Capítulo Seis: Exigências Exorbitantes
— Wu Xiaorui, acho que você está mesmo procurando confusão!
— Espere, hoje também tenho algo para te avisar. A partir de hoje, você vai cortar todas as relações com aquele tal de Song Xin, e mais: a partir de hoje, vou dormir na cama. — Diante da postura de Luo Tianyi, Wu Xiaorui apressou-se em dizer.
— Ora, isso eu já te disse antes. Oitenta mil. E agora, tem esse dinheiro? — respondeu Luo Tianyi friamente.
— Se eu não tivesse esses oitenta mil, hoje não teria coragem de falar assim com você. — Com um estalo, Wu Xiaorui jogou um cartão bancário novinho em folha sobre a penteadeira de Luo Tianyi.
— Não tem senha. Se não acredita, pode verificar agora. Mas não são oitenta mil... — Wu Xiaorui fez uma pausa proposital, e então falou alto: — É cem mil.
Luo Tianyi não conseguiu mais esconder a expressão de surpresa. Pegou o cartão na mesa e rapidamente pediu a uma amiga, que trabalhava no banco, para conferir.
Só quando a amiga confirmou que realmente havia cem mil ali, ela acreditou que aquilo era mesmo verdade.
— De onde você conseguiu esse dinheiro? — O que mais intrigava Luo Tianyi era o que teria acontecido com Wu Xiaorui. Desde que saíra do hospital, ele parecia diferente do habitual.
— Não se preocupe com isso. O importante é que a dívida está paga. Agora, cumpra a sua parte. — Wu Xiaorui já esperava por essa pergunta e, claro, não poderia deixar que ela soubesse de sua verdadeira capacidade.
— Cumpra o quê? Oitenta mil foi só o principal. Não se esqueça de que esse dinheiro salvou a vida do seu pai. Cobrar um pouco de juros não é pedir demais, não é? — Luo Tianyi sorriu, convicta de que esse marido inútil já tinha feito o impossível para conseguir aquele dinheiro, e que não teria como levantar outra quantia grande.
— Fale logo, diga o valor de uma vez. — Wu Xiaorui não se importou. Ainda tinha uma quantia guardada. Mesmo que pedisse mais oitenta mil, ele poderia entregar imediatamente.
— Quinhentos mil. Nem um centavo a menos. — Luo Tianyi sabia que Wu Xiaorui jamais conseguiria levantar quinhentos mil, e assim ele teria que obedecê-la sem questionar.
— O quê? Você está...
— Quinhentos mil, então. Mas, depois, não volte atrás. — disse Wu Xiaorui, já se preparando para dormir no chão mais uma vez.
— Ah, para ajudar você a assumir logo as rédeas, amanhã você começa a trabalhar na minha empresa. Hoje já providenciei um cargo para você. — Luo Tianyi falou, exibindo um sorriso orgulhoso.
Ela não acreditava nem por um instante que seu marido inútil conseguiria juntar quinhentos mil. Com isso, ele jamais seria capaz de impedir que ela continuasse com Song Xin.
Wu Xiaorui não deu atenção à esposa, apenas se enfiou sob as cobertas pensando em como poderia ganhar mais dinheiro ainda.
— Ei, vocês viram quem está seguindo a Luo Tianyi?
— Ora, esse aí não é o genro inútil da família Luo?
— O que ele veio fazer na nossa empresa? Deve estar querendo mostrar o quanto é incapaz.
Assim que Wu Xiaorui apareceu, os funcionários da empresa de Luo Tianyi começaram a comentar e rir dele. Vaidosa, Luo Tianyi só queria passar logo por eles. Já Wu Xiaorui, não ligava, e ainda os cumprimentava com um sorriso.
— Tianyi, o que deu em você hoje? Que maluquice é essa de trazer esse inútil pra cá? — Assim que Luo Tianyi se sentou em sua mesa, uma amiga próxima se inclinou e perguntou.
Ter um genro inútil em casa não era mais segredo para ninguém, e ela já nem tentava mais explicar. Apenas suspirou e começou a trabalhar.
Na empresa, quase todos os cargos já tinham ocupantes, e ao saberem que se tratava de Wu Xiaorui, o gerente logo destinou a ele a função de limpeza.
No fundo, Wu Xiaorui não queria nada disso. Com suas habilidades atuais, poderia se destacar em qualquer área. Mas trabalhar perto da esposa era conveniente para observar o que ela fazia com aquele galã.
Quando teve um momento de folga, percebeu que o cargo era melhor do que imaginava. Além de recolher lixo, ele precisava servir chá e água para todos, ficando sempre à vista.
Assim, seja para ir ao banheiro ou para reportar algo aos chefes, todos tinham que passar por ele.
Bastava se concentrar, e todas as mulheres que passavam diante dele eram observadas nos mínimos detalhes — e a roupa íntima que usavam o deixava ainda mais excitado. Apesar do prazer visual, fisicamente ele acabava sofrendo.
— Leve este documento até a sala do gerente. — Enquanto Wu Xiaorui desfrutava do espetáculo, uma voz conhecida o chamou.
Sem entusiasmo, ele pegou o envelope e seguiu em direção ao escritório.
— Viu só? Esse inútil só serve pra isso.
— Se fosse eu, já teria pulado no rio há tempos.
— Ainda bem que o gerente pensa na gente e arranjou alguém para servir chá e água.
Eles nem se preocupavam se Wu Xiaorui ouviria. Quanto mais irritado ele ficasse, mais felizes pareciam.
— Não me subestimem agora. Um dia, quando eu for o rei daqui, vocês não vão nem saber onde chorar. — pensou Wu Xiaorui, absolutamente seguro de si. Por enquanto, tudo estava sob seu controle.
— Gerente, e aquilo que te falei da última vez, tem alguma resposta? — Dentro do escritório, uma voz feminina e frágil se fazia ouvir.
— Baixinha, você sabe que nossa empresa é uma das melhores da cidade. Até formados nas melhores universidades têm dificuldade de entrar aqui. Seu irmão... bem, nem se compara a esses candidatos. — respondeu um homem de meia-idade, de óculos.
— Eu sei que não é fácil trazer meu irmão para cá. Este dinheiro é só para compensar seu esforço. — Ela colocou um envelope sobre a mesa do gerente.
— Além disso, meu salário e o dele do mês que vem serão entregues ao senhor, centavo por centavo. — garantiu a jovem.
O gerente lançou um olhar ao envelope, sorrindo satisfeito.
— Baixinha, você sabe que não sou esse tipo de pessoa. Tenho dinheiro de sobra, por que iria querer o de vocês? E você sabe o quanto gosto de você. Se aceitar passar esta noite comigo, amanhã mesmo seu irmão começa a trabalhar aqui. — O gerente deixou cair a máscara e mostrou suas verdadeiras intenções.
Ciente de que tinha a jovem em suas mãos, ele se sentiu ainda mais ousado. Levantou-se e a envolveu nos braços, beijando seu rosto descuidadamente com sua boca cheia de barba.
A jovem, embora resistisse, não tinha força para lutar e nem coragem de provocar sua ira. Limitava-se apenas a desviar o rosto, tentando escapar.