Capítulo Quarenta e Cinco: Encurralado no Salão Privado
Embora Wu Xiaorui estivesse de cabeça baixa comendo o tempo todo, na verdade sua atenção estava voltada para o sogro ao lado e, principalmente, para os movimentos de Chen Anxiang.
No início, Wu Xiaorui apenas percebia vagamente que Chen Anxiang carregava uma arma junto ao corpo. Contudo, quando ele realmente a tirou, percebeu que não passava de uma pistola de pressão. Ainda assim, os projéteis disparados por aquilo doíam bastante ao acertar uma pessoa.
Wu Xiaorui observava tudo com clareza, mas o pai de Luo não percebia nada. O que ele via era apenas o sorriso traiçoeiro constante de Chen Anxiang e o modo como ele soltava anéis de fumaça, um atrás do outro.
Vendo-o assim, parecia que estava completamente seguro quanto ao desenrolar daquela noite. Sua postura transmitia a Wu Xiaorui e aos demais que podiam comer e beber à vontade, mas que, não importando o que fosse dito ou exigido depois, deveriam seguir sua vontade.
— Senhor Chen, se tem algo a dizer, diga logo. Tenho outros assuntos a resolver — disse o pai de Luo, já impaciente. O tempo que passara ali já era suficiente. Se permanecesse mais, não sabia o que poderia acontecer.
— Diretor Luo, realmente muito ocupado, como era de se esperar. Já que tem compromissos, vou direto ao ponto — Chen Anxiang apagou o cigarro e endireitou-se na cadeira.
Wu Xiaorui não se importava com a conversa deles; o importante era encher o estômago, isso sim era urgente.
— O senhor sabe, venho de olho naquele terreno do hospital faz tempo. Já tentei negociar várias vezes, minha sinceridade está clara. Por que não aceita logo? — Chen Anxiang disse com indiferença, sem qualquer sinal de preocupação no rosto.
— Isso você já sabe. Eu lhe disse há tempos, não vou vender o hospital. Se quer comprar um terreno, procure outro. Se quiser tratamento médico, pode me procurar, mas lembre-se de ligar antes. Sendo assim, vamos indo — o pai de Luo puxou Wu Xiaorui, pronto para sair.
— Ei, espere! Por que essa pressa? Nossa conversa está só começando, ainda há o que negociar! — O semblante de Chen Anxiang continuava impassível, como se tudo estivesse sob controle.
Wu Xiaorui, já satisfeito, também ficou curioso para saber o que mais aquele sujeito diria, então puxou o sogro de volta para a mesa.
— Quanto ao preço, posso aumentar. Que tal? Acrescento cinquenta por cento ao valor inicial. É uma oferta alta, só eu estou disposto a pagar tanto — Chen Anxiang vangloriou-se. Na verdade, para o valor daquele terreno, esse dinheiro era pouco.
— Ora, você acha que preciso de dinheiro? Guarde isso para você! — A quantia, para muitos, seria suficiente para viver uma vida inteira, mas o pai de Luo não se importava. Sem esse dinheiro, a família também viveria bem.
— Sei disso, claro que sei que não precisa de dinheiro. Que tal, então? Diga o que quer. Se não for dinheiro, talvez participação na minha empresa? Ou outra coisa? Peça o que desejar, tudo a seu gosto — Chen Anxiang já se mostrava impaciente. Achava que só não havia conseguido o terreno antes por causa do preço, mas agora percebia que talvez tivesse subestimado o diretor Luo.
— Não me falta nada e não tenho interesse pela sua empresa. A única coisa que desejo é que nunca mais venha me procurar por causa disso — respondeu o pai de Luo, decidido a ir embora.
Wu Xiaorui sentiu que, naquele ponto, não havia mais sentido em continuar a conversa.
— Bem, senhor Chen, a comida estava ótima hoje — Wu Xiaorui ainda fez questão de elogiar ao se despedir.
Chen Anxiang, já furioso, ficou ainda mais irritado ao ouvir aquilo.
— Maldito, eu não mandei ninguém sair! Quero ver quem tem coragem de ir embora! — Chen Anxiang bateu na mesa e gritou.
Os seguranças bloquearam a saída de Wu Xiaorui e do sogro.
— O que pretende, senhor Chen? Negócios não se fazem à força. Se não deu certo, poderemos colaborar em outras áreas! — Wu Xiaorui percebeu que a situação chegava ao limite, mas continuou brincando com Chen Anxiang, sem demonstrar o menor medo.
— Ora, seu inútil, comeu bastante, não foi? Já que não quer seguir minhas ordens, bote tudo isso para fora! — Chen Anxiang falou entre dentes cerrados.
— Senhor Chen, você é mesmo engraçado. O que foi para o estômago não sai mais! Da próxima vez, eu convido e você escolhe o prato!
— Droga! O que quero comer você não conseguiria trazer, mas o que desejo agora é aquele terreno. Convença seu sogro a não ser tão teimoso. Todos podem ganhar dinheiro juntos, não tem por que complicar, isso só prejudica todos nós! — Ao ver Wu Xiaorui com aquela expressão submissa, Chen Anxiang achou que ainda havia esperança.
— Senhor Chen, será que hoje esqueceu de tomar os remédios? Meu sogro já deixou tudo claro, ou será que você não entende? — Falar daquele jeito, numa situação como aquela, surpreendeu até o pai de Luo.
— Maldito! Parece que só aprendendo na marra! Quero que vomite tudo o que comeu! — ordenou Chen Anxiang.
Ele olhava para Wu Xiaorui e o sogro com ar de superioridade, certo de que estava preparado para aquela emboscada e de que os dois haviam caído direitinho. Para ele, Wu Xiaorui só sabia falar, e em breve estaria de joelhos, suplicando.
Naquele momento, Wu Xiaorui já estava pronto. Cerrou o punho e acertou o rosto do primeiro que apareceu.
— Ai, meus dentes! — O homem voou longe, segurando metade do rosto e gritando de dor.
— Vejam só, ele até que sabe lutar. Avancem! — Chen Anxiang esbravejou do fundo.
Os demais vieram em grupo. Wu Xiaorui recuou um passo e fez sinal para o sogro se afastar, para evitar que fosse atingido.
Se chutavam suas pernas, ele respondia com um soco. Se vinham com os punhos, ele também. A cada golpe de Wu Xiaorui, ouvia-se claramente o som de ossos quebrando.
Logo, todos estavam caídos no chão, uns segurando as pernas, outros os braços. Os que sobraram não ousavam avançar. Bastava Wu Xiaorui dar um passo à frente para que eles recuassem, apavorados.
— Vamos, ele não passa de um inútil! Quem derrubá-lo ganha cem mil! — Chen Anxiang gritava para os recuados.
Wu Xiaorui lançou um olhar de soslaio para Chen Anxiang.