Capítulo Cinquenta e Sete: Aprendendo a Preparar Poções

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2266 palavras 2026-03-04 20:10:41

Neste momento, Wu Xiaorui voltou a usar seus olhos. Assim que olhou para eles, sentiu como se aquelas coisas fossem sugadas para dentro de sua mente, penetrando incessantemente em seu cérebro.

Wu Xiaorui percebeu que, sempre que pensava naquilo que invadira sua mente, surgiam ali as fórmulas das pílulas, além de alguns outros remédios.

Foi cerca de um minuto até que nada mais entrasse em sua cabeça. Ainda assim, Wu Xiaorui ficou ali parado, atônito.

O senhor Zhao e Xu Xiaoqing estavam ao lado, sem entender o que se passava, achando até que ele tivesse sido possuído.

— Irmão Wu! Irmão Wu! — murmurou o senhor Zhao, receoso de levantar muito a voz e incomodar Wu Xiaorui.

No fim, foi Xu Xiaoqing quem se aproximou e puxou levemente sua roupa, fazendo com que Wu Xiaorui finalmente voltasse a si.

— Senhor Zhao, como o senhor conseguiu esse livro? — Wu Xiaorui nunca imaginara que numa empresa tão modesta encontraria um tomo antigo como aquele. Se descobrisse de onde viera, poderia procurar pela fonte e, assim, aprender muito mais sobre medicina.

— Bem... eu não sei ao certo. Acho que comprei num sebo por aí, não custou quase nada. Se quiser, irmão Wu, pode ficar com ele — respondeu o senhor Zhao, numa tentativa sutil.

— Não é necessário, podem ficar com ele — respondeu Wu Xiaorui, desconfiado do que poderiam inventar se ele aceitasse o livro naquele momento.

Enquanto falava, seus olhos vasculhavam os arredores, à procura de outros livros antigos, mas, após um bom tempo de busca, nada encontrou.

— Acho melhor irmos, não? — sugeriu Wu Xiaorui a Xu Xiaoqing.

— Irmão, veja só isto! — antes que saíssem, o senhor Zhao chamou.

Wu Xiaorui percebeu que o motivo que inventara havia sido levado a sério. Se dissesse agora que mentiu, o senhor Zhao ficaria furioso. Então, decidiu improvisar, oferecendo a ele uma pílula e, assim, testar se conseguia mesmo produzi-la.

No laboratório, Wu Xiaorui pegou alguns pós de ervas aleatórios e, com destreza, moldou uma pílula em suas mãos. Para sua surpresa, ela ficou tão bem feita quanto as produzidas pelas máquinas.

— Aqui está o antídoto! — disse, entregando a pílula ao senhor Zhao.

— Isso... isso realmente funciona? — Zhao, desconfiado, recebeu o remédio.

— Pode confiar. Você nos trouxe até aqui, e eu cumpro minha palavra. Tome, não terá problema — afirmou Wu Xiaorui, sério.

Sem alternativa, Zhao engoliu a pílula de uma vez, sem sequer pedir água.

— Assim que chegar em casa, vá dormir logo, para não ter problemas quando o efeito começar. Amanhã, vai se sentir revigorado — disse Wu Xiaorui, ainda na porta, antes de sair. Ele sabia que muitos dos capangas do empresário estavam do lado de fora e, se não deixasse claro que o efeito viria depois, Zhao poderia querer se vingar imediatamente. Por precaução, Wu Xiaorui preferiu manter o controle da situação.

— Você realmente envenenou ele? — perguntou Xu Xiaoqing, desconfiada, pois não acreditava que Wu Xiaorui recorreria a truques tão baixos.

— Claro que não. Só quis assustar, caso contrário, ele não teria nos levado até lá.

— Ai... parece que nossa preparação foi insuficiente. Eles não cometeram nenhum crime grave — suspirou Xu Xiaoqing, insatisfeita com o resultado daquela noite.

— Como assim não cometeram? Aqueles remédios contêm substâncias que atuam no sistema nervoso e viciam facilmente quem os consome. Amanhã, você pode denunciar tudo e pedir uma investigação dos órgãos competentes. Não terão como continuar funcionando.

Wu Xiaorui não esperava que ela julgasse tudo tão rápido, mas compreendia seu ponto de vista. Os esquemas deles eram muito bem planejados e, sem equipamentos avançados, seria impossível detectar qualquer irregularidade nos medicamentos.

— Sério? Então as fotos que tirei vão servir? — indagou Xu Xiaoqing, animada, enquanto o carro balançava violentamente e Wu Xiaorui a alertava para ter cuidado.

Ele não imaginava que, discretamente, ela já tivesse tirado várias fotos. Sua agilidade o surpreendeu.

— Então, além de suas habilidades, você entende de medicina? Será que pode me ensinar a usar agulhas de prata? Pareceu tão eficaz! — exclamou Xu Xiaoqing, entusiasmada.

— Não é tão simples. Se quiser aprender, terá que estudar todos os pontos do corpo humano e suas funções. Só assim poderei ensinar — respondeu Wu Xiaorui, surpreso com o interesse dela. O uso incorreto das agulhas pode causar desde dormência até paralisia.

— É tão complicado assim? Vai exigir mesmo dedicação... — lamentou Xu Xiaoqing, mas ainda assim interessada.

Como já era tarde, Wu Xiaorui fez questão de acompanhar Xu Xiaoqing até em casa, antes de voltar sozinho. Ela havia insistido em levá-lo, mas ele temia pela segurança dela, tão tarde, andando sozinha à noite.

Quando finalmente chegou em casa, já eram quase duas da manhã. Dessa vez, tomou o máximo de cuidado para não fazer barulho. Porém, ao entrar, notou que todas as luzes estavam acesas.

Nunca antes vira, naquela hora, todos os quartos iluminados. Sem tempo para pensar, subiu as escadas em silêncio.

— Cunhado, ainda bem que você voltou! Minha irmã e eu estamos esperando há horas. Onde você estava? Por que demorou tanto? — disse Luo Tiande, mal Wu Xiaorui subiu alguns degraus.

O susto quase o fez escorregar e, por um instante, amaldiçoou Luo Tiande mentalmente. Se algo ruim acontecesse por causa de sua indiscrição, não o ajudaria mais com os projetos.

— Não foi nada demais, fui ajudar um amigo com uma investigação. Sua irmã ainda está acordada? — perguntou, tentando manter a calma.

Normalmente, a essa hora, Luo Tianyi já teria dormido. Ela não costumava ficar acordada até tarde, o que indicava que algo sério acontecera em casa.

— Sim, é melhor você subir logo — respondeu Luo Tiande, ajudando-o a subir.

Quando entrou, Wu Xiaorui notou que Luo Tianyi o fitava com raiva. Sob aquele olhar, sentiu-se mesmo como se tivesse cometido uma traição.

— Tiande, o que aconteceu? Por que todos estão tão agitados? — perguntou Wu Xiaorui, buscando mudar de assunto. Afinal, problemas da família Luo, para ele, não tinham tanta importância.