Capítulo Dezesseis: O Plano Fracassado
Embora Wu Xiaorui não conseguisse distinguir a autenticidade de antiguidades e pinturas, conhecia um pouco de sua história. Por exemplo, o jarro de porcelana com esmalte celadon do forno Yue da dinastia Tang, mencionado pelo dono da loja, era considerado a porcelana celadon mais representativa daquele período. Sua beleza, textura e brilho, em certo sentido, superavam até mesmo a porcelana branca da mesma época.
Para observar melhor a peça, Wu Xiaorui deu alguns passos à frente; se não fosse pelo balcão a separá-lo, ele provavelmente estaria praticamente debruçado sobre ela.
— E aí, vai comprar ou não? Se não vai, saia logo e não atrapalhe meus negócios — disse o dono da loja, já impaciente ao perceber que Wu Xiaorui e seus acompanhantes não demonstravam intenção de comprar.
— Vejo que você perdeu o juízo, hein? Atreve-se a insultar qualquer um, mas se hoje você conseguir sair dessa loja andando, eu não me chamo Luo — ameaçou Luo Tiande, que, vendo o tratamento dispensado ao seu cunhado, não hesitou em avançar.
Se aquela peça realmente fosse porcelana celadon da dinastia Tang, os oitocentos mil pediam valeriam a pena para Wu Xiaorui, afinal, a raridade de um objeto de porcelana chegar inteiro aos dias de hoje era imensa.
— Tiande, o que está acontecendo? — Wu Xiaorui virou-se e repreendeu.
— Ora, cunhado, não tente me impedir! Hoje vou mostrar para esse sujeito o que acontece com quem fala demais — Luo Tiande, alheio à expressão severa do cunhado, não notou sua mudança de humor.
— Ora, não é o inútil genro da família Luo? — zombou um dos presentes.
— Guarde seu dinheiro para pagar passagem de ônibus, só olhe, pois isso não é pra você.
— Moleque, preste atenção: este lugar não é para pobretões como você entrarem.
O bate-boca entre Luo Tiande e o dono da loja chamou a atenção dos demais clientes, que, ao reconhecerem Wu Xiaorui, começaram a caçoar aos quatro ventos, sem sequer notar Luo Tiande ao lado.
— Quem é o idiota que está falando tanto? — vociferou alguém.
— Senhor Luo, o senhor também está aqui! — Ao perceberem Luo Tiande, todos logo se calaram, afinal ninguém queria arrumar encrenca com ele.
— Senhor Luo, vejo que trabalha duro para ganhar dinheiro, enquanto esse seu cunhado, inútil, agora quer se passar por rico. Deve estar tentando dar um golpe na sua família — disse um sujeito mais ousado, criticando Wu Xiaorui abertamente.
— Ah, pelo menos você sabe que ele é meu cunhado — debochou Luo Tiande, ao mesmo tempo em que acertava um chute naquele que falara, jogando-o ao chão.
A expressão antes orgulhosa do homem virou uma máscara de dor, e ele se contorcia segurando o estômago. Aqueles que zombavam de Wu Xiaorui ficaram apavorados e calaram-se de imediato. Ninguém esperava ver Luo Tiande defendendo tanto o cunhado.
— Senhor Luo, meu negócio é pequeno, se fizer isso vou acabar passando fome — reclamou o dono da loja, agora menos arrogante.
— Você quer comer? Se conseguir, muita gente vai acabar chorando — respondeu Wu Xiaorui em voz alta.
Suas palavras deixaram não só Luo Tiande confuso, como também os clientes ao redor, que não entenderam a súbita mudança de atitude — até há pouco ele admirava a peça, e agora dizia algo assim.
— Escute aqui, se não pode comprar, tudo bem, mas não fale besteira. Cada ramo tem suas regras. Você parece não entender nada disso. Agora, diante de todos aqui, peça desculpas e acabou — o dono da loja adotou um tom sério, sentindo-se ameaçado.
— Você é... — Luo Tiande ia avançar sobre o dono, mas percebeu três ou quatro homens postados atrás dele. Não era de se admirar que o sujeito estivesse tão confiante; Luo Tiande perdeu o ímpeto de continuar.
— Todos aqui estão no mesmo meio. Se não quer respeito, não reclame se eu for mais duro — disse o dono, mandando seus capangas cercarem Wu Xiaorui e Luo Tiande.
Wu Xiaorui manteve-se calmo. Sabia que, para vender abertamente ali, o sujeito deveria ter algum poder, caso contrário qualquer um causaria confusão.
Luo Tiande, por sua vez, começou a ficar nervoso. Não esperava que o homem tivesse aliados, e mesmo que chamasse reforços, talvez não desse tempo de se defender.
— O que está acontecendo aqui? — Uma voz feminina surgiu atrás deles, no momento em que Wu Xiaorui já esperava por uma briga.
— Irmã Qian, que surpresa vê-la aqui. São dois encrenqueiros querendo tumultuar. Já vou mandar tirá-los daqui — o dono da loja, antes arrogante, agora fazia-se de humilde diante da mulher, sorrindo forçado.
— Senhores, se precisam de algo, falem comigo. Criar confusão e atrapalhar meus negócios não é aceitável — a mulher disse friamente, dirigindo-se a eles.
Apesar de jovem, a mulher já vira muitos arruaceiros como Wu Xiaorui e Luo Tiande. Se não tivesse achado os dois minimamente interessantes após observá-los um tempo, já teria mandado seus homens dar uma lição neles.
— A senhorita tem razão, estamos de fato em busca de algo. Mas o que queremos é uma peça autêntica. Uma loja deste porte deveria ser confiável, mas pelo visto não difere muito dos vendedores de rua — Wu Xiaorui, percebendo que a mulher não os expulsou de imediato, viu que ela prezava as regras.
— Com a irmã Qian aqui, ainda tem coragem de falar assim? Não fiquem parados, quebrem logo a perna deles — o dono viu ali uma chance de se mostrar e não quis desperdiçar.
— Loja aberta ao público não pode temer críticas — Wu Xiaorui sabia que, se recuasse agora, não teria um bom destino.
— Parece que tem algo contra meus produtos. Diante de todos, fale logo, para que não digam depois que uso o poder da minha loja para oprimir os fracos — a mulher fez sinal para que seus capangas recuassem.
— Irmã Qian, esse é o genro inútil da família Luo, não entende nada, só quer arrancar dinheiro. Vou logo dar a ele uns trocados para ir embora — o dono preparou-se para dar dinheiro a Wu Xiaorui, querendo que ele saísse logo.
— Pare de fingir, aceite o dinheiro e vá logo embora.
— É melhor parar por aqui, senão vai acabar apanhando — acrescentou outro.
— Melhor voltar para casa fazer comida para sua esposa — zombaram os presentes, não mais receando Luo Tiande. O dono estava ainda mais presunçoso, certo de que Wu Xiaorui não encontraria problemas em seus objetos.
— Já que todos estão tão interessados, que o dono da loja mostre o celadon. Vou apontar, diante de todos, onde está o problema — declarou Wu Xiaorui.
O dono, agora com expressão sombria, não esperava que Wu Xiaorui fosse realmente se expor, e trocou olhares com alguns no meio da multidão.