Capítulo Dezessete: Palavras Surpreendentes
— Fale, pode falar, mas se você inventar qualquer coisa, é melhor tomar cuidado com o futuro de vocês dois — disse Zenaide, olhando para seus dedos pintados de esmalte vermelho com indiferença.
Pode-se dizer que Zenaide herdou o talento de seu pai nesse aspecto; bastava um olhar ou um toque para saber se uma peça de arte ou antiguidade era verdadeira ou falsa. Por isso, apesar de jovem, já gozava de grande prestígio nesse ramo e abriu sua própria loja de antiguidades. Gente de todas as partes vinha por causa de sua reputação.
— Tudo bem, bela dama, então vamos começar — respondeu Maurício, sorrindo.
— Cunhado, acho melhor deixarmos isso de lado. Se nos rendermos e eu disser quem sou, com certeza eles vão nos deixar ir em paz — murmurou Teodoro, cutucando o braço de Maurício.
Embora estivesse impressionado com as habilidades recentes do cunhado, se não fosse por ele insistir em trazê-lo ali, talvez Maurício nem tivesse contato com esse mundo. Diante da situação, só restava dizer tudo que sabia.
— Todos podem ver que esta porcelana celadon, analisando por todos os ângulos, é realmente um bule de celadon do forno Yue da dinastia Tang. O trabalho é refinado, uma peça de excelente qualidade.
— Rapazes, joguem esse inútil para fora e mostrem como se deve agir! — gritou o dono da loja antes mesmo de Maurício terminar de falar.
— Esperem, quero ver que truque esse rapaz quer aprontar — interveio Zenaide.
— Entretanto, os antigos prezavam sempre pelo início e o fim em tudo que faziam. Mas para a dinastia Tang, este bule de celadon parece um tanto esguio, com um tom de cor muito exuberante. Os Tang gostavam de formas robustas e tons frios; buscavam elegância sem ostentação, esse era o ideal confucionista. Acho que não preciso dizer mais nada — Maurício sorriu ao ver que os presentes finalmente compreendiam.
De fato, apenas com olhos comuns, sem décadas de experiência, seria impossível perceber a falsificação.
— Maldito, hoje vou te mostrar do que sou capaz — rugiu o dono da loja, ordenando a seus capangas que partissem para cima de Maurício. Se não fosse por Teodoro protegendo-o, Maurício certamente já estaria estirado no chão, dado seu porte físico.
Ao ouvirem que se tratava de uma falsificação, os presentes logo ficaram inquietos. O motivo do sucesso daquele estabelecimento era justamente a confiança de que ali não se vendiam peças falsas; preços altos ou baixos eram outra questão.
— Ora, você é o primeiro a ousar afirmar que aqui há falsificações, e ainda na frente de tanta gente. Se isso não for resolvido hoje, minha loja não poderá mais funcionar — Zenaide estava nervosa; não era de baixar a cabeça, e pelas palavras de Maurício, o bule realmente tinha sérios problemas.
Como poderia acreditar que em sua loja haveria falsificações? Se isso se espalhasse, seria motivo de riso entre os colegas de profissão.
— Tragam o bule para o laboratório, quero que examinem minuciosamente — ordenou Zenaide aos funcionários.
Na loja, havia os equipamentos mais avançados para analisar a datação das peças. Além de vender antiguidades, também ofereciam o serviço de autenticação, geralmente para grandes empresários, já que o exame custava caro e pessoas comuns evitavam.
O equipamento principal analisava a composição de carbono para determinar a idade da peça, tornando o processo rápido.
— Segundo a análise, esta peça foi produzida recentemente — informou um dos técnicos, cochichando ao ouvido de Zenaide.
— O quê?! — exclamou Zenaide, incrédula. Há poucos dias ela declarara publicamente que jamais venderia falsificações; agora, ali mesmo, haviam descoberto uma peça falsa. Se fosse um especialista, ainda poderia aceitar, mas logo por alguém considerado um inútil por todos.
— Zenaide, melhor dar um jeito nesse rapaz longe dos olhos de todos. Na família dele, talvez nem tenha o valor de um cachorro — resmungou o dono da loja, furioso.
Ele sabia muito bem a procedência da peça. Investira muito dinheiro para revender falsificações ali, aproveitando-se do renome da Casa Tesouros para empurrar suas réplicas.
— Excelente sugestão. Tragam tudo o que esse sujeito trouxe, lacrem tudo e ponham todos para fora. E avisem: quem tiver comprado algo dele, que venha devolver e receber o dinheiro de volta. Se algum desses for visto negociando antiguidades de novo, acabem com ele — ordenou Zenaide, demonstrando uma frieza e determinação que Maurício admirou.
— Senhor Maurício, teria um tempo hoje? Recentemente adquiri uma porcelana azul e branca da dinastia Yuan e gostaria que desse sua opinião.
— Há alguns dias comprei uma pintura, não sei se é autêntica; poderia me dar um conselho em minha casa?
— Hoje à noite organizo um jantar no Restaurante Recepção dos Nobres, seria uma honra tê-lo como convidado e, se possível, avaliar um pingente de jade que encontrei.
De repente, todos se aproximaram de Maurício, convidando-o para verificar suas coleções, esquecendo completamente as palavras duras que lhe haviam dirigido no início.
— Ora, como vocês mudam de tom! Se tivessem sido simpáticos com meu cunhado antes, agora ele poderia ajudar a todos vocês — reclamou Teodoro, enxugando o suor da testa diante dos convidados.
— Senhor, nossa patroa o aguarda — disse o funcionário que levara o bule para análise.
— Não vê que aqui está lotado? Se sua chefe quiser falar com meu cunhado, que venha pessoalmente — retrucou Teodoro, agora mais arrogante do que o próprio Maurício, esquecendo o medo que sentira.
— Está bem, então por favor, conduza-nos — respondeu Maurício educadamente, ignorando o comentário de Teodoro.
Teodoro, no entanto, achava que o cunhado deveria aproveitar a chance para mostrar sua força e ainda lucrar com isso. Não gostava da ideia de aceitar o convite, mas como Maurício concordara, teve que acompanhá-lo.
Atravessaram o balcão e chegaram a um amplo espaço nos fundos, onde várias pessoas trabalhavam intensamente em tarefas que Maurício não conseguiu identificar.