Capítulo Cinquenta e Quatro: Subjugada Mais Uma Vez
— Na minha opinião, hoje é um assunto só nosso, não há necessidade de tanta gente vir sofrer ao seu lado — disse Wu Xiaorui, sacudindo o pó das mangas e sorrindo.
— Ora, aposto que você está é com medo, não é? Vocês aí, avancem! Eu tenho dinheiro de sobra, se alguém morrer, eu assumo a responsabilidade! — gritou Wang Qi, embora no fundo estivesse aterrorizado, recuando pouco a pouco.
Wu Xiaorui retirou mais algumas agulhas de prata da cintura, avançou a passos largos e lançou-as com força contra aqueles que tentavam se aproximar.
— Quem não quiser se envolver, saia do caminho. Isso é entre eu e ele, não se metam — avisou Wu Xiaorui aos três ou quatro que ainda estavam à frente de Wang Qi.
— Maldição, não fujam! Quero ver quantas armas ocultas ele ainda tem! Avancem! — Wang Qi berrava, mas ninguém lhe dava ouvidos; todos já tinham desaparecido sem deixar rastro.
— E agora? Os seus já estão feridos ou fugiram. Chegou a nossa vez, não acha? — Wu Xiaorui parou a poucos passos de Wang Qi.
Wang Qi já conhecia um pouco das habilidades de Wu Xiaorui e só conseguia recuar lentamente.
— Irmão, se continuar recuando, daqui a pouco vai acabar estragando o carro. Não vai chorar depois, hein!
Ao ouvir isso, Wang Qi gritou e avançou contra Wu Xiaorui.
Com um movimento ágil, Wu Xiaorui desviou e, aproveitando o embalo, cravou outra agulha de prata nas costas de Wang Qi.
— Maldito, que tipo de arma secreta você usou? Me solta agora! — Wang Qi ficou imóvel, segurando o taco de beisebol com as duas mãos.
— Eu só não quis machucar os inocentes. Considere-se com sorte.
Com todos imobilizados, Wu Xiaorui se aproximou e cuidadosamente retirou as agulhas de prata dos corpos deles.
— Maldito, não vá embora! Me solta agora!
— Irmão, não vá! Eu estava errado!
— Diga quanto quer, eu pago!
Wu Xiaorui montou novamente na motoneta elétrica de Xu Xiaoqing, ignorando completamente os gritos de Wang Qi.
— Será que eles vão se machucar? — perguntou Xu Xiaoqing, preocupada, depois de terem andado um bom trecho. Por mais habilidoso que fosse, era estranho ter alguém assim atrás dela.
— Fique tranquila, daqui a uma ou duas horas eles estarão bem — respondeu Wu Xiaorui, guardando as agulhas de prata cuidadosamente na cintura.
— O que você usou afinal? Achei que hoje você ia passar apuros, mas em poucos instantes dominou todos eles. — Na cabeça de Xu Xiaoqing, vinham as cenas dos mestres das artes marciais das novelas de televisão.
— Você acredita mesmo nisso? Não usei arma secreta nenhuma, só inseri as agulhas de prata nos pontos certos. Agora que já retirei, logo estarão recuperados — disse Wu Xiaorui, sorrindo.
Ele não tinha intenção de causar-lhes danos sérios; queria apenas dar-lhes uma lição. Se assim não fosse, não teria retirado as agulhas, deixando-os paralisados por mais tempo.
— Já que você é tão habilidoso, poderia me ajudar mais uma vez? Pense pelo lado do bem-estar da população; você seria um grande benfeitor.
— Não precisa me elogiar tanto. Diga logo o que quer. Se não for ilegal, faço o possível para ajudar — respondeu Wu Xiaorui, percebendo que Xu Xiaoqing devia estar em apuros novamente.
— É o seguinte: tenho feito reportagens sobre uma indústria farmacêutica, mas parece que já perceberam algo. Não consigo me aproximar, e mesmo as fotos que consegui não pude levar comigo — explicou Xu Xiaoqing, parando a motoneta e falando sério.
— Não é ilegal, certo?
— Claro que não! Se conseguirmos expor o que acontece lá, você será nosso herói.
— Então vamos. Quero ver como esses empresários inescrupulosos agem.
Ao ouvir isso, Xu Xiaoqing quase pulou de alegria. Rapidamente subiu na motoneta e partiu com Wu Xiaorui em direção à fábrica.
— Já está tarde. Deveria ter voltado. Será que saiu com aquela garota? — Luo Tianyi andava de um lado para o outro em seu quarto, inquieta. Apesar de tentar se convencer de que não devia se importar, não conseguia evitar a raiva crescente ao pensar nisso.
A fábrica farmacêutica não ficava longe, então, em pouco tempo, Xu Xiaoqing e Wu Xiaorui chegaram ao local.
— Repórter Xu, voltou de novo! Por favor, entre! — Assim que Xu Xiaoqing estacionou, alguém veio cumprimentá-la. O entusiasmo do homem a deixou um pouco constrangida.
Xu Xiaoqing olhou ao redor e percebeu que havia ainda mais pessoas de guarda. Era evidente que estavam preparados para sua volta.
Quando Wu Xiaorui tentou dizer algo, Xu Xiaoqing o segurou, sinalizando para que permanecesse em silêncio e apenas a acompanhasse.
— Onde está o seu chefe? Quero falar com ele novamente! — disse Xu Xiaoqing ao entrar na sala de reuniões.
— Nosso chefe teve um imprevisto e precisou sair. Se precisar de algo, pode falar comigo — respondeu o homem, educadamente.
— Com você? Tem certeza de que está autorizado? — insistiu Xu Xiaoqing, mantendo-se fria e distante, impossível de se aproximar.
— Claro! Depois do chefe, sou o mais importante da empresa — respondeu o homem, orgulhoso, querendo que Xu Xiaoqing soubesse que não era só um funcionário qualquer.
— Muito bem, senhor Zhao, poderia me mostrar o setor de produção? — perguntou Xu Xiaoqing, sorrindo.
— Ah, é só isso? Hoje mesmo você já esteve lá. Se quiser ver de novo, fique à vontade. Aqui não temos nada a esconder, todos podem visitar. Mas pessoas estranhas não podem entrar assim, sabe como é. Este é um lugar sensível, e alguém mal-intencionado poderia aproveitar a oportunidade para nos prejudicar.
O senhor Zhao falou com desdém, insinuando que as denúncias que recebiam eram fruto de inveja.
— Não precisa enrolar, senhor Zhao. Não sou novata neste trabalho; sei distinguir o certo do errado. Pare de me mostrar sempre o mesmo setor de fachada. Aposto que daqui a dois ou três dias já terão mudado tudo de novo! — Xu Xiaoqing foi direta, revelando o verdadeiro motivo de sua visita.
Seu interesse pelo caso vinha de uma denúncia direta recebida sobre aquela empresa farmacêutica.