Capítulo Quarenta e Nove: Pegando o Ladrão
O dia ainda estava começando, e Wu Xiaorui desejava poder cochilar mais um pouco. Quando saiu para o trabalho naquela manhã, Luó Tianyi parecia ainda ressentida pelo que acontecera no dia anterior, de modo que, após se aprontar, não se despediu de Wu Xiaorui e foi direto para o trabalho.
Wu Xiaorui percebeu que ainda tinha bastante tempo, então decidiu pegar o ônibus. Assim economizaria algum dinheiro e, quem sabe, teria uma agradável surpresa durante o trajeto.
Talvez por ser horário de pico, assim que entrou no ônibus notou que já estava lotado. Todos estavam de pé, espremidos uns contra os outros. Com isso, o veículo seguia sacolejando em direção à empresa.
“Meu celular e minha carteira sumiram!” De repente, uma mulher gritou.
Esse grito rompeu o silêncio que reinava no ônibus. As pessoas começaram a olhar para seus próprios pertences ou a apertar os olhos, e logo todos passaram a procurar ansiosamente entre seus pertences, tentando provar sua inocência.
Wu Xiaorui, porém, permaneceu imóvel, apenas observando a paisagem pela janela.
“Motorista, pare o ônibus! O ladrão ainda está aqui dentro. Aposto que ele ainda está com as coisas!” Um homem gritou.
Ao ouvir o pedido, o motorista freou apressado e encostou o ônibus na rua.
“Calma, todo mundo. Vou abrir a porta e todos vocês vão descer, um por vez, sem pressa. Se alguém tentar fugir, esse será o ladrão. Nesse caso, nós o seguramos e levamos para a delegacia”, disse o motorista, virando-se para os passageiros.
Com surpreendente ordem, todos começaram a descer, esperando na calçada. Parecia que até o ladrão percebera que não era hora de tentar escapar.
“Moça, será que você não esqueceu em casa? Ou deixou cair no ônibus?”, sugeriu Wu Xiaorui educadamente. Sua esposa, em situações parecidas, costumava culpá-lo, mas no fim sempre achava os objetos perdidos em casa ou em algum canto do carro.
“Impossível. Usei a carteira ao entrar e o celular guardei na bolsa logo depois de atender uma ligação”, respondeu a mulher, embora, desconfiada, tenha vasculhado o ônibus mais uma vez.
“Eu não peguei nada. Essas coisas não valem o esforço para mim.”
“É isso mesmo, um homem de valor faz fortuna com dignidade. Não sou esse tipo de pessoa.”
“Quem pegou, que se denuncie logo. Estamos todos atrasados para o trabalho. Perder tempo aqui não é bom para ninguém.”
Ao ouvir que a mulher não encontrara seus pertences, os passageiros voltaram a murmurar.
“Ei, não é esse o genro inútil da família Luo? Essa roupa deve custar caro, hein? Eles gastariam dinheiro com um traste como você?”
Justo quando Wu Xiaorui começava a se sentir desconfortável, um homem lhe dirigiu essas palavras diante de todos.
Com isso, a atenção de todos se voltou para ele, tornando-o, de repente, o principal suspeito.
“E daí que a roupa é cara? Agora também tenho emprego, qual o problema de me vestir bem? Se continuar me julgando por aparência, não reclame se eu perder a paciência.” Wu Xiaorui já estava irritado, e ser insultado daquela maneira só aumentou seu aborrecimento.
“Vejam só, ficou nervoso porque acertei em cheio. Agora quer partir para a violência!” O homem, longe de se intimidar, agarrou-se ao que considerava uma prova.
“Se não está com medo, deixe revistarmos você!”
“Com certeza está nervoso.”
“É isso mesmo! O pouco dinheiro que a esposa lhe dá mal dá para o café da manhã. Como pode comprar roupas boas assim? Segurem ele, não deixem escapar!”
No início, alguns duvidavam, mas ao “confirmarem” que Wu Xiaorui era o genro inútil da família Luo, logo o cercaram.
Wu Xiaorui, contudo, jamais permitiria que o revistassem, pois, mesmo que nada encontrassem, sua reputação estaria arruinada.
“Olha, se tem algo, devolva logo. Me entregue o celular, pode ficar com a carteira. O celular tem fotos muito importantes para mim”, pediu a mulher, quase suplicando.
Apesar da voz suave, para Wu Xiaorui soava agora estridente.
“Certo, então descreva a cor do seu celular e da carteira; eu posso ajudar a procurar”, sugeriu ele rapidamente.
“Não confie nele, está só tentando ganhar tempo!”
“Quer aproveitar para se livrar do celular e da carteira.”
Os passageiros, certos de sua esperteza, diziam entre si.
“Está bem. A carteira é rosa, e o celular tem uma capinha de desenho animado”, respondeu ela, ignorando os comentários dos demais.
“Tudo bem, em breve vamos encontrar.”
“Parem de me olhar assim. Eu disse que não peguei nada! Por favor, deem espaço e parem de se amontoar”, pediu Wu Xiaorui aos que insistiam em acusá-lo.
Apesar de desconfiados, obedeceram. Wu Xiaorui então observou cada um atentamente.
“Ah, por isso está tão volumosa, recheada de coisas…”
“Levou isso pro trabalho? Deve ter um encontro hoje…”
“O sujeito está vendo pornografia no ônibus e nem conseguiu fechar a tempo…”
Enquanto usava seu olhar penetrante para analisar o que cada um carregava, Wu Xiaorui não pôde deixar de se espantar.
“Espere… Isso é? Uma carteira rosa, dois celulares? E ainda uma faca?” Wu Xiaorui imediatamente concentrou sua atenção num homem de meia-idade.
O homem em questão pareceu perceber o olhar de Wu Xiaorui e, lentamente, levou a mão às costas.
Wu Xiaorui viu claramente quando ele segurou o cabo da faca. Se apontasse diretamente o ladrão, haveria risco de violência e sangue.
“O que você está fazendo aí?”
“É ele, o ladrão! Chega de enrolação!”
“Droga, perdi tempo confiando em você…”
Os outros, impacientes, seguraram Wu Xiaorui, prontos para revistá-lo.
O homem de meia-idade, aliviado, aproximou-se também, misturando-se à multidão, ficando cada vez mais perto da mulher. Se não o detivessem a tempo, algo grave poderia acontecer.
Num golpe súbito, Wu Xiaorui se desvencilhou dos que o seguravam e deu um passo largo à frente do homem.
Pressentindo o perigo, o homem rapidamente agarrou a mulher pelo pescoço e sacou a faca. A moça ficou tão assustada que mal conseguia ficar de pé.
Mas Wu Xiaorui reagiu sem hesitar: com um chute, derrubou o homem antes que a faca tocasse o pescoço dela, lançando-o longe.