Capítulo Oitenta e Sete — Lições
— Quem foi que mandou vocês virem aqui?
Wu Xiaorui lançou um olhar por entre os presentes, sem o menor vestígio de pânico no rosto.
— Trabalho é trabalho, estamos aqui para resolver problemas em troca de dinheiro.
O homem da cicatriz, que parecia ser o líder, deixou transparecer em seus olhos uma crescente intenção assassina, e logo uma aura perigosa pairou ao redor.
Pelo visto, são acostumados a esse tipo de serviço, pensou Wu Xiaorui consigo mesmo, notando que aqueles homens certamente já haviam feito muitos trabalhos sujos para outras pessoas.
— Foi Chen Anxiang que mandou vocês, não foi?
Wu Xiaorui sorriu de leve, passando novamente o olhar pelos rostos deles.
Assim que ele terminou de falar, as expressões dos homens mudaram sutilmente.
— E daí que você sabe? Em instantes, vai ser só mais um morto.
O homem da cicatriz riu friamente e fez um gesto; seus comparsas avançaram alguns passos, aproximando-se de Wu Xiaorui.
— Com tanta gente do nosso lado, por que esse sujeito ainda está tão calmo?
O líder observou o semblante sereno de Wu Xiaorui e sentiu uma inquietação interior.
Procurou ao redor, mas não viu sinais de que alguém estivesse protegendo Wu Xiaorui nas sombras.
— Matem-no!
Quando os capangas estavam a cinco metros de distância, o homem da cicatriz deu a ordem. Todos avançaram, empunhando facas retiradas às pressas.
— Ótimo, assim aproveito para praticar.
O primeiro deles veio com a faca em punho, desferindo um golpe rápido, quase invisível.
Num piscar de olhos, Wu Xiaorui moveu-se com agilidade, agarrou o punho do atacante e desferiu um chute forte.
Um grito de dor ecoou; o homem foi arremessado para trás e caiu pesadamente, desmaiando.
Os demais, que estavam prestes a avançar, pararam subitamente, surpresos.
— Caramba, esse sujeito realmente sabe lutar.
O homem da cicatriz ficou chocado; Wu Xiaorui parecia comum, mas demonstrava força surpreendente. Agora entendia por que ele estava tão confiante.
— Todos juntos! Somos sete, ele não pode com todos.
Assim que terminou de falar, o homem da cicatriz avançou, seguido pelos outros, sem hesitar.
— Melhor ainda, assim termino logo e volto para casa jantar.
Wu Xiaorui avançou, e em poucos movimentos, nocauteou mais dois adversários.
Os que restavam começaram a hesitar, o medo crescendo em seus corações.
Aproveitando o momento de indecisão, Wu Xiaorui avançou como um raio. Esquivou-se de um golpe, socou o rosto do oponente com força.
— Ai, dói!
O homem gritou de dor, sangue escorreu do nariz e da boca.
— Vamos embora, não somos páreo para ele!
Agora o homem da cicatriz já pensava em fugir, assustado com a força que Wu Xiaorui demonstrara.
— Querem fugir?
Wu Xiaorui resmungou, correndo atrás deles; logo, mais dois gritavam como porcos sendo abatidos.
O líder, que corria na frente, ao ouvir os gritos, sentiu as pernas fraquejarem e tropeçou, caindo de cara no chão.
— Por favor, irmão, tenha piedade...
A expressão do homem era de puro terror; olhava para Wu Xiaorui como se estivesse diante de um demônio.
— Vocês tentaram me matar, acha mesmo que vou deixar passar?
Um novo coro de gritos desesperados ecoou. Wu Xiaorui olhou para trás, sorriu levemente e, ainda sob o efeito do álcool, seguiu para casa.
No interior de um luxuoso Mercedes, Chen Anxiang exibia um sorriso satisfeito. Porém, ao receber a notícia do fracasso pelo telefone, seu rosto tornou-se lívido de raiva.
— Inúteis! Bando de incompetentes!
Desferiu um soco no encosto do banco. Seu corpo todo tremia de fúria.
— Wu Xiaorui, espere só — vou te fazer pagar!
Ao chegar em casa, não encontrou a esposa, Luo Tianyi, mas sim a sogra, sentada no sofá, com um semblante desagradável.
O que será que houve?
Wu Xiaorui achou estranho. A relação com a sogra vinha melhorando, será que havia algo de novo para ela se incomodar?
— Mãe, o que houve?
Ele sentou-se em frente a ela, num tom preocupado, analisando discretamente sua expressão.
— Ai, Xiaorui, você soube? Zhang Feng vai representar o hospital no campeonato municipal de medicina.
Ao dizer isso, a sogra se calou, fixando os olhos nele, como se esperasse uma reação.
— Esse campeonato é uma oportunidade de conquistar prestígio na cidade. Ouvi dizer que você é um grande médico. Sabe que nossa situação financeira não anda boa, e Tianyi, casada com você, não pode passar por dificuldades...
Ao ouvir isso, Wu Xiaorui entendeu o que ela queria.
— Fique tranquila, mãe. Cuidarei bem de Tianyi.
Depois de tranquilizá-la, Wu Xiaorui foi até o quarto e telefonou para o presidente Xu, buscando informações.
— Presidente Xu, tem um minuto? Desculpe incomodar.
— Ora, Xiaorui! Diga, em que posso ajudar?
O tom de Xu era cordial e bem-humorado ao reconhecer a voz de Wu Xiaorui.
— O senhor sabe sobre o campeonato municipal de medicina?
— Claro que sim! Inclusive, serei um dos jurados, embora haja grandes mestres da medicina do país também.
Ao saber que Xu faria parte do júri, Wu Xiaorui ficou contente.
— Quais são os requisitos para participar...?
— Xiaorui, você quer competir, não é? Fique tranquilo, já inscrevi seu nome.
— Muito obrigado, presidente Xu...
Após algumas palavras de cortesia, Wu Xiaorui desligou o telefone.
Logo, olhou para a porta do quarto.
Ali estava sua sogra, olhos brilhando, e um sorriso aparecia em seu rosto enquanto ouvia partes da conversa.
— Onde estará Luo Tianyi que ainda não voltou?
Wu Xiaorui achou estranho, pois normalmente ela saía do trabalho às cinco, e já eram oito horas.
— Mãe, cheguei!
A porta da casa se abriu, e a sogra, que tinha acabado de descer, viu Luo Tianyi entrando.
— Venha cá, preciso falar com você.
A sogra levou-a para a cozinha, fechou a porta e contou tudo que acontecera.
— Mãe, não acha que está indo longe demais?
Havia desagrado no olhar de Luo Tianyi.
Afinal, para a sogra, sendo Wu Xiaorui genro da família, ele não só devia ser bom com eles, mas também manter uma boa aparência fora de casa.
Por isso, mesmo que Wu Xiaorui sempre tivesse se saído bem, ela achava que precisava colocar pressão sobre ele.
— Só tenho você, filha. Tenho que me preocupar com o futuro de vocês. Fique tranquila, esse rapaz vai entender.