Capítulo Cinquenta e Seis: Veneno na Medicina
Wu Xiaorui aproveitou que eles ainda não haviam se aproximado e deu um grande passo à frente.
Como Wu Xiaorui estava a apenas dois passos de distância do senhor Zhao, ele avançou e, sem hesitação, cravou uma agulha de prata no pescoço do homem, retirando-a rapidamente, sem deixar vestígio algum.
— O que... o que você fez comigo? — perguntou o senhor Zhao, sentindo o corpo todo formigar, incapaz de usar sequer um pouco de força.
— Vamos, levem-me para fora. Com o seu chefe nesse estado, não vai durar muitas horas antes de se despedir deste mundo — Wu Xiaorui fingiu que nada havia acontecido.
— Mas eu não sei se esse veneno vai fazer o corpo todo apodrecer — acrescentou, elevando a voz ao perceber que os homens realmente começavam a agir contra ele.
— Esperem, soltem-no e saiam primeiro — ordenou o senhor Zhao aos seus subordinados, apressado.
Eles rapidamente soltaram Wu Xiaorui e saíram.
— Senhor Wu, por favor, seja generoso, dê-me o antídoto! — o senhor Zhao suplicou imediatamente.
— Você sabe como é, eu sou apenas um vagabundo, como pode falar comigo desse jeito, senhor Zhao? — Wu Xiaorui fingiu não ouvir.
— O que eu disse antes foi só bobagem, palavras de um homem desprezível, não são dignas de confiança — justificou o senhor Zhao, humilhado.
— Você sabe...
Antes que Wu Xiaorui terminasse, o senhor Zhao caiu de joelhos no chão, arrastando-se lentamente na direção dele.
Surpreso com a atitude, Wu Xiaorui apressou-se a ajudá-lo a se levantar. Apesar das palavras duras, nunca teve intenção de humilhá-lo daquela forma.
— Veja, hoje viemos só para observar como vocês produzem os medicamentos. Diga-me, o que pretendem esconder com esse comportamento? — Wu Xiaorui ergueu o senhor Zhao, questionando.
— Senhor Wu, você sabe que dentro da empresa eu não tenho acesso a certas áreas. Para ver o que há abaixo, é preciso permissão do nosso chefe, e só ele tem a chave — respondeu, aflito.
— Pelo que vejo, ele realmente está com dificuldades. Talvez seja melhor voltarmos amanhã — sugeriu Xu Xiaoqing, puxando Wu Xiaorui para um canto e sussurrando.
— Já se deixou intimidar? Assim não pode ser jornalista — Wu Xiaorui sorriu, falando baixo.
Xu Xiaoqing não entendeu o que Wu Xiaorui queria dizer, mas não se atreveu a impedi-lo. Afinal, ela havia investigado a empresa por muito tempo sem descobrir o laboratório subterrâneo, enquanto Wu Xiaorui, em sua primeira visita, o encontrou facilmente.
— Sendo assim, só me resta ir embora. Se conseguirá resistir até encontrarmos seu chefe, já não posso garantir — Wu Xiaorui fingiu que ia sair.
— Não, espere, eu levo vocês agora mesmo! — o senhor Zhao, apavorado, reagiu.
— Então vamos! — Wu Xiaorui disse, cravando outra agulha de prata em um ponto diferente do corpo do senhor Zhao.
Apesar de sentir as forças retornando aos poucos, o senhor Zhao ainda estava tomado pela sensação de fraqueza e não ousava fazer nada.
Através da entrada de um laboratório, chegaram ao porão, um espaço ainda maior que o laboratório de produção de cima. Era evidente que ali não se fazia limpeza há muito tempo; a poeira dominava todos os cantos.
Além disso, os métodos de produção contrariavam todas as normas, mas pelo menos o foco era granulado, sem cápsulas tóxicas.
— Na verdade, não há muito, esses problemas podem ser corrigidos rapidamente. Os medicamentos são genuínos — afirmou o senhor Zhao, sinceramente.
Wu Xiaorui, porém, não acreditava que fosse tão simples; se fosse, o senhor Zhao não teria hesitado tanto para levá-los ali.
Xu Xiaoqing retirou um instrumento do bolso, escolheu um medicamento qualquer, colocou-o em um recipiente, misturou com água e iniciou a análise.
— Está tudo certo, não há problemas — disse Xu Xiaoqing, aliviada ao ver o resultado.
— Como pode ter certeza de que não há problema? — Wu Xiaorui perguntou em voz baixa, temendo que o senhor Zhao ouvisse.
— O equipamento que trouxe é especializado para isso, não detectou nenhuma substância tóxica — respondeu Xu Xiaoqing, confiante.
Wu Xiaorui ficou perplexo com esse método, pois percebia claramente que os medicamentos continham componentes semelhantes a drogas, agindo sobre o sistema nervoso e aliviando sintomas independentemente da doença.
— Esses medicamentos têm fórmulas, certo? Podemos vê-las? — Wu Xiaorui perguntou ao senhor Zhao.
— Isso... temo que não seja possível. São segredos comerciais, nosso único meio de sobrevivência. Se forem revelados, logo estaremos falidos — respondeu o senhor Zhao, realmente aflito.
Wu Xiaorui sabia que não era razoável insistir, mas sentiu o aroma de fitoterápicos e ficou curioso sobre as receitas.
— Pode ficar tranquilo, se algo vazar, nós dois assumimos toda a responsabilidade — garantiu Wu Xiaorui.
O senhor Zhao, temendo contrariá-lo, cedeu, embora relutante.
Logo, Wu Xiaorui e seus companheiros entraram em outro laboratório, repleto de fórmulas de medicamentos. A maioria era de remédios ocidentais, que não interessavam muito a Wu Xiaorui, já que suas fórmulas eram conhecidas.
Em seguida, foi até o setor das fórmulas de fitoterápicos, onde havia várias receitas.
Wu Xiaorui examinou atentamente as fórmulas. Para sua surpresa, havia muitas, e seus olhos conseguiam penetrar facilmente, sendo atraído por um livro que estava abaixo.
Sem hesitar, começou a procurar pelo livro. O senhor Zhao queria impedi-lo, mas já estava sob seu controle, incapaz de agir.
Só quando Xu Xiaoqing o alertou, Wu Xiaorui se conteve um pouco, quase esquecendo que estava na casa alheia.
Ao encontrar o livro, percebeu que o título já estava ilegível pelo desgaste. Cada página estava bastante danificada, mas o texto preservado.
— Nunca conseguimos entender esse livro. Não sabemos de que época são as letras, já consultamos especialistas e ninguém conseguiu decifrar — explicou o senhor Zhao, apressado.
Ele não tinha medo de Wu Xiaorui ler o livro, afinal não acreditava que ele pudesse entender.
— Que diabos de letras são essas? Parecem rabiscos! — murmurou Wu Xiaorui ao abrir a primeira página, irritado. As páginas seguintes estavam na mesma condição.