Capítulo Sessenta e Sete - A Lição
— Quem foi que mandou vocês virem?
Wu Xiaorui lançou um olhar atento aos homens à sua frente, sem demonstrar qualquer sinal de pânico no rosto.
— Recebemos para tirar o problema dos outros — respondeu o homem com a cicatriz no rosto, cujo olhar começava a se encher de intenção assassina, fazendo com que uma aura de perigo pairasse no ar.
Pelo visto, são profissionais de longa data, pensou Wu Xiaorui. Não era a primeira vez que aquele grupo aceitava esse tipo de serviço.
— Foi Chen Anxiang quem enviou vocês, não foi? — perguntou Wu Xiaorui com um leve sorriso, observando novamente os rostos dos presentes.
Ao ouvir suas palavras, algo mudou na expressão dos homens.
— E daí se você sabe? Logo mais não passará de um cadáver — retrucou o homem da cicatriz, rindo friamente. Com um gesto, seus comparsas avançaram em direção a Wu Xiaorui.
— Somos tantos, por que esse rapaz ainda está tão calmo? — pensou o chefe, sentindo uma pontada de apreensão diante da serenidade de Wu Xiaorui. Olhou ao redor, mas não notou ninguém escondido para protegê-lo.
— Matem-no!
Quando seus capangas estavam a cinco metros de distância, o homem da cicatriz deu a ordem. Os homens brandiram suas facas e investiram.
— Perfeito, será um bom treino para mim — murmurou Wu Xiaorui.
O primeiro deles avançou com a lâmina em riste, desferindo um golpe rápido como um raio. Num instante, Wu Xiaorui agarrou o pulso do agressor com os dedos em garra e, num movimento ágil, desferiu um chute violento.
Com um grito de dor, o homem foi lançado para trás, desabando no chão e desmaiando imediatamente.
Por um momento, os demais ficaram paralisados de surpresa.
— Caramba, esse sujeito é forte — pensou o chefe, espantado. Wu Xiaorui parecia comum, mas demonstrava uma força assustadora, o que explicava sua confiança.
— Vamos todos! Somos sete, ele não pode contra todos nós.
Ao terminar de falar, o homem da cicatriz partiu para cima, seguido pelos outros, que não hesitaram.
— Melhor assim, quero terminar logo e ir para casa jantar — disse Wu Xiaorui, avançando a passos largos. Com poucos golpes, derrubou mais dois adversários.
A essa altura, seus oponentes começaram a vacilar, tomados pelo medo.
No instante em que hesitaram, Wu Xiaorui se lançou à frente como um raio. Desviou-se habilmente de um ataque e desferiu um soco certeiro no rosto do agressor.
— Ai, dói! — o homem gritou, sangue escorrendo do nariz e da boca.
— Vamos embora, não somos páreo para ele!
O chefe da gangue já pensava em fugir; a força de Wu Xiaorui havia assustado a todos.
— Pensam que vão escapar? — Wu Xiaorui resmungou, avançando rapidamente. Em seguida, mais dois gritos lancinantes ecoaram.
O homem da cicatriz, ao ouvir os gritos, sentiu as pernas bambas e caiu de joelhos no chão, tropeçando e rolando.
— Por favor, irmão, tenha piedade de mim... — implorou, aterrorizado, olhando para Wu Xiaorui como se visse o próprio demônio.
— Vocês vieram para tirar minha vida. Acha mesmo que vou perdoá-los?
O grito desesperado ecoou pelo local. Wu Xiaorui olhou para trás e, com um leve sorriso e ainda sentindo o efeito do álcool, seguiu o caminho de casa.
Dentro de um luxuoso Mercedes, Chen Anxiang sorria, satisfeito, mas seu rosto ficou lívido ao receber a notícia do fracasso da missão pelo telefone.
— Inúteis! Bando de inúteis! — esbravejou, esmurrando o encosto do banco. Seu corpo tremia de raiva.
— Wu Xiaorui, você vai se arrepender. Vou acabar com você!
Ao chegar em casa, não encontrou a esposa, Luo Tianyi, mas viu a sogra sentada no sofá, com expressão preocupada.
O que terá acontecido? Wu Xiaorui estranhou. Sua relação com a sogra estava melhorando recentemente; será que algo ocorreu para ela voltar a desgostar dele?
— Mãe, está tudo bem? — perguntou, sentando-se à sua frente com tom preocupado, enquanto a observava atentamente.
— Xiaorui, você ficou sabendo? Zhang Feng vai representar o hospital deles no próximo torneio municipal de medicina.
A sogra silenciou, fitando Wu Xiaorui com um olhar cheio de expectativa.
— Esse torneio é uma grande oportunidade de ganhar prestígio na cidade. Ouvi dizer que você é um médico extraordinário, mas sabe como anda a nossa situação financeira... A Tianyi não pode passar dificuldades enquanto estiver com você...
Ao ouvir aquilo, Wu Xiaorui compreendeu imediatamente.
— Não se preocupe, mãe. Vou cuidar bem da Tianyi — prometeu ele, antes de entrar no quarto para telefonar ao presidente Xu e se informar sobre o torneio.
— Presidente Xu, pode me dedicar alguns minutos?
— Ora, se não é o Xiaorui! Pode falar — respondeu o presidente, animado ao ouvir sua voz.
— O senhor está sabendo do torneio de medicina que vai acontecer em nossa cidade?
— Sim, serei um dos jurados. Mas serei apenas um entre muitos mestres da medicina nacional.
Ao saber que Xu seria jurado, Wu Xiaorui ficou aliviado.
— Quais são os requisitos para participar?
— Xiaorui, você quer competir, não é? Fique tranquilo, já inscrevi seu nome.
— Presidente Xu, muito obrigado...
Após algumas palavras de agradecimento, Wu Xiaorui desligou.
Seu olhar recaiu sobre a porta do quarto. Lá estava a sogra, com um brilho nos olhos e um sorriso que surgia aos poucos enquanto escutava a conversa fragmentada.
— Por que a Luo Tianyi ainda não voltou? — pensou Wu Xiaorui, intrigado. Normalmente, ela saía do trabalho às cinco. Já eram oito horas.
— Mãe, cheguei!
A porta se abriu e a sogra, que descia as escadas, viu Luo Tianyi entrar.
— Venha aqui, preciso falar com você — chamou a sogra, levando-a à cozinha e fechando a porta. Contou-lhe tudo o que havia acontecido.
— Mãe, não acha que está pegando pesado demais? — perguntou Luo Tianyi, incomodada.
Acontece que, para a sogra, Wu Xiaorui, como genro, não só deveria cuidar bem da família, mas também preservar a reputação perante a sociedade. Por esse motivo, decidiu que, mesmo com o bom comportamento dele, era necessário impor mais pressão.
— Só tenho você de filha. Preciso pensar no futuro de vocês. Fique tranquila, ele vai entender.