Capítulo Noventa e Três – A Lição

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2341 palavras 2026-03-04 20:10:59

— Capitão, o que pretende fazer? Vai subir lá e levar o chefe deles preso?

— E o que mais eu poderia fazer?

O pequeno capitão devolveu a pergunta.

— Esses bandidos, mesmo que você os prenda, vão ficar detidos por trinta ou cinquenta dias, mas quando saírem, não vão voltar a causar problemas? No final, quem sai prejudicado é o dono desse restaurante, não é?

Assim que ouviu isso, o capitão ficou surpreso. Pensando melhor, percebeu que Wu Xiaorui tinha razão.

— Você acha que consegue lidar com isso?

O capitão avaliou Wu Xiaorui de cima a baixo, ainda desconfiado. Ele não era gordo, mas também não era magro, parecia uma pessoa comum.

— Deixe comigo, pode confiar.

Wu Xiaorui sorriu levemente. O capitão hesitou por um instante, mas acabou assentindo.

— Irmão Ma, minha esposa está doente ultimamente. O dinheiro foi todo para o tratamento. Pode me dar mais uns dias, por favor?

O dono do restaurante choramingava, claramente aflito.

Nesse momento, os clientes que assistiam à cena começaram a olhar para o careca com hostilidade, encarando-o com expressões nada amigáveis.

— Ei, o que estão olhando? Vão se meter onde não são chamados?

Dizendo isso, o careca ameaçou virar a mesa à sua frente, mas, quando uma das pontas mal saiu do chão, foi contida.

Com um tapa, Wu Xiaorui prendeu a mesa no lugar, impedindo que fosse derrubada. Sua força era tamanha que, por mais que o careca tentasse, não conseguia levantá-la.

— Moleque, é melhor não se meter. Se tiver juízo, suma daqui!

O brutamontes percebeu que Wu Xiaorui era forte, provavelmente alguém treinado, e não quis enfrentá-lo diretamente para não correr o risco de perder tempo com a cobrança.

— E se eu quiser me meter?

Wu Xiaorui sorriu de lado e, num movimento rápido como um raio, desferiu um soco certeiro no rosto do homem.

O careca deu um grito, cambaleou para trás vários passos e só não caiu porque foi amparado pelos comparsas.

Ele sentiu um gosto metálico e, ao passar a mão pelo nariz, viu que estava sangrando. Sua expressão azedou imediatamente.

— Seu moleque, você está pedindo para morrer! Acabem com ele!

O careca estava furioso. Como podia ser espancado e ainda sangrar por causa de um jovem? Se isso se espalhasse, como manteria o respeito na rua?

Seus capangas, sem dizer palavra, pegaram os objetos que tinham em mãos e partiram para cima de Wu Xiaorui, todos com expressão de ódio, como se fossem velhos inimigos.

— Será que esse garoto dá conta?

O capitão nunca tinha visto Wu Xiaorui em ação e estava preocupado. Se algo acontecesse com ele, teriam mais problemas ainda.

— Cuidado.

Mas, ao lembrar do olhar confiante e do tom firme de Wu Xiaorui, o capitão resolveu esperar para ver. Se ele não conseguisse dar conta, aí sim interviria.

Enquanto pensava nisso, dois já haviam avançado sobre Wu Xiaorui.

A explosão de força dos dois não era desprezível. Em poucos segundos, estavam diante dele, brandindo bastões de madeira com intenção de acertar sua cabeça.

Os golpes eram violentos; se pegassem em cheio, Wu Xiaorui poderia até morrer ou, no mínimo, ficar fora de combate.

Vendo a cena, o capitão ficou ainda mais aflito, pronto para ajudar a qualquer momento.

Mas, aos olhos de Wu Xiaorui, os movimentos dos adversários eram lentos demais.

Deu um passo para trás, desviando facilmente dos dois bastões, e, em seguida, com um soco e um chute, acertou os abdomens dos atacantes, que gritaram de dor e voaram para trás, caindo no chão.

Sentiam-se como se tivessem sido atropelados por um carro. Tentaram se levantar, mas não tinham forças.

Sem recuar, Wu Xiaorui avançou e, em menos de um minuto, todos os bandidos estavam estirados no chão, rostos contorcidos de dor, olhos cheios de medo e raiva ao encará-lo. Jamais imaginavam tamanha habilidade de combate.

— Impressionante!

O capitão já tinha visto alguém lutar contra dez, mas ainda assim custava a acreditar que Wu Xiaorui, sozinho, fosse capaz de derrotar todos com tamanha facilidade.

— Moleque, isso não vai ficar assim. Da próxima vez, você vai se arrepender!

O careca resmungou furioso, tentando sair dali com seus capangas feridos, mas logo se ouviu o som de muitos passos se aproximando.

— Ninguém se mexa! Fiquem todos quietos!

Nesse momento, um grupo de policiais cercou todos no local. Surpreso, Wu Xiaorui ouviu a voz do capitão atrás de si.

— Enquanto vocês brigavam, avisei a equipe de segurança. Fique tranquilo, isso não tem nada a ver com você. Vamos embora.

O capitão fez um sinal para Wu Xiaorui e os três foram embora.

No restaurante, os clientes comemoravam.

— Bem feito, o mal voltou para quem merece!

— Pois é, mas aquele rapaz é mesmo incrível.

— Hoje em dia é raro encontrar pessoas como ele e Yang que têm coragem de agir pelo bem dos outros.

Os três seguiram por um beco, pretendendo pegar um táxi até o hospital.

— Se eu estivesse de uniforme, não teríamos perdido tempo. Eles nem ousariam fazer confusão — comentou o capitão, um pouco constrangido.

Um minuto antes, Wu Xiaorui recebera uma ligação de Lobo Solitário avisando que o estado de Luotian Yi havia piorado, os vômitos estavam mais graves e nem mesmo o Mestre Wang encontrava solução.

Tomado pela ansiedade, Wu Xiaorui chamou um táxi e foi às pressas para o hospital.

— Motorista, vá mais rápido. Pago mais cem.

Ao ouvir a promessa, o taxista sorriu.

— Pode deixar, mas segurem-se bem.

Pisou fundo, acelerando. Mesmo assim, respeitou as leis de trânsito e, em menos de dez minutos, chegaram ao destino.

Wu Xiaorui nem olhou o taxímetro. Passou o pagamento pelo aplicativo, dando duzentos ao motorista, e saiu correndo em direção ao quarto de Luotian Yi.

— Vou levá-lo para desinfetar e trocar de roupa. Vá ver sua esposa primeiro.