Capítulo Cinquenta e Um: Zangada Outra Vez
— Ei, você também está por aqui?
Assim que saiu do prédio da empresa, uma bela mulher cumprimentou Wu Xiaorui. Ele pensou por um momento e então reconheceu a jovem: era Xu Xiaoqing, a repórter que conhecera pela manhã.
— Que coincidência! Você também trabalha por aqui? — perguntou Wu Xiaorui.
Ainda bem que Luotianyi não estava por perto nesse momento, caso contrário teria que voltar correndo para casa sozinho mais uma vez.
— Não, só vim aqui hoje para entrevistar uma pessoa. Vou fazer uma reportagem — explicou Xu Xiaoqing.
— E por que está sozinha? Não seria normal duas pessoas virem juntas?
— Costumo preferir fazer entrevistas sozinha, assim me sinto livre e acabo descobrindo coisas novas e interessantes.
Wu Xiaorui não esperava que aquela moça, de aparência delicada e jeito de vizinha, fosse alguém tão livre e desprendida.
— Vai ficar aí parado?
Luotianyi apareceu atrás dele, com expressão impaciente. Mal se distraiu um instante e já flagrou Wu Xiaorui conversando animadamente com outra mulher.
— Desculpe, falamos outro dia — disse ele, apressado, indo atrás de Luotianyi.
O que mais temia aconteceu: Wu Xiaorui se arrependeu de ter trocado algumas palavras a mais com Xu Xiaoqing naquele momento.
— Aquela moça bonita, de que departamento é? — perguntou Luotianyi, já no carro, com o rosto fechado.
— Qual? — fingiu-se de desentendido.
— Aquela mesmo, com quem você estava conversando tão animadamente agora pouco!
— Ah, ela? Não é da nossa empresa, é repórter. Veio fazer uma matéria.
Luotianyi não escondeu o incômodo. Wu Xiaorui nem tinha nada de especial, e mesmo assim agora até repórter vinha se aproximar dele. Quanto mais pensava, mais irritada ficava.
— O que foi? Está com ciúmes por tão pouco? — perguntou Wu Xiaorui, sorrindo ao ver o semblante sério de Luotianyi.
— Ora essa, por que eu teria ciúmes? Não temos nada um com o outro. Só quero que você faça bem o seu papel enquanto estamos juntos. Quando Song Xin voltar, seguimos cada um seu caminho, aí pode fazer o que bem entender — rebateu Luotianyi, apressada em se justificar.
— Ah, então é daquele playboy de novo? Só você pode procurar alguém, e eu não? Eu faço o que eu quiser, quando eu quiser — Wu Xiaorui se irritou ao ouvir o nome de Song Xin.
— Você...
— Eu o quê!
— Desça do carro! — ordenou Luotianyi, encostando o carro na calçada e apressando Wu Xiaorui a sair.
Era só uma brincadeira, mas ouvir aquela verdade doía. Luotianyi não suportava esse tipo de mágoa.
Diante da firmeza dela, Wu Xiaorui não teve alternativa senão descer. Mal colocou os pés na rua, Luotianyi acelerou e sumiu rapidamente de sua vista.
Wu Xiaorui suspirou, resignado. O problema não era ter perdido a carona, mas sim que havia saído sem carteira, e agora teria de voltar para casa a pé.
Todos sonham com encontros casuais com belas mulheres, mas quando finalmente aconteceu com ele, só arranjou confusão.
— Olha só, de novo nos encontramos por aqui!
Enquanto caminhava, cantarolando, Wu Xiaorui ouviu a voz de alguém e se virou.
— Inacreditável, isso já é coincidência demais. Será que ela está me seguindo? Dizem que são necessários quinhentos olhares em vidas passadas para um encontro nesta vida... Quantas vezes terei virado para trás na vida anterior? — pensou ele, surpreso ao ver Xu Xiaoqing.
— Que foi? Parece surpreso! Não estava há pouco no carro de uma bela moça? E agora está andando por aqui, está cuidando da saúde? — Xu Xiaoqing perguntou, sorridente.
Wu Xiaorui ficou um pouco constrangido. Não podia dizer que tinha sido expulso do carro da própria esposa por ter conversado demais com outra mulher.
— Pois é, saúde é importante. Fiquei o dia inteiro no escritório, achei que era uma boa aproveitar para caminhar um pouco — disse, tentando disfarçar.
— Ué, você não estava de ônibus hoje? Desde quando anda de moto elétrica? — perguntou ele, mudando de assunto.
— Isso é fácil! Se quero andar, ando. Se não, não. Se nem isso consigo, como vou ser uma repórter decente? — respondeu Xu Xiaoqing, divertida.
— Venha, nesse ritmo você não chega em casa hoje. Em agradecimento pelo que fez mais cedo, vou te dar uma carona — disse ela, de maneira expansiva.
Era uma boa oportunidade, Wu Xiaorui não hesitou. Não estava mesmo pensando em se exercitar.
Porém, Luotianyi, que voltava para buscá-lo, presenciou a cena. Desistiu na hora, culpando-se por se preocupar demais.
Luotianyi não tinha ido muito longe. Reconsiderou seu comportamento e percebeu que não fazia sentido sentir ciúmes de Wu Xiaorui, já que não pretendia passar a vida ao lado dele. Deveria era se sentir aliviada. Decidiu contornar por outra rua para buscá-lo, mas ao ver aquela cena, seguiu direto para casa.
— Oi, mamãe, o que foi? Já te disse para não se preocupar comigo, eu me viro... Tá bom, tá bom, eu vou, contente agora? — Xu Xiaoqing atendeu o telefone logo depois de partir.
Wu Xiaorui, mesmo sentado atrás, ouviu claramente: a mãe de Xu Xiaoqing tinha arranjado um encontro para ela.
Ele suspirou, resignado, e se preparou para descer. Achou que tivesse dado sorte, mas no fim teria de voltar a pé mesmo.
— O que foi? Está se sentindo mal? — perguntou ela, notando sua intenção de descer.
— Não, é que você não tem um encontro agora? Não quero atrapalhar. Teremos outras oportunidades para conversar — disse Wu Xiaorui, sorrindo.
— Ora, eu não dou bola para isso. Estou correndo atrás dos meus sonhos, não vou deixar essas coisas me atrapalharem. Suba, dessa vez você vai me ajudar a afastar pretendentes indesejados — respondeu ela, rindo.
Wu Xiaorui percebeu que ela queria usá-lo como desculpa. Mas, se isso o ajudasse a voltar para casa, não via problema.
— Brigou com aquela moça agora pouco? Vocês parecem ter uma relação próxima. Já pensou no que vai dizer ao chegar em casa? — perguntou Xu Xiaoqing no caminho.
— Que nada, é sempre assim. Já me acostumei — respondeu Wu Xiaorui, distraído.