Capítulo Vinte e Oito — Aposta Feita
— Senhor Li, o que foi que o deixou tão irritado? — O homem que vinha observando Wu Xiaorui se aproximou.
— Ora, que diabo, a culpa é sua, dono do lugar, você viu bem, aqui só entra gente podre de rica, como é que deixam um sujeito desses entrar? — disse Li, visivelmente irritado.
— Você sabe como é no comércio, não existe esse negócio de barrar cliente na porta. Se ele conseguiu entrar, é porque tem condições pra isso. Não se aborreça, Li, venha, eu lhe pago um drinque — respondeu o homem com cortesia.
Esse Li era um magnata do ramo imobiliário local. Sempre que tinha tempo, passava pelo cassino para se divertir. Todos o temiam, não só por conta de sua fortuna, mas também pelas ligações estreitas que mantinha com autoridades da região — motivo pelo qual seus negócios prosperavam.
— Dessa vez você errou mesmo. Todos aqui são frequentadores habituais e você sabe como Li detesta gente de baixo nível. Ainda assim, deixou que sua equipe trouxesse um tipo desses para dentro — comentou outro empresário que acompanhava Li.
Wu Xiaorui sentiu um certo asco da expressão dele. Era o típico inútil sem talento algum, mas exímio em bajular poderosos. Certamente, aproveitaria o momento para humilhá-lo publicamente.
— Ora, você ainda se diz empresário? Está com medo de perder e quer arranjar confusão conosco? — não se conteve Xiao Dongzi.
— Medo de perder? Que piada. Dinheiro é o que menos me falta — retrucou Li, com arrogância. No ramo imobiliário, ele era um dos primeiros a apostar alto.
— Sendo assim, que tal apostarmos? Tem coragem? — Já que encontrara um peixe grande, Wu Xiaorui não pretendia desperdiçar a chance. Afinal, com apostas pequenas, juntar alguns milhões levaria um tempo interminável.
— O quê? Quer apostar comigo? Será que ouvi direito? Você está maluco? — Li não acreditava no que ouvia.
Normalmente, pessoas como Wu Xiaorui se encolhiam só de ouvir umas poucas palavras dele, mas este ainda propunha uma aposta.
— Está com medo? — Wu Xiaorui exibia confiança. Com tipos assim, o melhor era dar-lhes uma lição para que aprendessem a respeitar os outros.
— Que piada, quer apostar comigo? Tem dinheiro pra isso? — Li sorriu, seguro de si. Com tanta gente ao redor, um empresário de respeito não poderia temer um qualquer.
— Se o problema é dinheiro, isso se resolve. Wu pode pegar emprestado comigo — interveio o dono do cassino, com tranquilidade.
Foi então que Wu Xiaorui se lembrou de quem era o dono dali: vendera sua primeira peça de jade para ele. Surpreendia encontrá-lo ali, pois não imaginava que um negociante de pedras preciosas também fosse dono de cassino. Por isso ele sabia seu sobrenome.
— Muito obrigado, senhor Ma. Da próxima vez que estiver em Qingyuan, farei questão de recebê-lo como merece — agradeceu Wu Xiaorui, sorridente.
Ao perceber que os dois já se conheciam, Li começou a desconfiar de que talvez estivesse caindo numa armadilha bem planejada.
Por isso, decidiu que usaria apenas cartas e dados trazidos de fora por seus próprios empregados, não confiando em nada do cassino.
— Como será a aposta? É melhor combinarmos agora, para não haver mudanças depois — alertou Wu Xiaorui, embora soubesse que não havia razão para se preocupar: seria vergonhoso para um grande empresário trapacear diante de todos.
— Gosto da sua ousadia, garoto, mas daqui a pouco você vai sair daqui só de cueca — caçoou Li, arrancando gargalhadas dos que o acompanhavam.
A postura confiante de Wu Xiaorui impressionou Ma Maocai, que, apesar da aparência simples do rapaz, notou sua forte presença.
Para não atrapalhar o movimento no térreo, Ma Maocai levou-os ao segundo andar.
Muitos clientes do térreo não conheciam o andar superior, mas Li era frequentador assíduo. O ambiente ali era luxuoso, dourado e reluzente, com belas mulheres uniformizadas distribuindo as cartas.
Nada faltava, e a atmosfera de conforto era inegável — Wu Xiaorui sentia-se como se tivesse entrado na mansão de alguém.
— O que está acontecendo? Por que tanta gente subiu para o segundo andar?
— Ouvi dizer que dois grandes empresários vão duelar lá em cima, e que será o próprio Ma quem dará as cartas. Devem ser pessoas importantes.
— Nada disso! Parece que um sujeito sem noção quer desafiar o nosso Li.
O burburinho atraiu curiosos ao segundo andar — muito mais interessante do que apostar por conta própria.
— Senhores, tomem seus assentos. As regras todos já conhecem — disse Ma Maocai, mostrando as cartas antes de começar a distribuir.
Sem saber qual era a especialidade de Wu Xiaorui, Li escolheu o jogo em que era invencível: o famoso Três Cartas de Ouro.
Sua fama era ganhar nove de cada dez partidas.
— A aposta mínima é de mil. Vocês querem definir um limite para os aumentos? — Ma Maocai sugeriu.
— Cinquenta mil, que tal? Com um valor maior, esse garoto vai tremer de medo — zombou Li.
— Empresário é outra coisa, dinheiro para eles não é nada.
— Aquele pobretão não dura nem três rodadas.
— Será que ele está tão desesperado por dinheiro? Eu, que tenho muito mais que ele, não ouso arriscar tanto, e ele parece nem ligar.
Todos aguardavam ansiosos para ver Wu Xiaorui ser escorraçado dali.
— Irmão, não seria melhor apostarmos menos? Você sabe que não temos muito dinheiro — murmurou Ding Dalong, preocupado.
Embora tivessem visto Wu Xiaorui ganhar antes, agora o jogo era Três Cartas de Ouro, e ninguém acreditava que sua sorte duraria.
— Está combinado, então. Tenho cento e cinquenta mil aqui. Quero ver quanto tempo você demora para me deixar sem nada — disse Wu Xiaorui, colocando todo o dinheiro — inclusive o que acabara de ganhar — sobre a mesa.
— Ora, achei que você tivesse uns milhões. Só isso? Cento e cinquenta mil? Vou fazer questão de mandá-lo para casa mais cedo — zombou Li, acendendo um charuto e pedindo uma garrafa de champanhe francês para celebrar depois.
Observando os setecentos ou oitocentos mil de Li sobre a mesa, Wu Xiaorui ponderava em silêncio qual seria sua melhor estratégia.