Capítulo Quarenta e Três: Resgate Bem-Sucedido

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2360 palavras 2026-03-04 20:10:33

— Maldição, esse garoto quer fugir! — gritou João Feng ao ver que Rui Xiaorui escapava, insultando-o enquanto corria atrás para capturá-lo.

Ao deparar-se com uma lixeira, Rui Xiaorui se inclinou sobre ela, liberando tudo o que havia em seu estômago. Naquele instante, percebeu que vomitar era, por incrível que pareça, um alívio. Contudo, ao recordar mentalmente a cena sangrenta, voltou a inclinar a cabeça e continuar vomitando.

As pessoas ao redor ficaram perplexas.

— O que houve com esse rapaz? Mesmo assim não vai procurar um médico?

— Meu Deus, quanto ele comeu para vomitar tanto?

— Olha a expressão dele, nunca vi alguém aproveitar tanto o momento.

As palavras entraram nos ouvidos de Rui Xiaorui, deixando-o constrangido. Seu rosto ruborizou até as orelhas.

Com a cabeça baixa, aproximou-se do sogro, mas antes que pudesse falar, João Feng o agarrou de repente.

— Rapaz, capturei o assassino do seu pai! Foi ele quem causou a morte do seu pai, nosso hospital não tem culpa! — disse João Feng sorrindo.

Como Rui Xiaorui tinha corrido muito rápido, João Feng não conseguira pegá-lo antes, então exagerou ao contar a história ao filho do velho. Agora que Rui Xiaorui voltara, era a ocasião perfeita para se vingar da falta de respeito do rapaz.

— Eu vou te matar! — gritou o jovem, avançando furioso contra Rui Xiaorui.

Rui Xiaorui não se atreveu a enfrentá-lo ali, esquivando-se por toda parte. Se levasse um golpe, certamente sentiria dor por um bom tempo.

— E então, como está a situação? — perguntou o pai de Luó a um médico que chegava apressado.

— Não há mais perigo. Vamos observá-lo por alguns dias e depois ele pode ir para o quarto comum — respondeu o médico, enxugando o suor da testa.

Ao ouvir isso, o pai de Luó suspirou aliviado. O diagnóstico de Rui Xiaorui estava correto, a cirurgia fora bem-sucedida, mas era preciso mais exames para confirmar o estado exato.

— Ei, senhor, seu pai está fora de perigo! — disse o médico.

O jovem, ao ouvir que o pai estava bem, parou imediatamente e foi perguntar ao pai de Luó sobre os detalhes.

João Feng, que esperava um desfecho trágico, ficou surpreso ao saber que tudo correra tão bem. Começou a temer que Rui Xiaorui viesse lhe cobrar contas, e foi recuando discretamente.

— Peço desculpas sinceras, vou me ajoelhar em agradecimento pela sua ajuda! — disse o jovem que há pouco queria matar Rui Xiaorui, preparando-se para se ajoelhar diante dele.

— De jeito nenhum, não posso aceitar tamanha honra — respondeu Rui Xiaorui, apressando-se em segurar o jovem antes que se ajoelhasse. Afinal, só fizera um pequeno favor, e o homem era mais velho que ele, não podia receber tal reverência.

— Rapaz, prepare-se, seu pai ainda precisará ficar no hospital por um tempo até recuperar-se completamente — disse o pai de Luó, observando o constrangimento de Rui Xiaorui.

— Hoje devo mesmo agradecer a você. Quero que me explique detalhadamente como conseguiu identificar o problema — pediu o pai de Luó, com olhos cheios de expectativa.

— Claro, sem problema, mas há algo importante que preciso resolver antes — respondeu Rui Xiaorui, hesitante, olhando para João Feng, que tentava sair de fininho.

— Graças a você, não sei o que teria acontecido! Sugiro que façamos uma festa para celebrar e contar a todos como você salvou um idoso com agulhas de prata — disse João Feng, forçando um sorriso educado.

— Ah, você sabe falar justamente quando convém, mas aquelas palavras de antes ainda estão vivas na minha memória.

— Não foi minha intenção, o que disse antes era o sentimento de todos. Isso mostra que sua habilidade é surpreendente — explicou João Feng.

— João Feng! Por sorte o hospital está tranquilo esses dias, acho melhor você descansar em casa por uns dias — disse o pai de Luó, demonstrando desprezo pela atitude anterior de João Feng, que quase causou um grande problema por acreditar em suas palavras.

— Diretor, eu…

— Está decidido, todos de volta aos seus postos! — cortou o pai de Luó, não querendo ouvir mais explicações, e levou Rui Xiaorui para seu escritório.

O hospital do pai de Luó não era grande, mas extremamente exigente: quem não tivesse competência médica não tinha chance de trabalhar ali.

João Feng era uma exceção. Seu tio havia salvado muitos pacientes no hospital e ajudado a superar dificuldades, mas numa ocasião, durante um salvamento, sofreu uma infecção na mão. Apesar de ter salvado a mão, não pôde mais operar. O pai de Luó, sentindo-se culpado, atendeu ao pedido do tio e permitiu que o sobrinho, João Feng, trabalhasse ali, ocupando o lugar dele. Mas João Feng, apesar de formado em medicina, era um médico medíocre; por consideração, o pai de Luó o mantinha em funções comuns.

No escritório do pai de Luó, ele convidou Rui Xiaorui a sentar-se em sua cadeira, enquanto tomava um assento ao lado. Preparou um chá de folhas raras, guardadas há anos, para Rui Xiaorui.

O aroma daquele chá Rui Xiaorui só havia sentido ocasionalmente em casa, jamais vira as folhas, muito menos provado. Pegou o copo, cheirou o aroma, depois tomou um pequeno gole. O bom chá realmente tinha seu mérito: o sabor espalhou-se pela boca, descendo pela garganta e revigorando todo o corpo.

Rui Xiaorui sentiu-se renovado, o mal-estar de antes desapareceu completamente. Bebeu mais um gole, o efeito foi ainda mais intenso. Logo, terminou todo o chá. Ao ver o apreço de Rui Xiaorui, o pai de Luó, feliz, serviu-lhe outra xícara.

— Na verdade é simples, basta observar os sinais externos do paciente. Observar, escutar, perguntar e tocar: são as bases, mas o mais útil é observar, por isso está em primeiro lugar.

Ao ver o rosto e a respiração do idoso, é fácil identificar a causa da doença. Quando apliquei as agulhas, já sentia onde estava o problema. Hoje posso dizer que tive sorte — explicou Rui Xiaorui, com seriedade.

Vendo o sogro tão atento, Rui Xiaorui não sabia se ele realmente entendia, afinal, aquelas ideias acabara de formular, nem ele próprio acreditava totalmente.

— Não imaginava que você escondesse tanto talento. Acho que deveria trabalhar em nosso hospital — exclamou o pai de Luó, entusiasmado.

— Nosso hospital… — Foi a primeira vez que Rui Xiaorui ouviu isso. Em outras conversas, sempre falavam “hospital da família Luó”. Rui Xiaorui ficou emocionado.

Rui Xiaorui estava feliz, mas ao sair do hospital, João Feng olhou para trás, e seu olhar estava carregado de ódio.