Capítulo Quarenta: O Resgate da Mãe de Luo
— Fala logo, você tem um jeito, não é? — Ló Tianyi, tomada pela emoção, agarrou o braço de Wu Xiaorui.
Wu Xiaorui imediatamente sentiu uma dor aguda. — Ei, com calma! Vai acabar quebrando meu braço! — exclamou, apressado.
Só então Ló Tianyi percebeu que, por conta da ansiedade, tinha apertado demais, e envergonhada, soltou o braço dele.
— Fique tranquilo, já sei o que está acontecendo. Não precisam se preocupar tanto — disse Wu Xiaorui, massageando o braço e demonstrando confiança.
— Então o que está esperando? Salve minha mãe logo! — Ló Tianyi ficou irritada ao perceber que Wu Xiaorui não tomava iniciativa.
— Não é que eu não queira ajudar, mas você viu como se dirigiu a mim. Se quer que eu salve alguém, pelo menos deveria ser mais gentil. Quem pede ajuda tem que saber pedir — Wu Xiaorui queria ver até onde Ló Tianyi iria por causa de sua mãe.
— Está me ameaçando? Nesse caso, não preciso do seu favor, vamos esperar pela ambulância! — Ló Tianyi jamais imaginaria que Wu Xiaorui, um homem tão digno, usaria aquela situação para chantageá-la.
— Muito bem! Se não precisa de mim, vou ficar de lado. Só que, como você viu, não sei se minha sogra vai aguentar até lá — Wu Xiaorui fingiu que se afastava.
Ao olhar novamente para Ló Tianyi, percebeu que seus olhos estavam cheios de lágrimas, e sentiu pena dela; achou que estava não só machucando o coração dela, como também fazendo com que ela o desprezasse ainda mais.
— Diga então, o que quer que eu faça?
Quando Wu Xiaorui já se preparava para ajudar, Ló Tianyi falou, com um tom muito mais suave.
— É simples: se eu salvar sua mãe, você me dá um beijo — disse Wu Xiaorui, percebendo que ela já estava preparada psicologicamente e querendo brincar um pouco, afinal, mesmo casados há tanto tempo, nunca experimentara tal sensação.
— Isso… isso… está bem, combinado, mas faça logo! — Ló Tianyi concordou prontamente, sem hesitar.
— Tianyi, você… — O pai de Ló não tinha alternativa. Sabia que havia algo entre os dois, mas, de qualquer forma, eram legalmente casados, e diante daquela situação, só pôde se afastar e entregar sua esposa aos cuidados de Wu Xiaorui.
Wu Xiaorui se aproximou da mãe de Ló e tirou do bolso algumas agulhas de prata, que carregava há muito tempo, mas raramente usava. Hoje era a ocasião perfeita.
Com sua visão aguçada, Wu Xiaorui conseguiu inserir as agulhas nos pontos certos sem precisar despir a paciente, evitando assim qualquer constrangimento.
O pai de Ló e Ló Tianyi, ao verem as agulhas, pensaram de imediato como Wu Xiaorui conseguiria colocá-las nos locais exatos. Se a mãe de Ló soubesse, talvez entrasse em desespero.
Ele ergueu as agulhas, canalizou parte de sua energia recém-desenvolvida nos dedos e aplicou as agulhas nos pontos Lingxu, Zhangmen, e Burong. Com a força do qi, as agulhas passaram facilmente pelo tecido até os pontos de acupuntura.
O pai de Ló, formado em medicina ocidental, dependia de aparelhos avançados para tratamentos precisos; nunca tinha visto nada parecido com o método de Wu Xiaorui. Era cético quanto ao sucesso daquele genro aparentemente inútil.
Por ter dificultado a situação para Ló Tianyi e perdido tempo precioso, Wu Xiaorui não ousou demorar mais. Rapidamente, inseriu todas as agulhas nos pontos necessários.
— Meu Deus, que velocidade é essa! — exclamou o pai de Ló, impressionado. Ele próprio era exigente quanto à rapidez nos procedimentos cirúrgicos, mas aquela destreza era surpreendente, não conseguiu sequer acompanhar o que aconteceu.
— Pronto, está tudo resolvido! Agora, cumpra sua promessa! — Wu Xiaorui voltou-se para Ló Tianyi, que estava atônita ao lado.
— Como assim? Por que antes ela estava ofegante e agora não está mais? — Ló Tianyi agarrou a camisa de Wu Xiaorui, questionando.
— Confie em mim, está tudo bem agora. Só peço que tragam uma lixeira, senão vocês vão ter trabalho depois — Wu Xiaorui mostrou um semblante relaxado, pois tudo estava sob seu controle.
A mãe de Ló tossiu duas vezes, sentou-se e, felizmente, o pai de Ló entregou a lixeira a tempo. Ela vomitou violentamente.
Diante daquela cena, Wu Xiaorui rapidamente se afastou; o cheiro era centenas de vezes pior que tofu fermentado.
Ló Tianyi também tapou o nariz, querendo se aproximar, mas não conseguia dar um passo; aquele odor só poderia ser enfrentado com uma máscara de gás.
Já o pai de Ló aguentou firme, o rosto vermelho, e assim que a mãe de Ló terminou, ele correu com a lixeira para fora, como se carregasse uma bomba perigosa — aquilo era mesmo uma arma biológica.
— Mãe, mãe, o que houve? Por que desmaiou de novo? — Ló Tianyi sacudiu a mãe, sem resposta, e voltou a questionar Wu Xiaorui.
— Como você sabe, ela foi envenenada, então perdeu muita energia vital. Embora tenha só vomitado, isso já consumiu bastante. Agora precisa descansar um pouco — Wu Xiaorui sabia que, por mais que explicasse, ela não entenderia.
— Tianyi, sua mãe está fora de perigo. Depois, no hospital, basta um ajuste para se recuperar — o pai de Ló percebeu imediatamente a melhora da esposa.
— Hoje só posso agradecer a você. Pode me explicar como conseguiu isso? — O pai de Ló se aproximou de Wu Xiaorui, com um olhar ansioso, claramente desejando saber mais.
Wu Xiaorui nunca tinha visto aquele olhar no sogro, que era sempre dedicado à medicina, indiferente ao que acontecia ao redor, mantendo um olhar sempre sereno.
— Isso… isso é melhor explicar com o tempo. Não é algo que se aprende de uma hora para outra — Wu Xiaorui não sabia bem como responder, pois seu conhecimento era superficial.
Nesse momento, a ambulância chegou. Os enfermeiros carregaram a mãe de Ló às pressas, e o pai de Ló foi junto.
Ló Tianyi também queria acompanhar, mas Wu Xiaorui segurou firme seu braço. Em força, ela jamais o venceria; resistiu um pouco, mas logo perdeu as forças.
Ao olhar para Wu Xiaorui, percebeu que seu olhar se tornara estranho, e sentiu medo, receosa de que ele pudesse fazer algo exagerado.