Capítulo Quinze: O Mundo das Antiguidades é Profundo e Misterioso

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2344 palavras 2026-03-04 20:10:19

Só se via o irmão mais velho completamente atrapalhado, tentando acelerar o ritmo, mas, ao aumentar a força das mãos, acabou deixando o manequim um tanto instável. No entanto, foi justamente por causa desse movimento que, ao aplicar a agulha, ouviu-se seu grito miserável.

Viu-se, então, que ele rolou pelo chão e, a seguir, começou realmente a rastejar por todo lado como um cachorro, cheirando aqui e ali, lambendo os pés dos outros. Sua atitude provocou uma gargalhada geral entre os presentes.

— Esse rapaz sabe mesmo passar vergonha.

— Tem mais alguém? Se tiver, que vá logo! — gritou alguém da multidão.

Mas vendo que até o irmão mais velho tinha sido derrotado, quem se atreveria a se expor naquele momento? Só restou a alguns ajudarem o irmão mais velho a sair dali o mais rápido possível.

Ao se afastar, ele ainda não esqueceu de imitar um latido, arrancando ainda mais risadas do público.

— Quem é esse rapaz? Não é pouca coisa, não.

— Não sei, mas pelo visto o mundo da medicina tradicional vai ganhar mais um talento.

Em meio aos elogios, Wu Xiaorui despediu-se do velho mestre.

— Alô, cunhado? — Soou a voz do cunhado ao telefone, e Wu Xiaorui logo percebeu que coisa boa não devia ser; lá vinha ele com algum pedido.

— Fala logo, onde você está, o que quer? — respondeu Wu Xiaorui, impaciente.

— Hehe, cunhado, onde você está agora? Vou te buscar.

Ao ouvir aquele tom, Wu Xiaorui finalmente se tranquilizou; dessa vez não seria como da última, quando quase chegaram às vias de fato.

Naquela região, Luo Tiande era mais do que familiar. Antes, para fechar negócios, era impossível calcular quantas vezes por dia ele passava por ali.

Quando Wu Xiaorui lhe indicou mais ou menos o local, ele logo chegou. Em pouco tempo, atravessaram uma parte movimentada da cidade, depois seguiram por uma rua mais tranquila, e logo voltaram a uma área cheia de vida. Wu Xiaorui nunca tinha estado ali, mas pelo estilo das lojas, percebeu que eram estabelecimentos de antiguidades e obras de arte. Antes, mesmo conhecendo a região, ele não se atreveria a ficar por ali; não tinha dinheiro para se envolver nesse meio.

— Tiande, o que você está aprontando? — Um cara da construção civil querendo brincar de antiguidades? Era o mesmo que um porco tentar se passar por elefante com um ramo de cebolinha no focinho.

Essas coisas não são como roupas de shopping, com preço marcado; o valor depende só da lábia do vendedor. Um objeto da dinastia Qing pode ser apresentado como se fosse da dinastia Tang.

Se você se sentir enganado e for à polícia, ninguém vai abrir investigação. É como comprar uma maçã e sentir outro gosto ao morder; pode dizer que não é uma maçã?

— Cunhado, quero só investir um pouco. Você sabe como está difícil arranjar dinheiro; se der para ganhar mais, por que não tentar? — respondeu Luo Tiande, sorrindo descaradamente.

Depois de quase se dar mal tentando um atalho da última vez, decidiu levar o cunhado para ajudar na escolha.

Os que tinham dinheiro compravam ou alugavam uma loja na rua. Os sem recursos montavam bancas do lado de fora, pagando uma taxa regular. Isso deixou a rua, originalmente espaçosa, um tanto congestionada.

Tanto nas lojas quanto nas bancas, havia sempre gente observando os objetos expostos.

Atravessando a multidão, Wu Xiaorui avistou uma loja com fachada ampla. No letreiro, reluzente ao sol, lia-se “Pavilhão do Tesouro”. Nas laterais da porta, estava escrito: “De tempos antigos aos dias de hoje, aqui tudo se encontra; do céu à terra, nada falta”. Wu Xiaorui não era especialista em literatura, mas percebeu que os versos não rimavam perfeitamente, embora fossem audaciosos.

Já que diziam tanto, resolveu conferir se lá dentro havia mesmo tudo aquilo.

Lá dentro já havia bastante gente; provavelmente muitos tinham sido atraídos pela frase na fachada. Realmente, sabiam como atiçar a curiosidade.

Nos balcões da frente estavam expostas peças de jade. Por mais bem-feitas que fossem, não chamavam a atenção dos dois — afinal, as pedras de jade que já abriram com as próprias mãos eram de qualidade muito superior.

Além disso, todos sabem que o jade pode proteger o dono, mas também pode trazer azar se retirado do subsolo. Wu Xiaorui não podia afirmar, mas preferia não arriscar.

Logo, foi atraído pela porcelana exposta no balcão. Era inegável: só os ancestrais chineses conseguiam criar peças tão belas e delicadas. Não é à toa que o nome do país em inglês se refere à porcelana.

— Patrão, quanto custa esta aqui? — Enquanto Wu Xiaorui ainda se deliciava com o ar ancestral das porcelanas, Luo Tiande já perguntava o preço ao vendedor.

Sem sequer examinar direito a peça, já foi perguntando o valor — típico de novato, fácil de ser enrolado pelo lojista.

— O senhor tem bom gosto! Este bule tem uma procedência extraordinária.

— Chega de conversa, diga logo quanto é, não tenho paciência pra enrolação — cortou Luo Tiande, de mau humor.

Wu Xiaorui achou graça da expressão levemente ofendida do vendedor. Não era para menos: em casa, quando os pais falam mais do que o necessário, já correm risco de bronca; imagine um estranho.

O vendedor então ergueu dois dedos e balançou diante deles, indicando o preço.

— Oito mil? Sem problema, pode embrulhar — respondeu Luo Tiande, satisfeito.

— Está brincando? Não é oito mil, é oitenta mil — corrigiu o vendedor, limpando a garganta, talvez temendo que Luo Tiande não tivesse ouvido bem.

— O quê? Você me acha idiota? Um pote velho desses, quer cobrar oitenta mil? — Luo Tiande ficou chocado, e Wu Xiaorui também se surpreendeu.

Porcelana pode ser cara, mas nem toda peça é valiosa. Algumas são feitas em fornos populares para uso cotidiano; outras, mesmo sendo de fornos oficiais, eram produzidas para exportação, sem grande primor nos detalhes.

— Dois caipiras! Saibam que este é um bule de esmalte verde do forno Yue, da dinastia Tang. Se não tivesse um pequeno defeito, acham que conseguiriam por esse preço? — disse o vendedor, já sem paciência.

O desprezo do vendedor irritou Luo Tiande. Não estava acostumado a ser tratado assim; se sua empresa não fosse longe dali, já teria chamado seus funcionários para botar tudo abaixo.

Enquanto Wu Xiaorui segurava Luo Tiande, uma jovem elegante, de saltos altos e passos graciosos, aproximou-se deles.