Capítulo Vinte e Seis: Lealdade Verdadeira

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2207 palavras 2026-03-04 20:10:25

— O que será que esse inútil anda fazendo que nem atende minhas ligações? — murmurava Luó Tiānyī sozinha no quarto do hotel.

Ela jamais imaginaria que aquele homem, aparentemente um fracassado em tudo na casa deles, era na verdade alguém em quem os chefes da empresa depositavam grande confiança. Wú Xiǎoruì, que dessa vez viera com ela a Hainan a trabalho, estava claramente aproveitando a viagem como um pretexto para tirar férias — qualquer um podia perceber. E na empresa deles, isso era algo inédito.

— Irmão, você sabe que andei passando por uns problemas ultimamente. Estou precisando de dinheiro, e o que a gente ganha normalmente mal dá para as despesas. Só você pode nos ajudar agora. — Dīng Dàlóng desabafava com Wú Xiǎoruì, pedindo sua ajuda enquanto explicava sua situação.

— Diga logo, Dàlóng, o que precisa fazer? — respondeu Wú Xiǎoruì, já impaciente com aquela enrolação.

Olhando para os homens que estavam ao seu redor, Wú Xiǎoruì sentiu um calafrio nas costas. Se não tivesse pedido uma chance, provavelmente já teria sido despedaçado por eles e seus órgãos mais importantes vendidos no mercado negro.

— Você é realmente um cara direto, irmão. Seguindo você, a gente vai viver no luxo. Ouvi dizer que existe um cassino por aqui onde se ganha dinheiro rápido. Queremos ir com você e faturar uma boa grana. — Dīng Dàlóng elogiou e sorriu, tentando convencê-lo.

— Esse lugar é seguro? Vocês não estão planejando armar pra mim, não é? — Wú Xiǎoruì os encarou com seriedade.

— Pode ficar tranquilo, irmão. Eu e Dàlóng já observamos o local por dias. Tem gente vigiando o entorno, e mesmo que haja alguma batida policial, é quase impossível que peguem alguma coisa ali. — apressou-se a dizer Xiǎo Dōngzi.

— Isso é só um lado da questão — lembrou Wú Xiǎoruì, percebendo que, apesar de parecerem espertos, seus companheiros tinham pouca visão estratégica.

— Fique tranquilo, cada ramo tem suas regras. Ninguém aqui ousa mexer com a gente. Se eles abrem um cassino, não estão preocupados em perder para qualquer um. — Dīng Dàlóng entendeu o que Wú Xiǎoruì queria dizer.

— Certo, hoje vamos ver como é. — concordou Wú Xiǎoruì.

Nunca tinha entrado num cassino, e agora, ouvindo tudo aquilo, ficou curioso para saber se teria sorte ou não.

— Droga, quantas ligações perdidas! Se soubesse, não teria deixado no modo silencioso — murmurou ao ver a infinidade de chamadas não atendidas de Luó Tiānyī.

— O que você está fazendo, Wú Xiǎoruì? Te liguei tantas vezes e você não atendeu nenhuma! — Assim que atendeu, ouviu a voz irritada de Luó Tiānyī.

— Estava conversando com uns amigos, não percebi o celular. Liguei pra avisar que tenho uns assuntos para resolver hoje à noite, então vou demorar pra voltar. Não precisa me esperar. — Wú Xiǎoruì cortou a bronca dela, pois, com tanta gente por perto, se deixasse ela continuar, perderia toda a autoridade que acabara de conquistar.

No fundo, ele sabia que tanto fazia ligar ou não: para Luó Tiānyī, não passava de um escudo, e não havia sentimento de verdade entre eles.

Não contou a ela sobre a visita ao cassino, pois não queria que ela usasse isso contra ele no futuro, nem que servisse de desculpa para se aproximar ainda mais de Sòng Xīn.

Agora só restava esperar anoitecer para ir ao cassino, pois esses estabelecimentos só funcionavam de noite — durante o dia, chamariam atenção desnecessária.

— Irmão, lembre-se de que esse é todo o nosso dinheiro. Seja cauteloso lá dentro. — Desde que decidiram tentar a sorte até chegar diante do cassino, Dīng Dàlóng não parava de repetir o aviso para Wú Xiǎoruì.

Qualquer outro já teria ido embora de tanto ouvir reclamações. Wú Xiǎoruì sentia-se talvez o chefe mais fracassado do mundo. Olhando para aqueles brutamontes, pensou que eram assassinos ou criminosos perigosos, mas conversando, percebeu que era o primeiro a quem eles cogitaram vender órgãos. Antes, só faziam pequenos trabalhos sujos a mando do patrão.

— Senhor, você não pode entrar — disseram dois seguranças ao impedi-lo de passar.

— O que está acontecendo? Todo mundo pode entrar, por que eu não? — questionou Wú Xiǎoruì, completamente perdido.

— Não percebe? Olhe como os outros estão vestidos. Essa sua roupa não serve nem como pijama. Aposto que uma calça de qualquer cliente aqui vale mais que todo o seu traje. Dê o fora daqui — disse o chefe dos seguranças, visivelmente incomodado.

— Isso não é justo. Viemos aqui para jogar e gastar dinheiro, por que não podemos entrar? — insistiu Wú Xiǎoruì, determinado a não ir embora de mãos abanando.

— Você é cego? Olhe bem ao redor! Parece que estamos precisando do seu dinheiro? E se você for lá dentro e ofender algum cliente importante? Melhor guardar essa grana e comprar umas roupas decentes. Tô sendo educado, mas se continuar insistindo, vou te ensinar como é que se faz — ameaçou o chefe, erguendo o cacetete na direção dele.

Wú Xiǎoruì observou ao redor: vários brutamontes, todos funcionários do cassino. Percebeu que não conseguiria entrar daquele jeito.

— Senhor, desculpe por ele. Às vezes, quando tem um pouco de dinheiro, se empolga. Deixa ele entrar e perder tudo, vai ser bom para todos. Considere isso um agrado para os amigos — Xiǎo Dōngzi, sempre esperto, entendeu o recado e colocou algumas notas generosas no bolso do chefe.

— Assim é que se faz. Podem entrar. Já vi de tudo, mas nunca um pobre coitado querendo apostar aqui — disse o chefe, abrindo caminho e ainda resmungando sobre Wú Xiǎoruì.

— Quero só ver como você vai sair daqui — gritou o chefe enquanto eles entravam.

Ouvindo aquilo, Wú Xiǎoruì não sabia se ria ou chorava. Percebia que estava mesmo fora de sintonia com os tempos modernos: antes de sequer tocar nas cartas do cassino, já tinha deixado uns bons trocados na porta e quase não conseguira entrar.

Assim que pisou no salão, chamou a atenção de um homem que passou a observá-lo atentamente. Mas Wú Xiǎoruì, curioso com os jogos, nem percebeu que estava sendo vigiado.