — disse Ding Dalong, observando os dois homens ao lado, claramente nada comuns, e temendo que eles levassem o Coração do Oceano.

— Ora, será que vocês não ouviram o que eu disse? — Chen Qingquan estava visivelmente irritado. Como décima terceira geração do clã das Mãos Fantasmas, não importava quem fosse, bastava mencionar seu nome para que todos o respeitassem e se afastassem.

Embora este jovem à sua frente fosse educado, não demonstrava qualquer sinal de medo.

— Droga, estou farto de você — Ding Dalong também não era do tipo que se deixava intimidar. Já não suportava aquele jovem desde o início e, dizendo isso, agarrou-o pela roupa, pronto para lhe dar uma lição.

— Caramba, que inferno! — Todos pensaram que o jovem sofreria nas mãos de Ding Dalong, mas, num piscar de olhos, Ding Dalong voou vários metros e caiu pesadamente ao chão.

Só então Wu Xiaorui percebeu que o jovem não era alguém a subestimar. Embora ele conseguisse enxergar tudo com clareza, inclusive os mecanismos ocultos sob o Altar Celestial, não conseguiu perceber como o jovem tinha agido tão rapidamente.

— Que droga...

— Dalong, não se exalte. Se eles querem pegar, deixemos que peguem — Wu Xiaorui apressou-se em impedir Ding Dalong. Agir impulsivamente agora só traria problemas.

— Você é um pouco covarde, mas pelo menos sabe se portar. Hoje estou de bom humor, então te deixarei passar — disse Chen Qingquan, em tom desdenhoso.

— Quem é esse homem? Que habilidade assombrosa!

— Dizem que é do clã das Mãos Fantasmas. Parece que hoje o Coração do Oceano será dele.

— Se até o clã das Mãos Fantasmas entrou na disputa, acho que ninguém ousará desafiá-los.

Só então alguns ao redor perceberam que aquele jovem era realmente um mestre.

O Coração do Oceano fora colocado ali porque quem o roubara da família Xu sabia que jamais conseguiria vendê-lo. Com o poder dos Xu, bastava o artefato aparecer e logo seria identificado. Wu Xiaorui não conseguia entender a motivação do ladrão: correr tal risco apenas para zombar dos Xu, escondendo o objeto onde nem ele mesmo poderia recuperá-lo, mas também impedindo que os Xu o localizassem.

Aquele altar, na verdade, era um autêntico octógono místico, composto por sessenta e quatro hexagramas do I Ching, cada um associado a um mecanismo oculto. Se alguém ativasse o mecanismo, o resultado seria fatal. Por isso, tão poucos ousavam se aproximar.

— Irmão, se vai tentar pegar, seja muito cuidadoso — alertou Wu Xiaorui, genuinamente preocupado.

— Para inúteis como vocês, pegá-lo seria como tentar tocar o céu. Para mim, é como tirar algo do bolso — respondeu Chen Qingquan, aquecendo os músculos.

Para ele, o octógono não tinha segredos desde a infância; conhecia cada hexagrama como a palma da própria mão. Sabia perfeitamente onde estavam os portais de vida e de morte. Já havia percebido tudo.

— Ei, não precisa falar assim. Só tentei ajudar e ainda sou repreendido — resmungou Wu Xiaorui, aborrecido. Ele realmente não entendia nada daquilo, mas não achava justo que sua boa intenção fosse tratada assim.

Chen Qingquan nem lhe deu atenção e, sem hesitar, subiu ao altar.

— Esse homem é realmente incrível, já avançou vários passos!

— Muitos dão apenas alguns passos antes de cair.

— Acho que hoje ele vai mesmo conseguir.

Admirados, os que estavam por perto observavam Chen Qingquan caminhar pelo altar como se nada fosse.

— Irmão, como vamos explicar ao senhor Xu? — murmurou Ding Dalong, suportando a dor, para Wu Xiaorui.

Diante de tais habilidades, só restava deixar que levassem o objeto. Pelo menos saberiam quem o tinha levado — caberia ao jovem Xu decidir depois como recuperá-lo.

— Finalmente, uma vitória fácil — comemorou Chen Qingquan ao pegar o Coração do Oceano.

— Não, ele está em perigo! — exclamou Wu Xiaorui, ao perceber que todos os mecanismos haviam sido desordenados, tornando-se imprevisíveis e caóticos.

Chen Qingquan, alheio ao perigo, deu mais um passo e, de repente, inúmeras lâminas emergiram do chão, sem espaço seguro para pisar.

Wu Xiaorui analisou rapidamente o altar e percebeu que restavam pouquíssimos lugares seguros; qualquer passo em falso seria fatal.

— Não vá, irmão! — gritou Wu Xiaorui, já avançando no altar, esquecido de qualquer cautela.

— Que rapidez impressionante!

— Quem será esse homem? Caminha ali como se estivesse em terra firme.

— Irmão, siga-me! Os mecanismos foram ativados; se não sairmos agora, será tarde demais — Wu Xiaorui agarrou Chen Qingquan, tentando tirá-lo dali.

— Droga, nunca houve um mecanismo do qual eu não pudesse escapar! — Chen Qingquan afastou a mão de Wu Xiaorui e deu mais um passo à frente.

— Você está louco? Não pode arriscar assim! — Wu Xiaorui desviou por pouco de uma flecha disparada sob o altar.

Chen Qingquan, porém, não teve a mesma sorte. Acabou atingido por uma flecha, ainda que apenas na perna.

— Volte logo, irmão! — gritou o homem barbudo do lado de fora, impotente. Apesar de também pertencer ao clã das Mãos Fantasmas, sua habilidade estava muito aquém da de Chen Qingquan.

— Se quer viver, siga-me! — disse Wu Xiaorui, puxando novamente Chen Qingquan para fora do altar.

Se não tivessem agido rapidamente, ambos teriam sido crivados de flechas. O mecanismo fora ativado não pelo erro no percurso, mas simplesmente por retirarem o Coração do Oceano.

— Agradeço por ter salvo minha vida hoje — disse Chen Qingquan, sem ousar encarar Wu Xiaorui nos olhos ao lhe entregar uma caixa.

— O que é isso? — Wu Xiaorui, hesitante, recebeu a caixa.

— O verdadeiro dono deste objeto é você. Este livro pode ser de grande utilidade para si. Se um dia precisar de algo por aqui, basta mencionar meu nome e alguém me avisará. Agora, com licença, vou-me embora — disse Chen Qingquan, apoiando-se no irmão mais velho.

Assim que eles se afastaram, Wu Xiaorui não quis permanecer no local e decidiu entregar logo o Coração do Oceano ao jovem Xu, encerrando o assunto.

— Irmão, você foi incrível! Todos ficamos impressionados. Quando tiver tempo, ensine-nos algumas técnicas para podermos nos destacar também — disse Ding Dalong, entusiasmado, durante o trajeto de carro.

Wu Xiaorui apenas respondeu com algumas palavras, pois estava agora mais interessado no antigo livro que recebera. Sabia que tinham muitas relíquias, mas talvez este livro fosse um autêntico manuscrito de algum grande nome da antiguidade.

Pediu a Ding Dalong que o levasse para casa primeiro, deixando a entrega do Coração do Oceano para os outros. Depois de tanta agitação, sentia-se exausto e queria descansar um pouco.

— Alô, gerente? Para que me ligou? — disse Wu Xiaorui, acabara de se deitar quando recebeu a ligação.