Capítulo Dezenove: Coragem em Face do Perigo

O Genro Extraordinário Outono Dourado 2326 palavras 2026-03-04 20:10:21

— Você não passa de um inútil, o dia inteiro sem saber o que está fazendo! Ainda por cima fica levando meu filho junto. Acho que você só quer atrapalhar a nossa família! — a mãe de Luo xingava, enquanto desferia uma vassourada em Wu Xiaorui.

— Mãe, o que está fazendo? Se não fosse pelo meu cunhado hoje...

— Tiande, não precisa! — Wu Xiaorui percebeu o que Luo Tiande queria dizer e apressou-se em interrompê-lo.

Depois de ser chamado pelo cunhado, Luo Tiande entendeu o recado. Não teve escolha senão puxar a mãe para o lado. Pelo jeito, hoje seria difícil convencê-la.

Com muito esforço, Luo Tiande e o pai conseguiram levar a mãe de volta para o quarto. Wu Xiaorui aproveitou o momento para retornar ao seu próprio cômodo.

Já vinha carregando algumas preocupações nos últimos dias, e agora, sem motivo aparente, ainda levou uma surra da sogra. Sentia-se mais desconfortável do que nunca.

Tudo em que conseguia pensar era nos cinco milhões. Assim que tivesse esse dinheiro nas mãos, ninguém mais ousaria tratá-lo daquela forma naquela casa. Ele prometia a si mesmo que reagiria. Já estava mais do que cansado daquela vida e só conseguia se consolar com esses pensamentos.

— Cunhado, não liga para minha mãe, ela andou esquisita hoje de novo. Amanhã vamos sair pra comer algo bom, beber um pouco, aproveitar a vida. — Depois de acalmar a mãe, Luo Tiande correu para o quarto do cunhado, propondo o programa do dia seguinte.

Wu Xiaorui apenas soltou um sorriso irônico. Aquela não era a primeira nem a segunda vez que passava por aquilo naquela casa. Se fosse levar tudo a sério, já teria morrido de raiva ou de tristeza.

— Fica tranquilo, Tiande. Cunhado não guarda rancor, afinal, somos uma família. Amanhã você organiza tudo — respondeu Wu Xiaorui, impassível.

Vendo que Wu Xiaorui não se importava, Luo Tiande saiu do quarto rindo. Certamente voltaria correndo para a mãe. Apesar de viver gritando com ela, era alguém que fazia de tudo pela família — exceto por Wu Xiaorui, por quem nunca sentiu respeito.

O telefone de Wu Xiaorui, deixado sobre a mesa, começou a vibrar.

Era uma ligação de um número desconhecido. Naquele lugar, poucos tinham seu número, e ninguém costumava ligar para ele.

— Alô, quem fala?

Wu Xiaorui atendeu, um pouco impaciente. Pelo tom de voz, do outro lado também parecia haver alguém de mau humor.

— É o senhor Wu? — respondeu uma voz suave, mas assustada.

— Que senhor Wu? Eu sou Wu Xiaorui. Quem é você? — Ele não fazia ideia de quem fosse, achando que seria engano.

— Sou Bai Tingting. Da última vez, você me ajudou. Meu irmão está trabalhando normalmente na empresa agora, então pensamos em te convidar para jantar amanhã, como agradecimento. Espero que possa vir.

O coração de Bai Tingting batia forte enquanto falava. Era a primeira vez que convidava alguém assim, ainda mais alguém que até seu gerente temia. Não podia deixar de se sentir nervosa.

Ao ouvir a voz trêmula de nervosismo, Wu Xiaorui não teve coragem de recusar e aceitou prontamente. No fim das contas, não tinha nada para fazer em casa; seria apenas um pouco de tempo fora.

Na verdade, Wu Xiaorui também estava ansioso. Era a primeira vez que ia jantar formalmente com uma moça. Engraçado pensar nisso: casado, mas nunca tinha ido comer fora sozinho com a esposa, quanto mais viver algum momento romântico.

Nos últimos dias, ocupado com os estudos de medicina tradicional, não apareceu na empresa. Só às seis da tarde foi ao restaurante onde combinara de encontrar Bai Tingting.

O lugar não era luxuoso, mas já estava de bom tamanho. Comparado a restaurantes de quatro ou cinco estrelas, só perdia em tamanho; de resto, não deixava a desejar.

Só havia poucos salões privados, então a maioria comia no grande salão, o que deixava tudo mais animado.

Bai Tingting sentou-se com Wu Xiaorui perto de uma janela. Como não conseguiu reservar um salão privado, sentiu-se um pouco envergonhada ao olhar para ele.

Típico de quem acabou de sair da universidade, o irmão de Bai Tingting era alto e ágil, sempre antecipando o que Wu Xiaorui queria fazer, resolvendo tudo antes dele. Wu Xiaorui acabou sem saber o que fazer.

— Senhor Wu, escolha os pratos que quiser, hoje queremos agradecer de verdade — disse o irmão de Bai Tingting, quebrando o gelo.

Wu Xiaorui não quis recusar e logo pediu alguns pratos.

— Não me chamem de senhor Wu, parece que sou velho. Não sou muito mais velho que vocês, podem me chamar só de Xiaorui — comentou, enquanto esperavam a comida.

Palmas ecoaram na mesa ao lado.

— Sabe, dono, esse seu restaurante é muito sujo! Aqui é lugar de comer, não pode deixar que certas pessoas tragam coisas nojentas como moscas para cá! — gritou um cliente da mesa ao lado.

— Maldição, sempre tem alguém querendo arranjar confusão. Da próxima vez, é melhor consultar o horóscopo antes de sair — pensou Wu Xiaorui, irritado.

O dono do restaurante logo apareceu. Com tantos clientes todos os dias, não faltava quem quisesse causar tumulto, mas ele já estava acostumado a lidar com isso. Ao ouvir falar de sujeira, foi pessoalmente averiguar.

— Esse inútil da família Luo, olha, nós já estamos morrendo de fome e sua mesa está cheia de pratos apetitosos. Que tal deixar a gente comer primeiro e vocês esperam um pouco? — Um jovem vestido de grife aproximou-se de Wu Xiaorui e falou diretamente.

— Quem pensa que é? Tem que respeitar a ordem de chegada, e não precisa ser tão agressivo — respondeu Bai Xiaodong, indignado, levantando a cabeça para encarar o rapaz.

— Quem você pensa que é para falar assim comigo? — o jovem xingou, segurando a cabeça de Bai Xiaodong e batendo-a fortemente na mesa.

Mas Bai Xiaodong era corajoso; mesmo com um galo na cabeça, não soltou um gemido.

Wu Xiaorui apenas fez Bai Xiaodong sentar-se ao lado da irmã e lançou um olhar furioso ao jovem. Se não fosse por Bai Tingting e seu irmão, ele certamente daria uma lição naqueles encrenqueiros.

Naquele momento, um homem jovem desceu de um Mercedes e entrou no restaurante.