Capítulo Trinta e Seis – Por Um Triz Não Sofri
— Droga! — xingou Wu Xiaorui furiosamente.
— Vocês são cruéis demais! — murmurou, suportando a dor pelo corpo, dirigindo-se aos homens ao seu redor.
— Cruel? Hoje vou te mostrar o que é ser cruel de verdade! — zombou o homem de meia-idade, exibindo um sorriso perverso.
Ele tirou algumas varetas de bambu da gaveta, todas com as pontas afiadas como agulhas. Na mente de Wu Xiaorui, surgiram imediatamente cenas de filmes de espionagem. Diante daquela situação, percebeu que, mesmo que não o matassem, certamente o fariam sofrer até quase morrer.
— Esperem! Irmão, tenho algo a dizer, não tenham pressa — gritou Wu Xiaorui, desesperado, pensando rapidamente em uma forma de se livrar dali.
— Se tem algo para falar, fale logo! Não tenho tempo a perder com suas conversas fiadas! — respondeu o homem, interrompendo seu movimento, demonstrando certo interesse pelo que Wu Xiaorui tinha a dizer.
— Sei que vocês não são autoridades, isto aqui não é delegacia, e também sei quem pediu para vocês virem atrás de mim! — respondeu Wu Xiaorui, percebendo a hesitação deles. Arriscou-se a mover os ombros e endireitou-se na cadeira.
— Como você sabe disso? — O homem de meia-idade ficou surpreso. Olhou para seus comparsas e voltou a encarar Wu Xiaorui.
Agora, ele começava a desconfiar que alguém de sua equipe havia o delatado, pois o plano era tão bem tramado que não via como aquele inútil poderia ter descoberto. Além disso, tinham recebido a ordem por telefone no dia anterior, mas não agiram imediatamente, justamente para não levantar suspeitas junto à mãe de Luo. No entanto, Wu Xiaorui parecia saber de tudo.
— Acho que você está com medo. Tem gente que, quando sente medo, não ousa falar nada, mas você, pelo visto, fala até demais. Pena que não vou acreditar tão facilmente em suas palavras — respondeu o homem, forçando uma aparência de calma e pronto para agir.
— Calma, calma, irmão! Não é dinheiro que vocês querem? Digam quanto, faço uma oferta! — Wu Xiaorui achou, por um momento, que poderia enganá-los, mas viu que eles estavam mesmo decididos a acabar com ele. Ficou apavorado, e se não tivesse sido contido, talvez teria tentado sair dali correndo de tanto medo.
— Você vai nos dar dinheiro? Ouviram isso? Esse inútil quer nos pagar! Ele acha que a gente vai cair na risada e deixá-lo fugir! Com o pouco que você tem, não dá nem pra comprar um maço de cigarros, e ainda tem coragem de falar isso! — riu o homem de meia-idade, dirigindo-se aos seus capangas.
— O que você tem, guarde para o café da manhã!
— Inútil! Falar de dinheiro não te fere o orgulho, não?
— Ei, não peguem tão pesado. Olha só, vou te dar uma chance: liga agora para aqueles seus amigos vagabundos e chama todo mundo aqui. Quero ver quanto vocês conseguem juntar juntos! — gargalhou o homem.
— Mas cumpra sua palavra, hein? Vou ligar agora! — disse Wu Xiaorui, já tirando o telefone do bolso.
— Você realmente tem coragem. Não entendeu o que eu quis dizer? — e, num golpe rápido, ouviu-se um “ploc” e o telefone de Wu Xiaorui foi atirado ao chão, partindo-se em pedaços.
Ao ver a tela toda estilhaçada, Wu Xiaorui sentiu uma pontada de tristeza. Aquilo era a única coisa de valor que ainda possuía. Agora, não restava dúvida: era realmente um miserável.
A raiva começou a crescer dentro de Wu Xiaorui, concentrando-se em seus punhos. Uma energia estranha percorria seu corpo, as veias do braço começaram a saltar.
Com um estalo seco, suas mãos foram algemadas à cadeira.
— Droga, nunca imaginei que teriam algemas. Agora estou realmente perdido — pensou ele, começando a sentir medo. Tentou romper as algemas com força, mas tudo foi em vão.
— Aceite seu destino. Quem recebe dinheiro dos outros, paga o preço. Não venha culpar ninguém pelo que vai acontecer hoje — disse o homem, aproximando-se de Wu Xiaorui.
— Chefe, o Terceiro Senhor chegou! — anunciou de repente alguém que entrou apressado.
— O quê? O que ele quer comigo a essa hora? — o homem de meia-idade baixou lentamente as varetas de bambu e seguiu o recém-chegado para fora da sala.
Wu Xiaorui lembrava-se vagamente desse Terceiro Senhor. Ele o ajudara uma vez. Se soubesse que ele estava ali, talvez viesse em seu socorro.
— Irmãos, soltem-me logo! Não ouviram? O Terceiro Senhor está aqui. Se ele ver como estão me tratando, vocês vão se arrepender! — Wu Xiaorui sentiu-se tomado de esperança e começou a pressionar os dois que estavam ao seu lado.
— Seu insolente, ousa chamar nosso chefe pelo nome? Só por isso, vou te dar uma lição em nome dele — disse um dos homens, já se preparando para bater em Wu Xiaorui.
— Calma, irmão, é melhor não mexer comigo. Tenho uma ótima relação com o Terceiro Senhor — insistiu Wu Xiaorui.
— Você está delirando. Um inútil como você, amigo do nosso chefe? Deve estar mesmo apavorado.
— Terceiro Senhor, aqui não tem nada de interessante, de verdade, senhor.
— Saia da frente! — gritou uma voz antes que alguém pudesse reagir, e o Terceiro Senhor entrou furioso na sala.
— Terceiro Senhor! — exclamaram os dois, retirando-se apressadamente para o lado em sinal de respeito.
— O que estão fazendo, amarrando alguém aí? Com essas roupas, querem se passar por autoridades? — questionou o Terceiro Senhor, irritado.
— Foi só um favor, senhor, alguém pediu para darmos uma lição nesse rapaz. Mas, já que o senhor está aqui, por que não vamos conversar em outro lugar? — respondeu o homem de meia-idade, tentando agradar.
— A pedido de quem? Pelo que vejo, estão dispostos a matar alguém! — O Terceiro Senhor fingiu não reconhecer Wu Xiaorui.
— Eu já disse que sou amigo do Terceiro Senhor, mas eles não acreditam. Chefe, você não vai pensar que estou mentindo, né? Solte-me logo! — Wu Xiaorui apelou ao homem de meia-idade.
— O quê? Agora, mesmo com o Terceiro Senhor aqui, você insiste nisso? Se continuar, vai acabar apanhando antes! — O homem ficou irritado, querendo mostrar serviço diante do chefe.
— Wang Hai, vejo que está ficando ousado demais. Na minha frente, trata o meu amigo assim? Estão querendo sentir na pele as consequências? — O Terceiro Senhor demonstrava ainda mais irritação diante da situação.
— Tragam logo a chave! — gritou ao ver que ninguém se mexia para soltar Wu Xiaorui.
— Aqui está, senhor!
— Irmão Wu, desculpe-me por tudo. Depois, venha até minha casa, quero te pedir desculpas pessoalmente — disse o Terceiro Senhor, libertando Wu Xiaorui das algemas.
Agora, já não parecia mais um chefe durão; pelo contrário, Wu Xiaorui parecia ser a autoridade ali.
Com um baque surdo, todos ao redor rapidamente caíram de joelhos.