Capítulo Noventa e Dois: O Visitante Traz Más Intenções

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2372 palavras 2026-03-04 20:10:59

— O que você quer comer? Eu pago.
Wu Xiaorui conduziu aquele homem desalinhado até a mesa e, sentados, colocou o cardápio diante dele. No entanto, o homem parecia constrangido, ficou um bom tempo sem reagir, mas continuava com os olhos fixos no cardápio à sua frente.

— Não se preocupe, escolha o que quiser, é só apontar com o dedo.

O capitão observava a cena e pensava que talvez fosse a primeira vez que aquele homem comia fora, por isso estava tão desconfortável.

O homem olhou para o capitão e para Wu Xiaorui e, finalmente, tomou coragem e começou a estender o dedo.

— Acho que ele quer comer de tudo, não é?

O capitão notou que o homem indicava todos os pratos que via.

— Dono, traga todos os pratos especiais, quero a mesa cheia.

Wu Xiaorui pensou que, se continuasse assim, poderiam ficar escolhendo por meia hora.

— Está bem, já vou providenciar!

O dono do restaurante foi muito cordial, não demonstrou nenhum desagrado pela aparência estranha do homem, pelo contrário, mostrou-se bastante acolhedor.

Isso fez com que Wu Xiaorui sentisse simpatia; afinal, ainda há muitas pessoas boas no mundo e, por vezes, basta um momento de descuido para encontrá-las.

— Wu Xiaorui, você faz jus ao título de grande médico, é realmente generoso, mas não acha que está sendo um pouco exagerado...?

As primeiras palavras do capitão pareciam elogiar a generosidade de Wu Xiaorui, mas o que importava vinha depois: ele achava que Wu Xiaorui estava sendo excessivamente extravagante.

A mesa à frente deles era grande, cabiam facilmente uns dez pratos. Quando o capitão estava em missão, às vezes só dava para comer qualquer coisa fora, pediam o básico para três pessoas, no máximo quatro ou cinco pratos, mais do que isso não conseguiriam comer tudo.

— Ele deve estar faminto, quer experimentar de tudo.

Wu Xiaorui não se incomodou, ao contrário, justificou que havia pedido tantos pratos apenas por causa do homem desalinhado.

O restaurante serviu a comida rapidamente; em menos de oito minutos, os pratos começaram a chegar um após o outro.

— Este restaurante sempre foi movimentado, viemos aqui com frequência.

Wu Xiaorui lançou um olhar ao redor. Realmente, o movimento era intenso, o local estava completamente lotado, com pelo menos dez mesas ocupadas.

— Sirva-se, não precisa de cerimônia.

Os pratos estavam sobre a mesa, mas os três ainda não tinham pegado nos talheres. Wu Xiaorui percebeu que o homem desalinhado continuava constrangido, os olhos fixos na comida, com uma expressão de quem quase salivava, mas não ousava começar.

— Coma, fique à vontade, escolha o que quiser.

O capitão, ao notar o embaraço do homem, foi gentil e lhe entregou um par de pauzinhos.

Nesse momento, o homem finalmente pegou os talheres e começou a comer.

Estranho...

Durante a refeição, Wu Xiaorui percebeu um detalhe: ao comer, o homem era surpreendentemente elegante, um contraste gritante com seu aspecto desleixado.

— Capitão, reparou nisso?

— O quê?

Enquanto o capitão provava a comida, Wu Xiaorui murmurou ao seu lado.

— Observe.

Wu Xiaorui fez um sinal com o olhar, e o capitão voltou sua atenção para o homem à frente. Inicialmente, não notou nada de especial, mas, ao observar melhor, percebeu algo surpreendente.

O homem segurava os pauzinhos de maneira impecável e pegava os pedaços de comida com destreza, claramente alguém que recebera educação formal, alguém provavelmente oriundo de uma boa família e com instrução adequada.

— Realmente curioso, talvez ele não seja tão simples quanto aparenta.

O capitão também ficou surpreso, mas, como mal conseguiam conversar com o homem, e só haviam conquistado sua confiança agora, hesitou em fazer perguntas pessoais, pois isso poderia deixá-lo na defensiva.

Pensando nisso, o capitão trocou um olhar com Wu Xiaorui, sugerindo que não comentassem nada, ao menos por enquanto.

A refeição durou quase uma hora. O homem desalinhado parecia não comer há dias, devorou mais da metade da comida sozinho.

O capitão também mostrou apetite, comeu por dois com várias tigelas de arroz.

— Capitão, você tem se esforçado muito ultimamente, não tomou café da manhã, não é?

Wu Xiaorui sorriu para o capitão à sua frente.

— Pois é, com um caso tão grave na cidade, não temos tempo para comer. É preciso permanecer firme no dever, cumprir a missão.

Ao dizer isso, o capitão coçou o nariz, um pouco embaraçado. Situações assim eram comuns; sempre que surgia uma missão, priorizavam o trabalho, deixando a refeição para depois.

— Você merece reconhecimento.

Wu Xiaorui sorriu levemente e pediu a conta.

Logo o dono, sorridente, veio receber o pagamento. Wu Xiaorui ainda tinha alguns milhões em sua conta, então gastar duzentos reais naquela refeição não fazia diferença.

— Dono, hora de acertar as contas!

Enquanto Wu Xiaorui e o capitão se preparavam para sair com o homem desalinhado, uma turma inesperada entrou pela porta.

O líder era um homem careca e musculoso, cercado por sete ou oito comparsas de braços nus e tatuados, todos com ar ameaçador.

O grupo era claramente abusado e parecia ali para cobrar o chamado “dinheiro da proteção”.

— Irmão Má, me dê mais um tempo, por favor, estou mesmo sem dinheiro agora.

O dono, que havia acabado de receber os duzentos reais de Wu Xiaorui, perdeu o sorriso imediatamente, assumindo uma expressão aflita.

— Poupe suas desculpas, com tanta gente comendo aqui, vem me dizer que está sem dinheiro?

O careca bateu com força na mesa, assustando o dono, que ficou visivelmente apavorado.

Ao presenciar a cena, Wu Xiaorui franziu o cenho. Aqueles delinquentes não faziam nada de útil, só sabiam extorquir e roubar.

— Que bando de canalhas... Está na hora de darmos uma lição para ver se aprendem a se comportar.

O capitão se preparava para intervir.

— Espere um pouco!

Wu Xiaorui segurou o capitão pelo braço. O capitão, surpreso, virou-se, imaginando se Wu Xiaorui queria se afastar da confusão para não desperdiçar tempo com assuntos pessoais.

— Deixe comigo.

Wu Xiaorui entendeu imediatamente a preocupação do capitão, mas achou que, para lidar com bandidos de rua, ele mesmo deveria agir.

— Mas por quê? Isso faz parte do meu trabalho.

O capitão não compreendia, mas ainda assim não queria deixar Wu Xiaorui se expor.