Capítulo Sessenta: Desfrutando dos Privilégios
No dia seguinte, bem cedo, Wu Xiaorui levantou apressado. Como precisava ir trabalhar, não se permitiu ficar na cama por muito tempo; se cedesse à sua própria preguiça, certamente acabaria se atrasando de novo. Melhor sair logo, pensou; se sentisse sono, poderia dormir um pouco na empresa, afinal, não havia tarefas urgentes esperando por ele.
— Que maravilha! — suspirou Wu Xiaorui, ao sentir o aroma do café da manhã. — Só mesmo a sogra para cuidar tão bem do marido!
Com essa reflexão, foi lavar o rosto e escovar os dentes.
— Cunhado, acordou cedo hoje, foi por causa do cheiro do café da manhã que minha irmã preparou para você, né? — brincou Luo Tiande, ao vê-lo.
Wu Xiaorui percebeu que Luo Tiande estava se divertindo às suas custas. Afinal, era raro a irmã de Luo Tiande aceitar comer sozinha com ele; era já um grande privilégio, e ele não ousava sonhar que ela preparasse o café da manhã para si.
— Pare de brincadeiras. Você conhece bem sua irmã. Vá se preparar logo, hoje terá que cuidar melhor do seu pai — respondeu Wu Xiaorui, evitando prolongar a conversa.
Vendo a incredulidade no rosto de Wu Xiaorui, Luo Tiande imaginou que talvez sua irmã quisesse surpreendê-lo e, por isso, não revelou mais nada, indo direto ao quarto do pai para verificar como ele estava.
Wu Xiaorui, depois de se arrumar, desceu apressado para tentar pegar o primeiro ônibus do dia. Assim, conseguiria um assento, já que poucos passageiros viajavam tão cedo, e evitaria ser acusado injustamente de roubo.
— Acordou? Venha comer, daqui a pouco vamos juntos para o trabalho! — disse Luo Tianyi, radiante.
Ela havia dedicado uma hora inteira à preparação do café da manhã. Só de pensar na alegria de Wu Xiaorui ao saborear tudo, sentia uma onda de satisfação.
Diante da mesa farta, Wu Xiaorui olhou várias vezes, beliscou o próprio rosto, para se certificar de que não era um sonho. Mesmo assim, hesitou em começar a comer, receoso de que aquilo fosse alguma armadilha de Luo Tianyi.
— O que está esperando aí parado? Coma logo, senão esfria e perde o sabor — ela advertiu, ao perceber que ele só olhava para os pratos sem tocar nos talheres.
— Isso... foi preparado para mim? — Wu Xiaorui finalmente perguntou, depois de um longo silêncio.
— Claro. Mamãe já levou o café da manhã para papai, e o de Tiande está na cozinha. Não vai comer? Está com medo de estar envenenado?
— Que conversa é essa? Eu não tenho medo de nada. Se houvesse veneno, eu perceberia de imediato.
Wu Xiaorui sentou-se e começou a comer. A felicidade era súbita, quase irreal. Mas o café da manhã cuidadosamente preparado era delicioso demais; se não fosse pelo limite do próprio estômago, teria devorado tudo sem deixar migalhas.
Luo Tianyi observou, sorrindo. Por causa do cuidado com a própria silhueta, ela jamais comeria daquele jeito.
Na empresa, Wu Xiaorui percebeu que Bai Tingting não preparara café da manhã para ele dessa vez, o que o preocupou durante todo o percurso; temia que ela voltasse a fazê-lo e ele não soubesse como reagir. Mas, ao invés disso, encontrou uma xícara de chá com leite. Provou um gole e sentiu o mesmo prazer: o sabor do leite e do chá era suave e reconfortante.
— Obrigado! — disse Wu Xiaorui, levantando a xícara e sorrindo para Bai Tingting.
Esse tratamento despertava inveja em muitos na empresa; alguns sentiam ciúmes, outros, rancor, mas tudo ficava restrito às murmurações. Alguns, porém, acreditavam que Bai Tingting queria agradar Wu Xiaorui, esperando que ele lhe favorecesse e lhe trouxesse vantagens. Não ousavam confrontar Wu Xiaorui, mas Bai Tingting, sim, era alvo fácil.
— Que história é essa? Nem pequenas tarefas consegue fazer direito? — um chefe de equipe lançou alguns documentos recém-processados sobre a mesa de Bai Tingting.
O barulho atraiu a atenção dos colegas ao redor e também incomodou Wu Xiaorui.
— Não pense que, por se dar bem com esse tal de Wu, eu não possa fazer nada contra você. Se não trabalhar direito, posso mandá-la embora na hora.
— Lembre-se: inútil é inútil, pão de cachorro nunca vira iguaria. — O chefe falava com Bai Tingting, mas todos sabiam que se referia a Wu Xiaorui.
Todos sabiam o motivo do chefe implicar com Bai Tingting: ele próprio cometera erros no trabalho, obrigando o grupo a fazer horas extras, e Wu Xiaorui o repreendera. Agora, queria retaliar, usando Bai Tingting como alvo.
Ver alguém sendo repreendido por sua causa deixou Wu Xiaorui desconfortável; ele foi verificar o que estava acontecendo.
— O que houve? Qual é o problema? Não façam esse tumulto, estão atrapalhando o trabalho dos outros — interveio Wu Xiaorui. Costumava brincar com os colegas, mas sabia que, para manter-se ali, precisava demonstrar autoridade.
— Gerente Wu, ainda bem que o senhor chegou. Estamos atolados de tarefas e, mesmo assim, ela comete esses erros — o chefe respondeu, mudando imediatamente o tom ao vê-lo.
Wu Xiaorui pegou os documentos para examinar. Os outros não perceberam nada de errado, mas ele identificou, de imediato, quais eram novos e quais já estavam prontos; ficou claro que tentavam culpar Bai Tingting de propósito.
Vendo Wu Xiaorui analisar os papéis com atenção, o chefe não se preocupou; achava que suas manipulações eram imperceptíveis e que Wu Xiaorui, desconhecendo o trabalho, jamais perceberia, mesmo que apontasse os erros.
Ao notar a expressão satisfeita do chefe, Wu Xiaorui entendeu que ele queria humilhá-lo diante de todos e, assim, avisar aos que tentavam agradá-lo que isso não lhes traria vantagem.
— De fato, esses erros não deveriam acontecer. Hoje, então, você vai fazer hora extra, para não prejudicar o trabalho dos outros — disse Wu Xiaorui, com tom de leve desculpa.
Bai Tingting tentou protestar, mas Wu Xiaorui a impediu. Era necessário deixar o chefe experimentar um pouco de amargura, mesmo que ela tivesse de suportar um pouco de injustiça.
Apesar disso, todos confiavam plenamente na competência de Bai Tingting; ninguém acreditava que ela cometesse erros no trabalho.
— Quanto à autoria desses erros, cada um tem sua versão, não cabe a mim decidir. Vamos fazer assim: vocês juram que estão falando a verdade. Quem mentir, que tenha uma crise de diarréia até não aguentar mais — propôs Wu Xiaorui.
— Ótimo, um juramento não faz diferença para mim! — o chefe concordou imediatamente, acostumado demais com esse tipo de promessa.
— Não fique parada, Bai Tingting. Olha como nosso chefe está nervoso, vá buscar um copo d’água para ele — disse Wu Xiaorui.
Ao receber o copo, Wu Xiaorui discretamente deixou cair uma pequena pílula dentro.