Capítulo Trinta e Oito: Um Plano Dentro do Plano
Quando saíram do quarto, o canto dos lábios da menina se ergueu levemente e ela soltou uma respiração pesada.
— Irmão Wu, como está a minha filha? — Assim que saiu do quarto, Wei Dezhan perguntou ansioso.
— Fique tranquilo, meu caro. Só queria perguntar: você prometeu algo à menina que não cumpriu? Acho que ela está assim por isso — respondeu Wu Xiaorui, calmo.
— Ah, meu amigo Wu, pode me chamar só de irmão daqui em diante. Agora, deixa eu pensar se deixei de cumprir alguma promessa feita a ela... — Wei Dezhan começou a vasculhar a memória, tentando lembrar-se do que prometera à filha e não cumprira.
— Patrão, o que isso quer dizer? Acho que esse sujeito está só inventando histórias — Zhang protestou, impaciente ao lado. — Eu vou agora mesmo...
Wei Dezhan estendeu a mão rapidamente, indicando que Zhang não fizesse nada precipitado. Afinal, Wu Xiaorui era um convidado importante, e mesmo que não entendesse de medicina, ele não podia ser tratado com grosseria.
— Já sei! Há pouco tempo prometi que ficaria em casa brincando com ela por alguns dias. Mas você sabe como é, minha vida é cheia de imprevistos, nunca sei quando surge alguma coisa que exija minha atenção... — Wei Dezhan sentia-se constrangido por não cumprir o combinado.
— Mas, irmão Wu, o que isso tem a ver com a doença de Xiaoxue? — Apesar de tudo, Wei Dezhan ainda não via relação entre a promessa descumprida e a doença da filha.
— Tem sim. Para fazer você ficar ao lado dela, essa foi a única solução que encontrou. Fique tranquilo, irmão, Xiaoxue não tem nada grave, ela está apenas fingindo estar doente — disse Wu Xiaorui, olhando para os presentes, que normalmente eram tão perspicazes, mas agora pareciam totalmente confusos.
— Seu moleque, se continuar falando bobagens, não sairá daqui sem apanhar! — Zhang ameaçou, já se preparando para dar uma lição em Wu Xiaorui.
Zhang, embora tivesse menos autoridade que Wei Dezhan, agia assim apenas na frente dos outros; entre eles, eram como irmãos, falavam o que queriam um ao outro. Wei Dezhan já lhe dissera várias vezes para não chamá-lo de patrão, pois todos eram iguais numa sociedade civilizada, mas Zhang nunca aceitara.
Se não fosse por ter sido salvo por Wei Dezhan, Zhang já teria morrido de doença em Qingyuan. Por isso, fazia tudo ao seu alcance para cuidar da casa do patrão. Normalmente, Zhang era gentil com todos, mas por causa de Xiaoxue, estava especialmente agitado aquele dia. Wei Dezhan, compreendendo, não o repreendeu, apenas abaixou lentamente a mão que Zhang levantara.
— Não se altere. Já disse que não é nada, então não é nada. Vá preparar algumas das comidas que ela gosta, ou os brinquedos preferidos, tanto faz — sugeriu Wu Xiaorui, recuando alguns passos e continuando.
— Quem é você? Só de olhar assim, já sabe que não é nada? — Zhang não confiava em Wu Xiaorui e quis saber quem ele era.
— Meu nome é Wu Xiaorui, vim hoje conversar com o irmão sobre alguns assuntos. Portanto...
— Você é o inútil genro da família Luo? Como pode um incapaz como você vir aqui dar palpite? Patrão, não se deixe enganar por esse sujeito! — Assim que ouviu o nome, Zhang olhou com desdém para Wu Xiaorui.
Como Zhang costumava passear com Xiaoxue pela cidade, já ouvira falar do genro inútil da família Luo.
— Zhang, acho que você está enganado, não fale assim com nosso amigo — aconselhou Wei Dezhan, achando que Zhang exagerava.
— Engano nada! O que ele faz de errado é se aproveitar de você para tirar vantagem! Só estou sendo gentil ao falar assim dele — Zhang não desistiu de desmerecer Wu Xiaorui.
— Melhor esperarmos o médico, então. Não posso fazer mais nada se não acreditam em mim — disse Wu Xiaorui, percebendo que Zhang estava passando dos limites. Só o médico, que chegaria em breve, poderia comprovar sua posição, já que a menina não tinha realmente nenhum problema de saúde.
Com isso, todos deixaram de discutir quem estava certo. Wei Dezhan também não tinha certeza, pois nunca vira alguém examinar um paciente apenas olhando, sem qualquer outro procedimento. Por isso, ele também duvidava de Wu Xiaorui.
— Senhor Wei, perdão pelo atraso, foi tudo muito de repente — desculpou-se o médico ao chegar.
Wei Dezhan apenas fez sinal para que o médico examinasse logo a filha.
— Que inveja desses ricos, que conseguem tudo — pensou Wu Xiaorui, admirado. Embora fossem à casa deles, os médicos traziam os aparelhos mais modernos, de última geração, e nada faltava.
Wu Xiaorui manteve-se mais ao fundo, observando o médico usar os sofisticados equipamentos para examinar o corpo da menina.
— E então, doutor? — Zhang foi logo perguntar ao ver que o exame terminara.
Ele queria ouvir qualquer diagnóstico, nem que fosse um problema mínimo, só para provar que Wu Xiaorui era realmente um inútil.
— Não há nenhum problema. A menina está muito saudável, mas pelo que vejo, parece doente. Recomendo levá-la ao hospital para um exame mais detalhado — respondeu o médico, enquanto guardava seus instrumentos, um tanto intrigado.
O aparelho utilizado era o mais avançado da região, só disponível no maior hospital de Qingyuan, capaz de identificar qualquer anomalia, mas não encontrara nada de errado com a menina.
— Obrigado, doutor. Zhang, acompanhe o médico até a saída — pediu Wei Dezhan.
Zhang não discutiu e, assim que o médico terminou, apressou-se em acompanhá-lo para fora da mansão.
— Agora sigamos o conselho do amigo Wu. Deve ser apenas mais uma brincadeira dessa traquina — disse Wei Dezhan, pedindo para Zhang preparar as comidas preferidas de Xiaoxue.
Ele sabia que ninguém resiste às suas comidas favoritas.
De propósito, colocaram os pratos no quarto da menina, saíram fingindo indiferença e, então, espiaram pela fresta da porta para ver o que aconteceria.